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Michell Foitte

michell_foittehotmail.com

Psicólogo Clínico Gestalt-terapeuta

CRP 12/07911


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Fußball

Quinta, 17 de setembro de 2015

 

Tudo começou após aquele fatídico 7 a 1 da seleção Alemã sobre a do Brasil.

Os sonhos... Ah os sonhos. Repetiam-se noite após noite. O cérebro mesmo que se quisesse fazer alguma coisa, alguma reavaliação da vida, não precisava ser deste jeito... – pensava Antônio – em formato de sonhos, ou, pesadelos.

Quando ia para a cama, receoso, e fechava os olhos, lá esteve ele, o  sonho, ou o pesadelo. Era sempre a mesma configuração onírica: do alto de um telhado Antônio saltava e alçava vôo. Cruzava um imenso território. Planícies alagadas, desertos, montanhas e geleiras, um pouco de garoa. Do alto, já usando olhos de águia, tentava encontrar o pote de ouro que estaria enterrado onde as 7 cores do arco-íris colidiam ao chão.

Em seguida era perseguido por uma nave alienígena que disparava cápsulas de complexos vitamínicos B1, B12, A, C, D, Ferro e Zinco. O arco-íris se desmanchava quando a sua frente o sol se despedia brindando com um copo de caipirinha em uma das mãos e um pouco avermelhado por não ter passado protetor solar. Da nave que era pilotada pelos 7 anões, uma figura em particular não se apresentava claramente, apenas sua silhueta opaca e penumbrosa, uma espécie de oitavo passageiro, incógnito.

Antônio se assustava com aquela figura desfigurada e disforme, sentia uma estranheza, aquele ser irreconhecível fazia Antônio perder altitude e se esborrachar no chão. Os 7 anões ouviam Pablo e sorriam.

Antônio estatelado no chão quando uma multidão vinha em sua direção... Não... Não era uma multidão, era a seleção alemã de futebol de 7. Segundos depois, após um deslocamento do sonho, era a seleção de 7 que jogava pólo aquático em uma piscina de chope. O Führer era o capitão e gritava: Mein Kampf... Mein Kampf! Richard Wagner nadava pela esquerda pedindo a bola, à direita Goebbels. Angela Merkel e Peter Komert (Peta) mais ao centro. Beckenbauer na defesa e o próprio Antônio adiantado.

Do cruzamento de Adolf até Antônio sete longos segundos passaram. Antônio deu um peixinho que acabou parando nas mãos da mesma figura da nave alienígena, nas mãos daquele ser vultuoso. 

Antônio acordava banhado em suor, pasmo por não reconhecer o ser que tanto o amedrontava.

Era preciso fazer algo. – cogitava Antônio.

Procurou um psicoterapeuta. Foi até o especialista clínico Joaquim Maria José e contou das ocorrências.

Já na primeira consulta o psicólogo disse que não era para Antônio se preocupar que ele ajudaria no imbróglio. Mas como? — questionava Antônio.

Eu estarei lá – respondeu o psicólogo.

Lá onde? –  Antônio quis saber um pouco mais.

Não se preocupe... Eu estarei lá – disse o psicólogo e assim finalizou a consulta.

Antônio achou estranho, mas consentiu.

****

À noite, o mesmo sonho. Antônio saltava do telhado onde alçava vôo. Do alto, imensos territórios... O arco-íros com suas sete cores... De repente complexos vitamínicos vinham alvejando Antônio. Os 7 anões faziam bilu-bilu-bilu e a figura opaca reservava-se esfumaçante e intangível. Antônio começava a perder altitude quando uma voz interrompe a queda:

– Segure-se aqui.

– O que você está fazendo aqui, Joaquim? – pergunta Antônio, atônito, para o psicólogo.

– Eu avisei para não se preocupar, e, aqui estou.

Joaquim Maria José pilotava um Zeppelin e conseguiu agarrar Antônio antes que ele caísse. Contudo, com um chute preciso de três dedos do Führer, a bola perfurou o aeromodelo e tanto Antônio, quanto o psicólogo, despencaram na piscina de bolinhas multicoloridas.

Sebastian Bach vinha compondo pelo centro. Georg Baselitz esculpia e pintava bolas quadradas, triangulares etc, etc, etc, pela direita. Günter Grass ia tentando fazer um gol de letra mais a frente. Nietzsche filosofando sobre o futuro da Fifa, e o Führer gritando: Mein Kampf... Mein Kampf! Mozart... Bem, Mozart não era exatamente alemão, mas estava lá também. E Antônio quando ia fazer o gol, O lobo da estepe, de Hesse, se interpolou e saiu correndo com a bola na boca.

Antônio acordou banhado em suor quando da arquibancada percebeu que aquele ser nevoento vaiava o gol perdido.

****

Dia seguinte Antônio estava novamente no consultório do psicólogo e falava ofegante: Ainda o mesmo sonho, aquele ser... Aquele ser estava lá...

Joaquim Dizia: Não se preocupe...

****

À noite ao adormecer o mesmo sonho. Do telhado voa por diversos lugares... Planícies, montanhas...

Do nada aparece Joaquim, o psicólogo, que furtou a nave alienígena e com GPS já havia localizado o pote de ouro.

O que faremos agora? – pergunta Antônio com um sorriso disfarçado.

Sequestraremos Wagner, Goebbels, Merkel, Beckenbauer, Bach, Baselitz, Grass, Nietzsche, Peter Komert (Peta), Mozart, O lobo da estepe, Führer… Faltou alguém? Sim, sim, o Pablo e os anões… E faremos uma troca. – diz Joaquim.

Já sei, faremos a troca pela imagem que não quer se revelar? – Antônio.

Não – falou o psicólogo – mas, por Pelé!

Antônio pensou um pouco, mas, por fim, acabou concordando, pois, com Pelé num time 7 a 1 contra a seleção do Brasil seria apenas em sonho.

****

Depois da troca feita Antônio jamais acordou novamente banhado em seu próprio suor. Antônio tem apenas sonhos de goleadas homéricas com Pelé marcando todas as noites.

E da figura sem formas, Antônio e Joaquim supõe que poderia ser a do Mick Jagger, porém, ambos concordam que daí seria algo de muito pé frio.

 


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