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Michell Foitte

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Psicólogo Clínico Gestalt-terapeuta

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Quarta, 25 de março de 2015

 

“Agora você é uma moça e precisa prestar atenção as coisas que acompanham a vida adulta”.

Foi o que minha mãe disse logo após eu ter feito 15 anos. Assustador aquele discurso? Claro que sim. Como se até então eu não tivesse prestado atenção em nada ao meu redor, indaguei. Mas, pensei em todas as mães e suas filhas. Cada uma delas com um jeito diferente uma das outras.

A minha achava que os filhos deveriam ter um botão de liga e desliga. Algo do tipo: “Agora pare de correr descalço nessa grama molhada pelas chuvas de verão” ou “Chega... As estrelas não irão te responder”.

Logicamente que minha mãe desconfiou que esse mecanismo em mim estivesse com defeito, já que sempre olhei com outros olhos para todas essas coisas, assim como era a chuva que caminhava sobre mim e era eu quem respondia as estrelas.

“(...) as coisas que acompanham a vida adulta”. Pensava que, mesmo aos 15 anos era um peso ter uma personalidade e uma normalidade patologizada.

Como se eu não pudesse ser viril mesmo sendo uma mulher ou chorar quando me sentisse insegura. Porém, se assim eu colocasse minha opinião iriam dizer: “que tipo de ideia é essa, você nem tem maioridade e acha que já sabe alguma coisa da vida”.

Difícil, não acha? Afinal, quem está me colocando nesse lugar de “moça”?

Paradoxalmente, entre a leveza da liberdade de ser quem você realmente quer ser, está o peso da imposição e importância do referencial externo, ou seja, o grande outro social. E mais paradoxalmente ainda, onde circula o caminho da leveza e do peso, estão os acontecimentos que envolvem ser uma mulher, pois, é necessário ter a docilidade como algo de afeto e ao mesmo tempo a amargura da verdade da vida carregada como em um ventre. Então, de alguma forma, poderia ser comida por ser doce e ao mesmo tempo desprezada por ser indócil?

Acho que o intuito de tudo isso é para que todos entendam subliminarmente como se lê: mulher. Ensina-se há tempos como pagar pelo estereótipo mulher, como uma mulher deve ser pelo seu falar, pelo andar, vestir, comprar, namorar, etc. Quando na verdade, a mulher é exatamente o produto que está sendo vendido. 

Contudo, não cheguei a falar isso para minha mãe, já que ela acharia que eu não sou uma moça “normal” e que eu não havia prestado atenção ao que ela havia me dito. No mais, a chuva ainda é molhada e as estrelas são somente estrelas, ou pelo menos, é o que minha mãe pensa.



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