Dr. José Kormann (Histórias da História)
Historiador
A longa espera termina
A história de Eliana e seus filhos toma outro rumo. O rumo não esperado. Chegou o fim da longa e triste espera. Lá em Manaus, Vilson falece vítima de um derrame cerebral que ainda o manteve vivo por onze dias. No dia 22 de fevereiro de 2001 ele faleceu. Vilson encerrou sua carreira terrena sem nunca explicar à sua esposa e a seus filhos a causa de tão triste abandono.
Uma busca de mais de dez anos resumiu-se na notícia de sua morte, 24 horas após o ocorrido. Lá, chorava uma jovem e sua filha de três anos; aqui, a esposa legítima que tanto esperara por uma explicação e seus três filhos sufocados de dor que a acompanharam durante estes longos dez anos tão cheios de dor. Agora foi a dor do abandono aliada a dor da morte e o fim uma história sem explicação. Diz Eliana: "Vivi duas dores, mas posso assegurar que a dor da morte foi mais amena. Sofri sua morte, mas sofri menos do que outrora".
Somente em maio do mesmo ano a família recebeu de Manaus o marido e o pai dos filhos de volta. Ele voltou fotografado na urna funerária que o acolhia, acompanhado da certidão de óbito. Este foi o final de um ato inexplicável que ceifou a vida de um homem de 43 anos que buscou a felicidade onde, com certeza, ela não existia. Podemos afirmar isto com certeza, pois a declaração dos que o acompanharam nos últimos anos de vida revelaram esta triste realidade.
Novo ciclo
Agora livre da espera que parecia sem fim, iniciou-se um novo ciclo. Recomeçar e recomeçar com a mesma Fé de outrora, com a mesma certeza que Deus jamais nos abandona. Comenta Eliana: “Com a ajuda de Deus e o auxílio dos falecidos, minha mãe e meu marido, reiniciei a construção de minha casa. A herança que minha mãe me deixou, um lindo sítio, troquei pela mão-de-obra. O seguro de vida familiar que, por cautela, sempre paguei e pago, após a morte do meu esposo e serviu para comprar parte do material. Assim pude construir uma casa nova e maior, no lugar da pequena casa de madeira que havia construído com o meu esposo. A casinha de madeira, deteriorada pelas intempéries do tempo, encharcada de lágrimas, foi ao chão. Com ajuda de familiares, colegas de trabalho e vizinhos amigos, a casa foi toda desmanchada”.
Apesar do abandono, da falta de responsabilidade de seu esposo, o nobre coração de Eliana nunca plantou o ódio nos corações de seus filhos. Os filhos dela nunca ouviram falar mal do pai deles. A tarefa de julgar e condenar, para ela, não nos compete. Quem julga é Deus. Ela admitiu e admite o erro, a mágoa, mas não deixou cair no esquecimento as qualidades que ele possuía. Ela sempre afirmou não ter se arrependido de se casar com Vilson, pois Deus, na sua infinita bondade, retribuiu o amor. Diz ela: “Amei com muita intensidade e como recompensa ganhei três maravilhosas criaturas para amar. Tenho amor triplicado. Amo meus filhos e sinto este amor correspondido em cada gesto, em cada atitude. Existe a lembrança de um passado muito triste, mas também existe a certeza de um presente muito feliz”.