Dr. José Kormann (Histórias da História)
Historiador
Terras de Sant’Ana
Como já vimos, o espanhol Juan de La Cosa chamou, bem nos primeiros tempos, parte do litoral catarinense de Sant’Ana. Assim foi este realmente o primeiro nome do Estado de Santa Catarina, mas não da ilha. Este nome, em português mais atual, seria grafado de Santa Ana. Depois este nome Sant’Ana caiu no esquecimento e em seu lugar vingou o nome da ilha de Santa Catarina, em virtude de sua grande importância, para todo o estado de Santa Catarina. Ainda antes de Santa Catarina receber, espontaneamente, este nome de Santa Catarina, foi, este estado, também chamado de Capitania d’El Rei. Um, porque o Rei a readquiriu de seus herdeiros e outro, pela significativa importância que tinha como região limítrofe do sul.
Capitanias Hereditárias
Para o Rei Portugal colonizar o Brasil, representava, inicialmente, uma despesa enorme sem esperança de reaver a renda correspondente. Resolveu, ele, então, dividir o Brasil em 15 grandíssimos lotes e doá-los a capitães que deveriam coloniza-los por conta própria e assim poderiam auferir muitas riquezas e colher um nome glorioso e tudo isso passaria para toda sua posteridade. É por isso que eram chamadas de hereditárias, ou seja, os descendentes herdariam as benesses de seus ascendentes. Isso foi feito pelo Rei em 1534. Dessas Capitanias nasceram, por subdivisões ou não, os atuais estados do Brasil. Santa Catarina, com o nome de Terras de Sant’Ana foi doada a Pero Lopes de Sousa, mas ele, pessoalmente, não a ocupou.
Os irmãos de Sousa, Pero Lopes e Martim Afonso
Pero Lopes recebeu três porções de terras: Itamaracá, em Pernambuco; Santo Amaro, em São Paulo; e Terras de Sant’Ana, atual Santa Catarina. Martim Afonso recebeu São Vicente. Assim Santo Amaro, São Vicente e Terras de Sant’Ana, dos dois irmãos, foram administradas em conjunto por um só administrador, já que os dois estavam atarefados em Portugal e nas Índias e nunca vieram pessoalmente tomar posse de suas capitanias. Nunca marcaram as divisas entre essas capitanias. Isso veio a criar, mais tarde, graves conflitos lindeiros especialmente entre Santa Catarina e o Estado do Paraná, pois quando este foi criado em 1853 as divisas entre os dois estavam indeterminadas. Duraram 381 anos para marca-las: eis aí Contestado.
Bandeiras de Apresamento
A palavra bandeira originou-se de bando ou grupo de pessoas que se une para um determinado objetivo. Assim bandeira de apresamento eram grupos de pessoas que se uniam sob um chefe para apresar índios e vende-los como escravos, pois a mão-de-obra faltava muito no Brasil que se iniciava e assim cruel e erradamente avançavam sobre os ameríndios, especialmente os melhores como era o caso dos Carijós que viviam no litoral catarinense. Havia também os dos grupos Xokleng, Caingang e os Guaranis ervateiros já que existiam também os não ervateiros. Os ervateiros e Carijós eram considerados muito bons para a escravidão. E assim, especialmente os Carijós, foram quase que completamente exterminados.
Bandeirantes versus missionários
A partir de 1553 os padres jesuítas começaram a trabalhar com os Carijós o que antes já era feito pelos padres franciscanos. Padre Manoel da Nóbrega os classificou como os melhores do Brasil e o Padre José de Anchieta dizia que eles eram “Mansos e propensos às coisas de Deus”, mas foram destruídos. A incipiente civilização guarani, num verdadeiro e cruel genocídio, foi totalmente arrasada. Principais bandeirantes de apresamento em Santa Catarina: Manoel Preto que recebeu o título de Governador da Ilha de Santa Catarina; Antônio Raposo Tavares que destruiu as missões dos Guaranis donde vendeu em torno de 100.000 escravos fora os que morreram na luta ou fugiram; e Jerônimo Pedroso de Barros que o fez no oeste catarinense.
Santa Catarina
São 6.727.000 habitantes. Sua extensão é de 95.346 Km2. Contém 295 municípios. É o menor estado da região sul, mas muito profícuo.