Dr. José Kormann (Histórias da História)
Historiador
General Setembrino de Carvalho
Diante do desgaste militar frente aos insurretos resolveu-se nomear um experiente comando geral. Antes de assumir deixou claro ao Presidente Marechal Hermes que não aceitaria a missão “se ampliada com objetivos políticos”. As tropas regionais estavam desprovidas de todos os recursos materiais e com o moral muito baixo diante dos desastres anteriores. A política paranaense fervilhava revoltada pelas questões lindeiras e rejeitava a decisão do Supremo Tribunal Federal a favor de Santa Catarina e temia uma intervenção de Setembrino em seu governo. Forte corrente militar não queria o envolvimento em questões policiais, diziam. Mas Setembrino foi nomeado.
Muitos e graves problemas a resolver
Setembrino encontrou a 11ª Inspetoria Militar em verdadeira situação crítica: efetivos incompletos, falta de oficiais superiores, tropa sem adestramento para aquele tipo de combate e não havia empenho político para resolver este problema. Havia quem queria esta luta e até mesmo ajudava a sustenta-la. A 12/09/1914 ele assumiu em Curitiba o comando do exército correspondente aos quartéis do Paraná e de Santa Catarina. Foi mal recebido em Curitiba. Havia, ali, grande receio de uma intervenção política no governo paranaense e era exatamente o que o General Setembrino não queria. Queria ser somente comandante militar, não interventor como o fora no Ceará.
Logística de manobras
Com seus oficiais estudou o cerco a se fazer. Delimitou a zona de operações e guarneceu seus pontos críticos, estruturou apoio logístico, repôs a ferrovia em funcionamento. Isolou os revoltosos dentro do território em conflito: linha norte, União da Vitória a Rio Negro; linha sul, Campos Novos – Lages – Curitibanos; linha oeste, a ferrovia; linha leste, Rio Negro – Itaiópolis – Papanduva. Tentou evitar o derramamento de sangue: pediu auxílio do Bispo D. Braga de Curitiba, distribuiu panfletos, pediu paz, prometeu perdão, garantiu terras legalizadas. Mas tudo o que de nada. Cuidou então para que não mais entrassem ali armas, munições e alimentos.
Concepção das operações
Logo após estar em Curitiba transferiu seu Quartel-General para União da Vitória. Ali deu posse a seu Estado-Maior: 03 capitães, 10 tenentes e comandantes das unidades. Definiu a missão de cada unidade. Organizou colunas móveis. Regulou os transportes, o apoio médico, o estado sanitário e a segurança, estabeleceu um relatório diário a ser preenchido. Visava diminuir as linhas apertando o cerco e imobilizar os insurretos, submetendo-os pela fome e pelas armas, quebrando-lhes a impetuosidade adquiridas pelas anteriores derrotas militares e a retirada do General Mesquita: para eles “milagre de José Maria” e atacaram Itaiópolis, Moema, Iracema, Curitibanos e Mafra.
Aviação militar na Guerra
O General Mesquita já pedira aviões. O General Setembrino pediu e recebeu. Dos cinco aviões mandados, dois explodiram na viagem de trem e um veio danificado. Vieram dois pilotos, Kirk e Darioli. O objetivo era realizar reconhecimentos, auxiliar a Rio Negro, Caçador e Tapera do Cláudio. Só um dos aviões servia para bombardeios e esse foi danificado. Kirk caiu e morreu. Darioli com seu aparelho também danificado não pôde mais voar. Só um voo foi realizado sobre o Rio Timbó e nada puderam ver. Os jagunços vibraram com o fracasso dos “gaviões de aço”. Diziam milagre do monge.
Sumário
Área: centro norte catarinense, 40.000 Km2; exército: 7.000; caboclos mortos: 10.000; militares mortos: cerca de 500; população da área: 30.000; data: 1912 a 1916.