Dr. José Kormann (Histórias da História)
Historiador
Sepultada viva
É isso mesmo. Aconteceu em 1903. A felicidade exige que sejamos pacientes, prudentes e demos tempo ao tempo. Andreas Bacherl, morador da Estrada Dona Francisca em São Bento, teve dois filhos. Uma de suas netas, Resl, trabalhava como doméstica na casa do alfaiate Hoffmann em Oxford. Ela estava tirando as brasas do forno para a seguir pôr o pão para assar, quando ela foi atingida por um raio. Para não atrapalhar um casamento resolveram sepultá-la logo. Quando, anos depois, resolveram mudar o cemitério de lugar e abriram os túmulos, o seu corpo estava de bruços. Havia-se virado no caixão. A pressa é inimiga da perfeição. Cuidado! Calma!
De manhã, à tarde, à noite, sábados e domingos
Quem hoje conhece o César do Germânia não imagina sua trajetória de vida. Seu primeiro emprego foi carregar madeira para fora do mato, usando braços e ombros. Após outros trabalhos, tornou-se professor numa escola isolada bem do interior para onde ia de ônibus até o final da linha e depois o resto do trajeto de bicicleta. Chegou época em que ele lecionava de manhã, à tarde trabalhava na prefeitura de Canelinha, à noite estudava e sábados e domingos trabalhava como taxista com um fusca que conseguiu comprar. É lógico que não parou por aí. Chegou a trabalhar gratuitamente num escritório para melhor aprender esse trabalho. Viver é lutar. Vencer é trabalhar.
“Não sabiam me ensinar...
... nem meu professor, nem meu pai e nem meus irmãos; só minha mãe às vezes se tirava um tempo entre tantos de seus afazeres para com toda bondade me ensinar. O professor simplesmente me chamava de vadio. Quantas vezes eu olhava a escrita e quase chorando dizia comigo mesmo: como deve ser bom saber ler e escrever. Apanhei até de relho por não aprender, mas ninguém me dava a chave que me abrissem as portas desse mundo maravilhoso.” É a confissão de um luminar das letras, de um exemplo de sábio, de um herói das maravilhas do conhecimento. Ele quer permanecer anônimo. Quantas injustiças podemos fazer. É melhor pensar bem.
Filosofia de boteco – 1:
Muros ao redor das escolas
Grandes decisões da humanidade já foram tomadas em cervejarias aos goles da bebida em que a conversa corria solta. E foi numa dessas ocasiões que alguém perguntou: Por que muros altos ao redor das escolas? Isso é para lá não se entrar? Para de lá não sair? Ou para lá ninguém invadir? Se for para não entrar, falta democracia; se não é para sair, então virou depósito de pessoas ou prisão temporária; se é para não invadir, então o governo deve ser processado por não dar segurança a seus cidadãos, especialmente aos de menor. O espaço democrático das escolas, a liberdade sem medo com responsabilidade deve ser repensado com muito bom senso.
Tempo é dinheiro e dinheiro é tempo
Os dois trabalham em perfeito consórcio. Um precisa do outro: dinheiro é trabalho que se acumula ao longo do tempo e tempo é dinheiro porque quanto mais se o tem, mais tempo esse tempo pode render dinheiro. Sempre é preciso trabalhar o tempo com muita perspicácia e nele fazer o dinheiro render o bom dinheiro que com justiça o tempo pode dar. Quanto mais bem o dinheiro for aplicado em quantidade sempre bem maior no seu tempo igualmente bem propício, tanto maior a seara será. É assim que se deve trabalhar e fazer o trabalho render dinheiro mais do que o necessário que, por sua vez, também renderá multiplicando o tempo que nos vai render sempre mais.
Por que não sou feliz?
Porque sempre ponho a felicidade onde não estou e nunca a coloco onde eu estou. Só é feliz quem põe a felicidade onde ele está e ama o que tem e não o que ele não tem.