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Escritor e advogado
A vida é uma batalha constante
A vida é uma batalha e os inimigos são os problemas e adversidades – mesmo amados amigos são. Nós vivemos o drama de Jó em nossas vidas. Somos constantemente tutelados pela vida e pela natureza. Não desistimos, apesar de algumas pessoas desistirem de nós. Elas voltam atrás, e nós nos transformamos. Nossas cicatrizes estão anestesiadas. Morte para nós é perder a guerra, é se render. Já fui julgado por mais de uma vez como o “caso perdido”. Se me encontro na verdadeira natureza, ninguém pode me julgar de perdido. Eu desvio das balas, ignoro muitas críticas. O importante é que eu não me renda a opiniões pueris de pessoas superficiais. O veneno não pega em algumas pessoas, eu sou uma delas. Quanto pior, melhor. Eu já não tenho coração, tenho um robô que pulsa. Sou um golpe em legítima defesa.
Orgulho e pretensão
Estranho que pessoas se achem com toda a majestade quando apenas têm ilusões (acham que maquiar o rosto feito princesa ou vestir-se de príncipe os torna nobres...). Somos normais e vamos ao banheiro, erramos muitas vezes. A vida não é um cálculo matemático – ainda bem. Assim é imprevisível a quem não é vidente ou profeta, e não é superficial também, uma mera aparência. Maquiagem sai ao lavar e a roupa adornada não eleva a evolução existencial. Entendo, você se acha feio ou feia, porque alguém ensina alguma forma de beleza, ou porque tua expectativa foi maior que o resultado. Não importa. O que vale é que uma pessoa pode te achar com beleza ou outra não, é um gosto, um juízo de valor (como disse Kant, uma Crítica do Juízo). Pensem as pessoas o que pensarem, não importa. Pense que essas pessoas que te acham feia não existem. Nós somos seres maravilhosos de qualquer forma.
Ilusões e sonhos
Ouço as pessoas falarem que sonham em ser isso, em ser aquilo – tudo ilusão – falta aproveitarem seus talentos e quem realmente são, seu gênio, ou daimon. Às vezes é melhor ser bobo da corte que rei – é menos estressante, mais divertido. Não se pode comprar a felicidade (diferente que ensina nossa sociedade pós-moderna), pois ela está em nosso interior, no íntimo de nosso ser. A educação capitalista ensina que devemos apenas “ter” para sermos felizes, quando a prática mostra que aqueles que têm muito, nem sempre são tão felizes. Também não é aquela lição de Alain de Botton, pois repetir pensamentos não é tão eficiente, assim como um imitador de Elvis não é o Elvis. Já cansamos de historiadores de filosofia, o que é diferente da filosofia em si. Ficamos tristes com o pensamento de nosso tempo, por não haver um grande gênio. Quando muito se faz história da filosofia, se sorri de forma política, para cumprir com exigências acadêmicas. Quando a filosofia se tornou algo meramente acadêmico que perdeu muito de sua finalidade. Tornou-se uma fama, e assim uma melancia na cabeça. A sabedoria ficou em segundo plano. Virou frase de redes sociais, e assim um enfeite usado por ignorantes. Outra ilusão é a do amor, que se torna um sacrifício fanático e desmedido. Confunde-se aquele amor espiritual, que é outra coisa. Nós amamos e somos amados para aprendermos a amar a nós mesmos, com quem ficamos a eternidade, enquanto as pessoas cultivam seus desejos e divórcios, suas festas de casamento e toda a sorte de coisas passageiras. Amamos a própria existência de nosso ser. Não se precisa ser médico, engenheiro ou qualquer profissão tradicional para ser feliz – se pode ser dançarina, doméstica, padeiro, escritor, colecionador, diretor de cinema, poeta etc – não importa. O que vale é a tua felicidade, a tua autoestima e a verdadeira natureza e identidade, real, sem sonhos ilusórios. Não há culpa quando não somos o que não somos. Seja o que você é, um espírito livre, não o que os outros querem.