O excesso de ondas eletromagnéticas emitidas por equipamentos elétricos e eletrônicos produz um tipo de poluição imperceptível: ninguém pode vê-la, mas ela está espalhada por toda a parte - em casa, no trabalho, nas ruas, nos parques e até nos hospitais. Ininterruptamente, estamos expostos a radiações emitidas por redes de transmissão de energia, torres de alta tensão, antenas de televisão, de rádio e de telefonia celular, computadores, televisores, microondas – e pelas instalações elétricas que fazem todos estes equipamentos funcionar. E como será que nosso corpo reage a tudo isso?
Nenhum estudo conseguiu comprovar os males que essas radiações podem provocar no ser humano. Mas sabe-se que elas podem interferir ou até danificar aparelhos eletrônicos: é o caso, por exemplo, da interferência que o liquidificador causa na imagem da televisão, ou ainda da interferência de uma chamada de celular no som do rádio. Sabe-se, também, que nossos cérebros e corações são internamente regulados por pequenos sinais elétricos. Ora, não seria de se esperar que a constante exposição às radiações de campos eletromagnéticos possam também causar uma “interferência” no funcionamento do corpo humano? Em qual intensidade essas radiações terão efeitos biológicos tem sido tema de debate científico por décadas.
Segundo estudo publicado pelo British Medical Journal, crianças que moram em um raio de duzentos metros de distância das linhas de alta tensão têm risco 70% maior de desenvolver leucemia do que as que moram a mais de seiscentos metros. Outros estudos sugerem que há uma relação entre os campos eletromagnéticos de alta frequência e o câncer. A sensibilidade aos efeitos das radiações dos campos eletromagnéticos chama-se eletro sensibilidade, e seus sintomas variam de uma pessoa para outra. Os sintomas mais citados nos estudos são: problemas com o sono, problemas de pele, falta de concentração e memória, tonturas e fadiga, dificuldade de respirar, problemas cardíacos, depressão, problemas digestivos, auditivos ou oculares e dores de cabeça. Crianças são especialmente sensíveis, pois tem seu sistema nervoso ainda em formação.
Mas como prevenir ou reduzir riscos eventuais sem abrir mão da tecnologia? Pequenas medidas podem ajudar a diminuir a exposição aos campos eletromagnéticos: evite ter aparelhos ligados nas tomadas quando não estão em uso e afaste-os em pelo menos 1,50m da cabeceira da cama. Dê preferência ao uso do telefone celular no sistema de “viva-voz” (se for necessário usá-lo colado ao ouvido, reduza o tempo das chamadas). Prefira aparelhos “com fio”, já que os “sem fio” usam microondas para se comunicarem entre si. Por falar em microondas, limite o uso de seu forno e, quando necessário usá-lo, afaste-se dele. Desligue seu modem wi-fi quando não estiver usando-o, não use o laptop no colo e evite muitas horas em frente ao computador. Se possível, substitua as lâmpadas fluorescentes dos quartos por lâmpadas de LED, que emitem menor radiação. Ainda, verifique a instalação elétrica de sua casa para se certificar que a ligação terra foi feita da maneira adequada e não há “quebras” na fiação.