23 de junho de 2026Caso Master: Wagner resiste a deixar liderança do governo
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado Apesar da pressão de aliados do governo para que deixe o cargo, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tem dito a interlocutores que só pretende deixar a função se houver um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois devem se reunir na quarta-feira, após o retorno do senador a Brasília. Nos bastidores, a expectativa é de que Lula defenda a saída de Wagner. A permanência do senador na liderança passou a ser vista como um problema dentro do Planalto após a operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master. A avaliação é que o afastamento ajudaria a blindar o presidente e a interromper o desgaste político provocado pelo avanço das investigações. (Folha) Mas Wagner parece disposto a brigar. A defesa do senador recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a decisão que autorizou a operação de busca e apreensão realizada contra o parlamentar na semana passada, no âmbito da investigação sobre o Banco Master. Em nota, os advogados afirmam que o recurso aponta “erros graves” e negam que o líder do governo Lula no Senado tenha atuado no Congresso para beneficiar o Master. A PF sustenta que Wagner foi o principal beneficiário de vantagens econômicas concedidas por integrantes do banco. (Globo) E a defesa pública de Wagner feita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incomodou o Planalto. Alcolumbre defendeu a presunção de inocência e criticou a tendência de condenar investigados antes da conclusão das apurações. Nos bastidores, a manifestação do senador adicionou um novo componente à crise política por conta das relações já estremecidas entre o Planalto e a Presidência do Senado. (CNN Brasil) Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o pedido de investigação sobre recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse seja analisado pelo ministro André Mendonça, relator das investigações do caso Banco Master no STF, e não por Alexandre de Moraes, cuja esposa tinha um contrato com o Master. Após a manifestação da PGR, Moraes encaminhou a questão ao presidente da Corte, Edson Fachin, que decidirá se o caso permanecerá com Moraes, será transferido a Mendonça ou distribuído por sorteio. (g1) Em mais um sinal da cisão que o caso Master causou no STF, o ministro Gilmar Mendes disse na noite desta segunda-feira que a participação de André Mendonça no acordo de delação de Daniel Vorcaro era um “erro crasso”. Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, o decano do Supremo disse que a negociação é atribuição da PGR ou da PF. “A lei não permite que o relator ou o juiz participe da delação”, avaliou. (UOL) Pedro Doria: “Hoje eu vou te explicar por que o escândalo do Banco Master não é de esquerda nem de direita — é do Brasil inteiro. Daniel Vorcaro comprou gente dos dois lados, no Supremo, no Banco Central. E como a gente chegou até aqui: a Lava Jato prometeu acabar com a corrupção e acabou foi com a nossa capacidade de combatê-la”. A análise completa no Ponto de Partida. (Meio) O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chega às vésperas das eleições de 2026 com seu programa de combate à desinformação esvaziado e uma mudança de estratégia sob a gestão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques. O modelo de interlocução construído nas eleições de 2020, 2022 e 2024, baseado em parcerias com plataformas digitais e entidades da sociedade civil, perdeu força e ainda não há definição sobre a renovação desses acordos. Desde que assumiu a presidência do TSE, em maio, Kassio tem defendido uma abordagem menos punitiva no enfrentamento à desinformação. (Folha) E a PGR defendeu nesta segunda-feira que o TSE rejeite a ação do PL contra a pesquisa AtlasIntel que mostrava o impacto das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro sobre a campanha do pré-candidato. A pesquisa, divulgada em maio, foi suspensa por decisão liminar de Nunes Marques, e o caso ainda está em análise na corte. (Exame) O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está em Washington para uma agenda de encontros com integrantes do governo Donald Trump e parlamentares republicanos. Acompanhado do blogueiro Paulo Figueiredo, Eduardo pretende usar a viagem para reforçar a narrativa de perseguição judicial contra o bolsonarismo e ampliar o apoio internacional a medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, incluindo a retomada de discussões sobre a aplicação da Lei Magnitsky. A programação inclui um jantar com cerca de 20 senadores republicanos. (Metrópoles) Thomas Traumann: “O fracasso da tentativa de reaproximação de Lula com Donald Trump no G7 é um sinal de que a ‘química’ entre os dois acabou e que agora vai ser guerra. Os EUA estão empenhados em ajudar Flávio Bolsonaro, mesmo com os vários alertas de que uma postura agressiva de Washington pode causar um efeito rebote a favor de Lula”. (Globo) A Polícia Federal está fazendo na manhã desta terça-feira uma operação contra fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Chamada de Operação Miragem, a ação cumpre mandados de busca e apreensão em São Paulo, além de bloquear mais de R$ 670 milhões de bens e valores da instituição. Segundo a PF, durante as investigações foram analisados relatórios produzidos pelo Banco Central apontando graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira. (g1) |