
Foto: Lyon Santos/MDS
O Bolsa Família voltou para o centro da campanha presidencial. Do lado do presidente Lula, o governo antecipou o pagamento do benefício de outubro em todo o país, garantindo que todos os beneficiários recebam os recursos até amanhã, quatro dias antes da votação. Os depósitos começaram nesta segunda-feira, já com o reajuste de 15,04% anunciado em 17 de setembro, antes do primeiro turno. Pelo calendário original, os pagamentos seriam escalonados e terminariam apenas no dia 30. O Ministério do Desenvolvimento Social afirmou que a medida tem caráter exclusivamente técnico e preventivo, sem relação com a disputa eleitoral. Segundo a pasta, a decisão busca proteger famílias vulneráveis diante dos riscos de secas e chuvas intensas associados ao fenômeno El Niño. (Folha)
Aliás, os três documentos que sustentam o decreto que elevou os benefícios em 15,04% — o parecer técnico do Ministério do Planejamento e Orçamento, o parecer da Consultoria Jurídica da pasta e a exposição de motivos enviada ao presidente — foram assinados na véspera da publicação do decreto e a proposta tramitou sob sigilo e em papel. O governo usou um procedimento excepcional, previsto em decreto de 2024, que dispensa o sistema eletrônico mediante autorização da Casa Civil. (Globo)
Já no lado de Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, afirmou que um eventual governo do senador adotará uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio. Durante esse período, eles continuariam recebendo o auxílio, com possibilidade de retorno automático ao programa caso percam a fonte de renda. Daniella disse que a proposta busca estimular a independência financeira das famílias sem eliminar a proteção social. Atualmente, o Bolsa Família já tem uma regra que permite a permanência temporária de beneficiários cuja renda aumente, de acordo com critérios específicos. (g1)
As declarações de Daniella Marques sobre possíveis mudanças no Bolsa Família não caíram bem na campanha de Flávio Bolsonaro. Aliados do senador criticaram, nos bastidores, a decisão da coordenadora econômica de abordar o assunto a menos de uma semana do segundo turno. O PT, aliás, pretende usar as falas de Daniella para atacar Flávio Bolsonaro na reta final da eleição. Aliados de Lula pretendem explorar o assunto nas redes sociais e nos discursos do presidente. Influenciadores ligados ao petista já começaram a divulgar conteúdos sobre a declaração. (Metrópoles)
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro excluiu de sua conta no X publicações em que criticava o Bolsa Família e chamava o benefício social de “bolsa-farelo”. Ele também utilizou o termo para criticar o programa Renda Melhor, criado pelo governo do Rio em 2011. A iniciativa pagava um benefício adicional de até R$ 300 para as famílias que já recebiam Bolsa Família. (Estadão)
Pedro Doria. “Há uma diferença entre a pesquisa e a urna. A pesquisa ouve quem diz que vai votar. O segundo turno é decidido por quem vai de fato às urnas. E, em 2022, a abstenção quase não mudou de um turno para o outro: 20,9 por cento no primeiro, 20,6 no segundo. Se repetir, a maior parte de quem ficou em casa no dia 4 ficará em casa no dia 25. Por isso, essa eleição ainda está pra Flávio”. A análise no Ponto de Partida. (Meio)