
Fotos: Gustavo Moreno / STF e Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP
Depois de uma semana marcada pelo vazamento de informações sobre o inquérito que investiga o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, agora é a vez de a relação dos Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro voltar à berlinda. Por decisão do ministro do STF Flávio Dino, a Polícia Federal terá acesso a dados e documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo no Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e financiado por Vorcaro. O material será usado no inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a suspeita de que recursos de emendas parlamentares possam ter financiado a produção. A PF poderá analisar dados de computadores e celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros apreendidos pela polícia paulista. A autorização inclui tanto os dados brutos quanto relatórios já elaborados a partir do material. (g1)
Na prática, Dino abriu uma segunda frente de investigação sobre o financiamento de Dark Horse. A nova linha de apuração busca identificar se recursos públicos destinados por parlamentares ligados ao bolsonarismo chegaram à produtora responsável pelo projeto. A investigação se soma ao inquérito relatado pelo ministro André Mendonça, que apura o financiamento do filme e os R$ 61 milhões aportados pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Caso sejam encontrados elementos relacionados a essa apuração, Dino poderá encaminhá-los ao gabinete de Mendonça. (UOL)
Mas a nova frente de investigação tem potencial de ampliar os pontos de atrito dentro do Supremo, especialmente entre os ministros Flávio Dino e André Mendonça. As duas apurações agora podem se cruzar, colocando sob relatorias diferentes investigações relacionadas ao mesmo tema. O episódio ocorre em meio a uma sequência de divergências entre integrantes da Corte. (Estadão)
E Flávio Bolsonaro desistiu de fazer a prestação de contas pública dos gastos com o filme. A divulgação dos dados havia sido prometida após vir a público, em maio, um áudio no qual ele pedia recursos a Vorcaro para a produção. Segundo interlocutores, a campanha reconhece nos bastidores que Flávio se precipitou ao anunciar a prestação de contas sem ter acesso a todas as informações financeiras do projeto. (CNN Brasil)
Mas Lulinha e sua amiga, a lobista Roberta Luchsinger, não saíram dos holofotes. Em relatório, a Polícia Federal disse ter identificado, na suposta atuação conjunta de Lulinha, Luchsinger e Camilo Antunes, o Careca do INSS, três tentativas de fechar contratos no Ministério da Saúde. As negociações envolveriam a venda de R$ 627 milhões em medicamentos à base de cannabis, a entrega de testes de diagnóstico para dengue e outras arboviroses. Nenhuma das negociações chegou a ser concluída. Também foram identificadas movimentações expressivas de dinheiro em espécie feitas por Roberta, em parte destinadas a uma agência de viagens que havia emitido passagens em nome do filho do presidente. (Folha)
E gravações obtidas pela PF mostram Roberta Luchsinger ameaçando deixar de pagar passagens aéreas para Lulinha por já gastar R$ 100 mil mensais com um imóvel. Conforme relato feito por Roberta ao empresário Cléber Ribas, ela disse a Lulinha: “Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil, então assim, não vai mais dar pra ter essas passagens”. Ao reproduzir o diálogo, ela afirmou que Lulinha respondeu que pediria os pagamentos diretamente aos empresários. (Estadão)
Bela Megale: “Um Lula tranquilo e confiante deu lugar a um presidente apreensivo e preocupado com sua campanha à reeleição. Em reservado, ele admite que é difícil dissociar sua imagem das crises envolvendo seu filho e que isso pode ter um impacto eleitoral decisivo”. (Globo)