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CNI reforça necessidade da regulamentação do Marco Legal dos Bioinsumos

Friday, 21 de August de 2026

CNI reforça necessidade da regulamentação do Marco Legal dos Bioinsumos

Em carta enviada ao governo, instituição defende celeridade na publicação de decreto da Lei nº 15.070/2024, que produz efeitos práticos sobre produção, comercialização e uso de produtos biológicos

Iano Andrade / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou nesta quarta-feira (20) uma carta para a Casa Civil da Presidência da República alertando sobre a necessidade e a celeridade da publicação do decreto que regulamenta o Marco Legal dos Bioinsumos. Assinado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, o documento explica que a definição de critérios claros, proporcionais e adequados às diferentes categorias de bioinsumos “contribuirá para reduzir incertezas, estimular investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação e ampliar a oferta de produtos biológicos no mercado”.

 

Desde 2024, a produção, a comercialização e o uso de bioinsumos no Brasil contam com marco legal próprio. Estabelecido pela Lei nº 15.070/2024, instituiu regras específicas para o setor e diferenciou sua disciplina daquela aplicável aos agrotóxicos. No entanto, para que a implementação da lei avance, ainda é preciso a publicação de decreto que apresente a regulamentação de pontos importantes do texto.

 

Além de segurança jurídica, para a indústria, a regulamentação será determinante para assegurar condições adequadas à coexistência entre a produção industrial e a produção para uso próprio, bem como para promover a escalabilidade das soluções desenvolvidas no país.

 

“A maior previsibilidade regulatória poderá favorecer novos investimentos, o desenvolvimento de tecnologias e o registro de produtos inovadores, contribuindo para o fortalecimento da indústria brasileira, para a competitividade do setor agropecuário e para uma produção mais eficiente e sustentável”, destaca o texto.

 

O presidente da CNI também explica que, ao longo do processo de regulamentação, o setor regulado e os representantes do grupo de trabalho apresentaram contribuições e subsídios técnicos voltados à implementação da norma, incluindo aspectos como segurança, viabilidade operacional, proporcionalidade das exigências, capacidade de fiscalização, rastreabilidade e proteção dos usuários e consumidores.

 

Ainda de acordo com a carta, a publicação do Decreto “permitirá a conclusão de um processo que se estende por aproximadamente 20 meses desde a publicação da Lei nº 15.070/2024 e representará importante avanço para a consolidação do marco regulatório dos bioinsumos no País”.

 

Por que o marco legal dos bioinsumos é importante para a indústria?

 

Os produtos biológicos, como bactérias, leveduras e fungos são usados para controlar pragas, fertilizar o solo e tratar doenças das plantas.  Relevante para a agropecuária, os bioinsumos também são importantes para o setor industrial que possui potencial para investir em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, fornecer recursos inovadores e garantir escalabilidade aos processos, especialmente no que diz respeito à diversificação da carteira de produtos de base biológica.

 

Os bioinsumos, usados em sinergia com outros defensivos, possibilitam uma produção agrícola que contribui para a conservação do meio ambiente e para a saúde do solo. Isso porque esses produtos atuam no crescimento e no desenvolvimento das plantas, melhoram a fertilidade do solo ou inibem pragas, representando uma alternativa sustentável.

 

De acordo com dados da CropLife Brasil, associação que reúne empresas atuantes na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias em quatro áreas essenciais para a produção agrícola sustentável: germoplasma (mudas e sementes), biotecnologia, defensivos químicos e produtos biológicos, os insumos biológicos movimentaram R$ 1,3 bilhão em valor de mercado no 1º quadrimestre de 2026. Na mesma trajetória, a área tratada somou 31 milhões de hectares no país, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025 (27 milhões).

 

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o desafio do setor de bioinsumos é transformar o marco legal em um sistema regulatório funcional que auxilie na escalabilidade e impulsione a competitividade internacional do Brasil.

 

“É por isso que a CNI também se coloca à disposição para continuar contribuindo tecnicamente com os atores envolvidos, apoiando a construção de um marco regulatório que assegure segurança jurídica, incentive a inovação e possibilite o pleno aproveitamento do potencial dos bioinsumos para o desenvolvimento da indústria, da agropecuária e da bioeconomia brasileira”, destaca Muniz.



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