Sul registra um dos maiores impactos financeiros sobre a saúde mental no Brasil, aponta pesquisa inédita
Levantamento da ABEFIN revela que dificuldades financeiras estão entre os principais fatores associados ao adoecimento emocional dos brasileiros
A região Sul apresenta um dos maiores percentuais de brasileiros que associam diretamente as dificuldades financeiras ao desenvolvimento de transtornos mentais. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, que investigou a relação entre saúde financeira e saúde mental em diferentes regiões do país.
O estudo ouviu 1.000 brasileiros previamente diagnosticados por profissionais de saúde com ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout. As entrevistas foram realizadas presencialmente por psicólogos especializados em pesquisas qualitativas e no atendimento de pessoas com transtornos mentais, permitindo uma análise aprofundada sobre os fatores que contribuíram para o adoecimento emocional dos participantes.
A região Sul representou 14,6% da amostra nacional e apresentou um dos mais elevados índices de associação entre problemas financeiros e transtornos psicológicos.
Entre os principais resultados observados na região:
O percentual de 37,0% coloca a região Sul entre as áreas do país onde o impacto das questões financeiras sobre a saúde mental se mostra mais intenso, ficando atrás apenas do Centro-Oeste (37,5%).
Os dados reforçam uma realidade cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros: as preocupações com dinheiro deixaram de ser apenas um problema econômico e passaram a influenciar diretamente o bem-estar emocional, os relacionamentos e a qualidade de vida.
No levantamento nacional, as dificuldades financeiras aparecem como o principal fator associado ao desenvolvimento dos transtornos mentais, superando questões relacionadas ao trabalho, aos relacionamentos, às doenças e ao luto.
Quando questionados sobre o grau de influência das finanças em seu adoecimento emocional:
Na prática, quase 60% dos entrevistados atribuem, de forma exclusiva ou predominante, seu adoecimento psicológico às dificuldades financeiras.
O estudo também identificou um cenário de vulnerabilidade econômica que ajuda a compreender essa relação. Entre os participantes da pesquisa:
Segundo Reinaldo Domingos, PhD em Educação do Comportamento Financeiro, presidente da ABEFIN e fundador da DSOP Educação Financeira, os resultados mostram que a saúde financeira precisa ser tratada como um dos pilares do bem-estar da população.
"Os dados da região Sul mostram de forma muito clara que as dificuldades financeiras exercem um papel relevante no desenvolvimento do sofrimento emocional. Muitas vezes, as pessoas associam a saúde mental apenas a questões clínicas ou comportamentais, mas a pesquisa demonstra que a insegurança financeira, o endividamento e a falta de perspectivas econômicas também têm um peso significativo no adoecimento psicológico. Falar sobre saúde mental passa, necessariamente, por discutir saúde financeira", afirma.
Os impactos das dificuldades financeiras também se refletem em diversas áreas da vida dos entrevistados:
Para André Marcio Borges, presidente da ABEFIN-SC, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o acesso à educação financeira e às ações preventivas relacionadas à saúde emocional.
"Os dados da região Sul mostram uma realidade que merece atenção. Onde há endividamento e insegurança em relação à renda, é muito comum encontrarmos também sofrimento emocional. Precisamos deixar de tratar saúde mental e saúde financeira como assuntos separados. Levar educação financeira de forma acessível e contínua para as pessoas é uma das medidas preventivas mais importantes que temos hoje e ainda é um recurso pouco utilizado, já que quase metade dos entrevistados nunca procurou orientação de um educador financeiro. Investir em educação financeira também é investir em mais tranquilidade, planejamento e qualidade de vida para as famílias da nossa região", afirma Borges.
Outro dado que chama atenção é a percepção dos entrevistados sobre o futuro. Enquanto 35,9% acreditam que sua saúde mental pode melhorar nos próximos anos, apenas 20% estão otimistas em relação à própria situação financeira. Já 67,2% demonstram pessimismo ou muito pessimismo quando pensam no futuro das suas finanças.
Apesar da forte relação identificada entre dinheiro e saúde mental, quase metade dos participantes da pesquisa (48,5%) nunca procurou orientação de um educador financeiro. Apenas 13,1% afirmaram ter recebido efetivamente algum tipo de apoio especializado.
Para os especialistas envolvidos no estudo, os resultados apontam que programas de educação financeira podem contribuir não apenas para melhorar a organização econômica das famílias, mas também para reduzir fatores associados ao estresse, à ansiedade e ao adoecimento emocional.
A pesquisa foi realizada pela ABEFIN em parceria com o Instituto Axxus e representa um dos mais abrangentes levantamentos nacionais sobre a relação entre saúde financeira e saúde mental já realizados no Brasil. Para acessar a pesquisa na íntegra, com todos os dados e informações, acesse:
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