
Fotos: Marina Uezima/Brazil Photo Press via AFP e Rosinei Coutinho/STF
Em um dia para lá de cheio em Brasília, o senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, subiu o tom contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Flávio afirmou que Moraes atua como um “articulador do Lula” ao promover encontros políticos em sua residência. A declaração faz referência ao jantar realizado na semana passada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na casa do magistrado. Durante coletiva de imprensa em um dos comitês de campanha, Flávio voltou a defender que o impeachment de ministros do STF se torne uma pauta eleitoral e perguntou a candidatos do PL ao Senado presentes no evento se apoiavam a destituição de Moraes. Em resposta, ouviu gritos de “Fora, Moraes”. Apesar das críticas, Flávio defendeu que a decisão cabe ao Senado, e não ao presidente da República. O candidato do PL também disse que os candidatos ao Senado serão cobrados pelos eleitores sobre o tema durante a campanha. (Estadão)
Mais cedo, Moraes tomou uma decisão polêmica ao autorizar a realização de busca e apreensão contra o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado pela Polícia Federal como a fonte de um jornalista em reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e familiares no estado nordestino. A medida foi solicitada pela Polícia Federal, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi confirmada pelo STF. Segundo a defesa de Cutrim, a decisão tem como base informações obtidas após a quebra do sigilo telemático do jornalista, que teria identificado o ex-secretário como responsável por repassar informações consideradas privilegiadas. (CNN Brasil)
Cutrim já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão e de prisão domiciliar expedidos pelo próprio Dino em um outro inquérito, que investiga um homicídio no Maranhão. Foram apreendidas 26 armas em endereços dele e o caso acabou no centro da disputa do governo do Maranhão. Agora, com base em dados obtidos na operação de março contra Luís Pablo, a PF concluiu que Cutrim era informante do blogueiro e apontou trocas de mensagens sobre a transferência de R$ 100 mil depositada na conta de um terceiro, Danilo Cutrim, mas que seria em benefício de Raimundo. O pedido da PF afirma que o blog “parece mais se assemelhar a um veículo de mídia destinado à publicação de matérias compradas, com direcionamento político”. (Folha)
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) divulgaram uma nota conjunta na qual manifestam “profunda preocupação” com a decisão de Moraes. (g1)
Além de partir para o ataque contra Moraes, Flávio Bolsonaro também tirou a terça-feira para comemorar a reaproximação com sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Michelle afirmou que superou as divergências com o senador e declarou apoio à campanha do enteado à Presidência. Os dois gravaram, pela primeira vez desde a reconciliação pública, peças para a propaganda eleitoral. “Colocamos uma pedra. Conversamos, nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação”, afirmou. (Metrópoles)
E o candidato do PL defendeu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que campanhas possam utilizar ferramentas de inteligência artificial mesmo sem autorização da pessoa retratada. A defesa de Flávio sustenta que exigir consentimento prévio inviabilizaria o uso da inteligência artificial no debate eleitoral. O caso será analisado pelo TSE nos próximos dias. (Folha)