Jornal Evolução Notícias de Santa Catarina
Facebook Jornal Evolução       (47) 99660-9995       Whatsapp Jornal Evolução (47) 99660-9995       E-mail

São Bento do Sul reforça compromisso no enfrentamento à violência contra a mulher durante mobilizaçã

Saturday, 08 de August de 2026


São Bento do Sul reforça compromisso no enfrentamento à violência contra a mulher durante mobilização pelos 20 anos da Lei Maria da Penha

Caixa de entrada
 
 

 

 

   
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Bento do Sul se uniu, na manhã desta sexta-feira (7), em um grande ato de conscientização e mobilização pelos 20 anos da Lei Maria da Penha. Promovida pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM), em parceria com a Prefeitura de São Bento do Sul e diversas instituições, a programação reuniu representantes da rede de proteção, autoridades, lideranças comunitárias e a população na caminhada "Nós por Elas", seguida de um painel de debates na Câmara de Vereadores.
 
A caminhada percorreu a região central da cidade levando uma mensagem clara: o enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade. Mulheres e homens participaram da mobilização, reforçando que a construção de uma cultura de respeito, igualdade e proteção depende do envolvimento de todos.
 
Na sequência, o painel "20 anos da Lei Maria da Penha: avanços, desafios e caminhos para romper o ciclo da violência" reuniu especialistas que atuam diretamente na defesa dos direitos das mulheres.
 
A promotora de Justiça Dra. Gabriela Arenhart destacou que a Lei Maria da Penha é um instrumento em constante evolução para acompanhar as transformações da sociedade.
 
"A Lei Maria da Penha é uma lei viva, que continua sendo aperfeiçoada. Somente neste ano já passou por sete alterações."
 
Ela lembrou que, em 2021, a violência psicológica e o crime de perseguição (stalking) passaram a ter tipificação penal específica, e que, em 2026, a legislação passou a reconhecer a violência vicária como uma forma de violência doméstica, além de criar o crime de vicaricídio.
 
Durante sua apresentação, a promotora também trouxe dados do Mapa do Feminicídio 2026, elaborado pelo Ministério Público de Santa Catarina, que evidenciam o perfil dos crimes registrados no Estado. Segundo o levantamento, 71% das mulheres foram mortas por parceiros ou ex-parceiros, 76,4% dos crimes aconteceram dentro da própria residência, a taxa catarinense é de 1,71 feminicídio para cada 100 mil mulheres, acima da média nacional, 68,9% das vítimas já haviam sofrido violência anteriormente e 73,2% não possuíam medida protetiva deferida.
 
Outro dado apresentado mostra que, entre 2020 e 2024, 66,7% dos agressores tiveram responsabilização formal, 75,3% receberam penas entre 15 e 30 anos e 57,4% foram presos em flagrante.
 
Ao abordar a importância da atuação preventiva da sociedade, Dra. Gabriela destacou uma reflexão que marcou o debate:
 
"O feminicídio não é um acontecimento inexplicável. Ele se insere em padrões que podem ser identificados, analisados e prevenidos."
 
E reforçou o papel de cada cidadão na proteção das mulheres:
 
"A lei chega depois. Quem chega antes é a vizinha, o professor, o agente de saúde, a amiga, a família."
 
A advogada Cris Venturini abordou os sinais muitas vezes silenciosos da violência psicológica e emocional, alertando que relacionamentos abusivos costumam ser construídos de forma gradual.
 
"Numa relação doentia você vai convivendo e muitas vezes ninguém percebe. A violência psicológica e verbal vai sendo naturalizada, e a própria vítima acaba minimizando aquilo que está vivendo."
 
Em um relato pessoal, compartilhou sua própria experiência para demonstrar como esse tipo de violência pode passar despercebido.
 
"Eu vivi na minha pele uma violência psicológica e só fui entender que era vítima quando participei de uma palestra em que foi apresentado o ciclo da violência. Eu comecei a olhar para aquilo e percebi que estava dentro daquele ciclo. Pensei: como eu não percebi isso antes? Quem vive essa realidade, muitas vezes, não consegue enxergar."
 
A psicóloga do Centro da Mulher, Gabriela Bayerl, trouxe uma reflexão sobre os impactos profundos da violência na vida das mulheres e a importância da atuação integrada da rede de apoio.
 
Segundo ela, a violência provoca um estreitamento da vida da vítima, que muitas vezes abandona projetos, se afasta do trabalho, dos estudos, da família e dos amigos.
 
"A reconstrução envolve a vida financeira, a autoestima, a imagem que essa mulher tem de si mesma. É um processo difícil e que depende do trabalho de toda uma rede."
 
A psicóloga também chamou a atenção para a transmissão intergeracional da violência.
 
"Muitas vezes encontramos avó, mãe e filha da mesma família que viveram situações de violência. A família, que deveria ser o principal espaço de proteção, infelizmente também é onde muitas violências acontecem."
 
Ela explicou que é dentro do ambiente familiar que crianças aprendem como se relacionar com as outras pessoas.
 
"Meninos que crescem em ambientes onde existe respeito e equidade tendem a reproduzir esses valores na vida adulta. Da mesma forma, meninas que cresceram vendo a mãe sofrer violência podem acabar entendendo aquilo como algo normal. Homens e mulheres não nascem reproduzindo esses comportamentos. Eles aprendem. E ainda vivemos em uma sociedade marcada pelo machismo."
 
O evento reforçou que, duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha, os avanços conquistados são significativos, mas o combate à violência contra a mulher continua sendo um desafio permanente. Mais do que fortalecer a legislação, é fundamental ampliar a conscientização, incentivar a denúncia, acolher as vítimas e envolver toda a sociedade na prevenção.
 
Com a mobilização "Nós por Elas", São Bento do Sul reafirmou que nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha e que a construção de uma sociedade mais segura depende do compromisso coletivo de proteger, respeitar e promover a igualdade.


Comente






Conteúdo relacionado





Inicial  |  Parceiros  |  Notícias  |  Colunistas  |  Sobre nós  |  Contato  | 

Contato
Fone: (47) 99660-9995
Celular / Whatsapp: (47) 99660-9995
E-mail: paskibagmail.com



© Copyright 2026 - Jornal Evolução Notícias de Santa Catarina
by SAMUCA