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Impacto do segundo Tarifaço dos EUA afetará empregos em SC, diz FIESC

Wednesday, 15 de July de 2026


Impacto do segundo Tarifaço dos EUA afetará empregos em SC, diz FIESC
Estudo da Federação catarinense aponta que efeitos da segunda onda de alíquotas elevadas serão similares aos do primeiro movimento tarifário; Estado já deixou de gerar 7,6 mil novas vagas como reflexo das tarifas
Competitividade catarinense será prejudicada com nova elevação de tarifas. (Foto: Freepik)

Florianópolis, 14.07.2026 - A entrada em vigor do segundo tarifaço norte-americano, prevista para 15 de julho de 2026, mantém o setor produtivo de Santa Catarina sob alerta. Estudo da Federação das Indústrias de SC (FIESC) aponta que o novo regime aduaneiro imposto pelos Estados Unidos desenha um cenário desafiador para o estado, com estimativas de impacto relevante sobre as indústrias exportadoras.

"O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado", afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme.

Efeitos do tarifaço são distintos entre regiões de SC, mostra estudo da FIESC

Como ficam as tarifas?

A nova estrutura tarifária imposta pelo governo dos Estados Unidos altera as alíquotas para uma tarifa nominal máxima que passará de 50% (no primeiro tarifaço) para 37,5% no regime proposto para julho de 2026.

No entanto, o estudo da FIESC demonstra que a tarifa efetiva - que reflete o impacto competitivo que a indústria de fato suporta no mercado de destino e também a pauta de exportações de SC - passará de 47,8% no estado no primeiro Tarifaço, para 35,9%. 

“Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada”, avalia o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.

Exportações para os EUA

Os efeitos práticos das restrições tarifárias já haviam ficado evidentes durante a vigência do primeiro tarifaço (entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026). Nesse intervalo, as exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos recuaram 38,29%, encolhendo de uma média mensal de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões.

Após a Suprema Corte dos EUA invalidar as tarifas em fevereiro, houve uma gradual recuperação das vendas ao mercado norte-americano, impulsionada pela substituição temporária por uma tarifa global menor de 10%. Contudo, a iminente implantação do novo pacote de sobretaxas adicionais de 25% (sob a Seção 301) ameaça a retomada e deve consolidar a retração das exportações para os Estados Unidos em cerca de 40%.

Impacto na Competitividade

A análise da Federação destaca que 518 produtos catarinenses exportados aos EUA perderão competitividade do 1º para o 2º tarifaço, enquanto 608 terão ganho de competitividade ao comparar os dois períodos.

“O que nos preocupa é que, a despeito disto, há perda de oportunidades para as indústrias de SC, já que as tarifas efetivas dos concorrentes de outros países enfrentarão alíquotas mais baixas que as brasileiras”, salienta Bittencourt. 

O complexo de madeira ilustra bem este cenário: enquanto a madeira perfilada ganha fôlego com melhora de 6,2 pontos percentuais em relação aos competidores considerando o primeiro tarifaço, portas e molduras de madeira perderão ainda mais espaço, registrando retração de 2,2 p.p. em sua margem competitiva.

Desvantagem de SC é Maior

Para a FIESC, o impacto das novas alíquotas norte-americanas penaliza o estado de Santa Catarina com intensidade maior do que a média registrada pelo restante do país.

“Esta assimetria reflete a alta concentração de produtos manufaturados na pauta catarinense, que possuem alta exposição às novas sobretaxas. Enquanto a parcela das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas recua de cerca de 33% para 25%, em Santa Catarina ela se mantém praticamente estagnada em elevadíssimos 56%. Esta disparidade evidencia que a perda de competitividade estadual frente ao mercado global será muito mais profunda e exigirá resiliência extrema dos nossos setores industriais", salienta Bittencourt.



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