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Férias escolares: especialistas alertam para riscos do excesso de telas e orientam famílias sobre co

Monday, 13 de July de 2026

Férias escolares: especialistas alertam para riscos do excesso de telas
e orientam famílias sobre como criar uma rotina saudável
 
Com o início das férias escolares, uma preocupação se torna comum entre muitas famílias: como equilibrar o uso de celulares, tablets, computadores e televisão sem transformar o período de descanso em dias inteiros diante das telas? Especialistas da Rede Bonja alertam que o aumento do tempo de exposição aos dispositivos eletrônicos pode impactar diretamente o sono, a concentração, o comportamento e até o rendimento escolar das crianças na volta às aulas.
A orientação é que as férias sejam aproveitadas para fortalecer a convivência familiar, estimular brincadeiras, atividades ao ar livre e criar uma rotina flexível que preserve hábitos importantes do dia a dia. Para a diretora do Bonjinha, Regina Piske Fertig, a organização da rotina faz toda a diferença durante o período de recesso.
 
"As férias não significam ausência de rotina. A criança precisa continuar tendo referências ao longo do dia. Não é necessário estabelecer horários rígidos, mas é importante organizar momentos para brincar, descansar, ler, fazer refeições, passear e também utilizar as telas de forma equilibrada", afirma.
 
Segundo Regina, envolver os filhos na construção dessa rotina ajuda a diminuir conflitos.
"Quando a criança participa da criação dos combinados, mesmo que seja desenhando um quadro de atividades ou ajudando a definir alguns horários, ela entende que faz parte daquela decisão. Isso reduz a resistência e facilita o cumprimento da rotina."
Outro cuidado importante, segundo a educadora, é preservar o horário de dormir, especialmente entre as crianças menores.
 
Negociar é mais eficiente do que proibir
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas famílias acontece justamente na hora de desligar os aparelhos eletrônicos. De acordo com Regina, o segredo está na negociação antecipada.
"O ideal é combinar antes quanto tempo a criança poderá utilizar a tela e em qual momento do dia isso acontecerá. Assim, quando chegar a hora de desligar, ela já sabe que aquele momento estava previsto e não interpreta como um castigo."
Ela recomenda substituir parte desse tempo por atividades simples, mas capazes de estimular a criatividade e a interação. Brincadeiras tradicionais, leitura, jogos de tabuleiro, passeios em parques, pequenas explorações na rua, atividades musicais e momentos em família continuam sendo experiências extremamente importantes para o desenvolvimento infantil.
 
O comportamento dos adultos também educa
A diretora lembra que os pais exercem papel decisivo nesse processo. As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelas palavras. Se os adultos pedem menos tempo de tela, mas permanecem conectados ao celular durante toda a convivência familiar, a mensagem perde força.
Segundo Regina, demonstrar interesse pelas brincadeiras, sentar no chão para brincar, participar dos passeios e dedicar atenção exclusiva aos filhos fortalece o vínculo familiar e desperta maior interesse das crianças pelas atividades fora do ambiente digital.
 
Excesso de telas altera o funcionamento do cérebro
A psicóloga do Bonjinha, Ana Letícia, explica que os impactos do uso excessivo das telas vão além da distração. O uso prolongado e sem controle dos dispositivos eletrônicos pode alterar o funcionamento cerebral das crianças, principalmente porque o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento.
Ela explica que um dos primeiros prejuízos aparece no sono.
"A luz azul emitida pelas telas reduz a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono. O cérebro interpreta que ainda é dia, dificultando o descanso profundo, que é justamente a fase responsável pela recuperação do organismo e pela consolidação das aprendizagens."
Outro efeito importante ocorre no sistema de recompensa cerebral. Jogos e vídeos rápidos oferecem estímulos intensos e constantes, liberando dopamina em grande quantidade. A criança passa a buscar essa recompensa imediata e encontra mais dificuldade para manter a atenção em atividades que exigem concentração e paciência.
Segundo Ana Letícia, esse processo costuma aparecer com mais intensidade no retorno às aulas.
"Depois de vários dias recebendo estímulos rápidos das telas, a rotina escolar passa a parecer lenta para o cérebro infantil. Isso pode provocar irritabilidade, dificuldade de concentração, agitação, ansiedade e menor interesse pelas atividades pedagógicas."
Para as especialistas, o objetivo não é eliminar a tecnologia da rotina infantil, mas ensinar um uso consciente e equilibrado. 
"As férias podem ser um excelente momento para fortalecer vínculos, criar memórias afetivas e mostrar que diversão também acontece longe das telas", conclui Regina.


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