Um incêndio de grandes dimensões, iniciado a 28 de julho de 2025 na freguesia de Alvarenga, em Arouca, alastrou-se rapidamente para Castelo de Paiva, atingindo a freguesia de Real e deixando um rasto de destruição. Os emblemáticos Passadiços do Paiva, parte do Arouca Geopark classificado pela UNESCO, estão em risco, com secções já consumidas pelas chamas. A Ponte 516 Arouca e outras infraestruturas turísticas foram encerradas, agravando as perdas económicas numa região que depende fortemente do turismo.
Em Arouca, o incêndio, que mobilizou 178 operacionais, 55 viaturas e oito meios aéreos até à tarde de 28 de julho, ameaça o património natural e cultural da região. Em Castelo de Paiva, a localidade de Ancia, na freguesia de Real, foi particularmente afetada, com moradores a lutarem para salvar os seus bens. A aldeia de Fornos de Carvão foi evacuada durante a madrugada, e várias habitações ficaram sem água e eletricidade. Às 11h14 de 29 de julho, 590 operacionais e três meios aéreos combatem as chamas, num cenário agravado por ventos fortes, segundo a Proteção Civil.
O presidente da Câmara de Castelo de Paiva, José Rocha, ativou o Plano Municipal de Emergência, apelando à população para seguir as instruções das autoridades. “A situação é muito preocupante devido à proximidade das chamas e à rápida propagação”, afirmou Carlos Rocha, presidente da Junta de Freguesia de Real, ao Correio da Manhã.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mantém o país sob aviso amarelo devido a temperaturas acima de 35°C e baixa umidade, condições que, aliadas a ventos fortes durante a madrugada, aceleraram a propagação do fogo a uma velocidade de 30 a 40 km/h, segundo Jorge Silva, vice-presidente da ASPROCIVIL. Estas condições extremas dificultam o combate às chamas e aumentam o risco de novos focos de incêndio.
Os Passadiços do Paiva e a Ponte 516 Arouca, atrações que atraem milhares de visitantes anualmente, foram encerrados pelo Município de Arouca como medida preventiva. O impacto no turismo é severo, com cancelamentos de reservas em alojamentos locais, hotéis e restaurantes em ambos os concelhos. Incêndios anteriores, como o de setembro de 2024, que consumiu 6.000 hectares em Arouca e gerou prejuízos de 5,3 milhões de euros, incluindo 350 mil euros nos Passadiços, evidenciam a fragilidade da região.
Em Castelo de Paiva, o turismo rural, centrado no rio Paiva e no rio Douro, enfrenta perdas significativas, com relatos de cancelamentos em empreendimentos como o Cimo da Vinha e os Trilhos Verdes. A recorrência destes incêndios desafia a resiliência económica de uma região que depende do seu património natural.
Os incêndios não se limitam ao norte. Todo o território português enfrenta um risco elevado de incêndios rurais, com várias regiões a registarem focos ativos. A Direção-Geral da Saúde recomenda que a população evite a exposição ao fumo, mantenha portas e janelas fechadas e utilize máscaras N95 em caso de necessidade. As autoridades apelam à colaboração dos cidadãos, pedindo que evitem comportamentos de risco e sigam as atualizações no site da Proteção Civil (prociv.gov.pt).
A situação em Arouca e Castelo de Paiva reflete a vulnerabilidade de Portugal face aos incêndios florestais, agravados pelas alterações climáticas. A proteção do património natural, como os Passadiços do Paiva, e o apoio às comunidades afetadas exigem uma resposta coordenada e esforços contínuos para reforçar a prevenção e o combate a incêndios.
Fontes: Jornal Paivense, Correio da Manhã, Observador, RTP, Lusa
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