
Foto: Ronaldo Schemidt / AFP
O Partido Democrata americano teve uma vitória histórica nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conquistando o controle da Câmara e do Senado pela primeira vez em 20 anos. Os democratas não conseguiam controlar as duas casas desde 2006, nas eleições de meio de mandato durante o segundo governo de George W. Bush. Até o início desta manhã, a oposição havia chegado à marca de 54 senadores, três a mais que a maioria da casa, com disputas acirradas ainda no Mississippi e no Alasca. Na Câmara, os democratas elegeram, até o momento, 229 cadeiras, tirando republicanos de 27 delas, contra 139 do partido de Trump. Mas a “onda azul” não ficou só no Legislativo. No pleito desta terça-feira, os democratas chegam a 27 governadores, podendo ainda levar Kansas, Nevada e o tradicionalmente republicano Alasca. A conquista democrata é uma derrota de proporções também históricas para o presidente Donald Trump, que ao longo dos dois primeiros anos de seu segundo mandato, controlou tanto a Câmara quanto o Senado, o que lhe permitiu adotar uma série de políticas controversas no país. As eleições deste ano foram marcadas por um forte teor plebiscitário em relação às decisões tomadas por Trump, em especial àquelas ligadas à economia e à política externa. A noite desta terça-feira marca o início do fim da era Trump na política dos Estados Unidos. (CNN)
Entre todas as conquistas democratas, a mais emblemática aconteceu no Texas, bastião dos republicanos há décadas. O seminarista presbiteriano James Talarico, de apenas 37 anos, foi eleito senador, apesar do apoio de Trump e do vice-presidente JD Vance a Ken Paxton; além dos cerca de US$ 200 milhões investidos pelo bilionário Elon Musk em iniciativas para manter a cadeira sob controle republicano. Trump também participou da campanha com ataques pessoais a Talarico, mas não conseguiu impedir a derrota de seu aliado. Como se não bastasse, a democrata Gina Hinojosa conquistou o governo texano, desalojando o veterano Gregg Abbott, que tentava o quarto mandato. (New York Times)
Já a democrata Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, venceu a eleição para o governo da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora nos Estados Unidos. A vitória surpreendeu os republicanos, que eram considerados favoritos na disputa com o empresário bilionário Rick Jackson. Pioneirismo também de David Crowley, primeiro negro eleito governador de Wisconsin. E o Senado terá maior diversidade em 2027. New Hampshire elegeu Chris Pappas, abertamente gay, enquanto o muçulmano Abdul El-Sayed, representante da ala esquerda dos democratas, levou a cadeira de Michigan. (Guardian)
Trump aceita o fracasso, mas não a culpa por ele. Em entrevista, ele afirmou que quer trabalhar em conjunto com os democratas e atribuiu a derrota ao fato de seu nome não estar nas cédulas de votação. O presidente voltou a defender a guerra contra o Irã e o apoio a polêmicos candidatos ao Senado no Texas e na Carolina do Sul, ambos derrotados. (New York Times)
E em um movimento que pegou todos de surpresa, Trump anunciou que a ajuda militar anual de US$ 4 bilhões que os Estados Unidos dão a Israel não será renovada para o ano que vem. “Eles não precisam”, afirmou. O apoio incondicional a Israel vem perdendo apelo nos EUA desde a invasão da Faixa de Gaza, após os atentados terroristas do Hamas em outubro de 2023. (ABC News)
Flávia Tavares: “A derrota de Trump tem muito a ver com o que aconteceu por aqui duas semanas atrás, com a virada histórica do presidente Lula. Caso essa onda democrata se confirme nos EUA, e alguns nomes em particular se elejam, pode estar configurada uma dupla de eleições no Ocidente que redefinem a maneira como as democracias sobrevivem. Mais do que isso, revidam contra projetos autoritários de direita.” A análise no Cá entre Nós. (Meio)
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