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Proposta de teto para Selic causa ruído na equipe de Lula

Tuesday, 03 de November de 2026


Proposta de teto para Selic causa ruído na equipe de Lula

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Foto: Evaristo Sá / AFP

A formação do quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mal começou, e já há ruído dentro de sua equipe, com apreensão no mercado financeiro. Neste fim de semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, precisou vir a público negar que o tabelamento dos juros esteja no radar do governo. O rumor da medida cresceu ao ser noticiado que assessores do presidente tentavam agendar um encontro dele com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que defendeu em seu blog limitar a Selic, hoje em 13,75% ao ano, a um teto atrelado ao crescimento do PIB, com corte gradual da taxa até 7,5% em 12 meses. Desse modo, as políticas fiscal e monetária estariam unidas por um mesmo conselho que definiria metas de juros, não apenas metas de inflação, como hoje. “Não há nenhuma reunião agendada entre o presidente e Lara Resende. Há uma série de economistas que se colocaram à disposição para colaborar, em contato com Aloizio Mercadante [presidente do BNDES], mas não há encontro previsto”, disse Durigan. (Folha)

As negativas do ministro, porém, foram confrontadas por pessoas próximas de Lula. Em carta divulgada na segunda-feira, o economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente, defendeu a posição de Lara Resende em um documento de 11 páginas no qual celebra “o fim do pensamento único” no debate econômico. “Merece atenção especial a proposta de André Lara Resende de criação de um mecanismo mais amplo do que o CMN [Conselho Monetário Nacional] para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil”, escreveu. Na mesma linha, a ex-ministra Gleisi Hoffmann classificou o artigo de Lara Resende como “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista” do mercado financeiro. Já o presidente do PT, Edinho Silva, buscou jogar água na fervura, dizendo que somente Durigan fala em nome do governo sobre política econômica. (CNN Brasil)

Mesmos sob pressão do mercado, Lula tem dito a aliados que não pretende antecipar a escolha do ministro da Fazenda, conta o Painel. Já o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, um dos principais cotados para o cargo, entrou na discussão sobre o modelo econômico por meio de uma publicação nas redes na qual brada um “viva o equilíbrio fiscal”. (Folha)

Meio em vídeo. Após a virada histórica de Lula, começam os questionamentos: como será a política econômica de seu quarto mandato? O presidente será capaz de concretizar suas propostas com um Legislativo de maioria conservadora? Para nos ajudar a refletir sobre os horizontes e desafios do próximo governo, Christian Lynch recebe no Diálogos com a Inteligência a economista Laura Carvalho, PhD em economia, professora da Universidade de São Paulo e pesquisadora associada do FGV Ibre. (Meio)



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