
Foto: Evaristo Sa / AFP
A data seria para comemorar os 204 anos do Grito do Ipiranga, mas o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se viu pressionado por atos promovidos por candidatos de oposição e por números ruins nas pesquisas eleitorais. Em Brasília, Lula participou do tradicional desfile acompanhado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Mesmo com a preocupação de evitar infringir a lei eleitoral, Lula enfatizou em seu discurso dois temas centrais de sua campanha à reeleição: a soberania nacional e o combate ao feminicídio. O presidente também condenou os “falsos patriotas”, numa referência aos oposicionistas que incentivam sanções dos Estados Unidos ao Brasil. Se o discurso oficial ignorou o elefante na sala, a crise no STF, o mesmo não aconteceu nos bastidores. Antes da chegada de Lula, Fachin conversou por um longo tempo com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. (g1)
As tensões envolvendo os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça podem ter ficado de fora do palanque oficial, mas o mesmo não aconteceu nos comícios feitos pelos que tentam derrotar Lula em outubro. Em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu seu discurso gritando “fora Moraes” e “fora Lula”, prometendo, se eleito, trabalhar pelo impeachment do ministro. No palanque, o candidato contou dessa vez com nomes de peso do bolsonarismo, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O evento reuniu 28,5 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político da USP (Universidade de São Paulo) e do Cebrap parceria com a ONG More in Common. A mesma bandeira contra Moraes foi levantada por Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), que também fizeram campanha na capital paulista. Um pouco mais comedido, Augusto Cury (Avante) não atacou diretamente Moraes, mas cobrou investigações “doa a quem doer” e mandou “um abraço” para Mendonça. (UOL)
Desta vez não houve bandeira gigante dos Estados Unidos no ato bolsonarista em São Paulo, mas o alinhamento do bolsonarismo com Washington ficou explícito em um boneco inflável do presidente Donald Trump segurando Lula, que usava uniforme de presidiário. (Metrópoles)
Enquanto isso... Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra que Lula e Flávio Bolsonaro estão numericamente empatados no segundo turno, ambos com 41% das intenções de votos. No primeiro turno, o presidente ainda lidera, com 36%, seguido do senador do PL com 28%. Augusto Cury confirmou seu crescimento e aparece com 8%, à frente de Renan Santos e Ronaldo Caiado, ambos com 3%, e Romeu Zema, com 2%. Flávio Bolsonaro é o candidato mais rejeitado: 55% não votariam nele em qualquer hipótese, mas Lula está bem perto, com 53% de rejeição. Outra má notícia para o petista é que seu governo é reprovado por 50% e aprovado por 43%. (g1)
Números semelhantes foram apresentados na manhã de hoje pela pesquisa BTG/Nexus (íntegra), mas com ligeira vantagem para Flávio Bolsonaro, como nas duas sondagens anteriores. Em um eventual segundo turno, ele aparece um ponto percentual à frente de Lula, 46% a 45%, em empate técnico dentro da margem de erro. No primeiro turno, Lula tem 39%; Flávio, 35%; Cury, 9%; Caiado e Renan, 4%, cada; Zema, Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO), 1% cada. Os demais não pontuaram. (Meio)
Thomas Traumann: “Faltando menos de 50 dias para o segundo turno, a vantagem do presidente sobre Flávio Bolsonaro virou empate técnico, o programa eleitoral de TV não impulsiona o aumento da aprovação do governo e, para uma grande parcela da população, Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes se confundem. Ao menos no curto prazo, o escândalo envolvendo Moraes puxa Lula para baixo”. (Globo)
As implicações eleitorais da crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) estão fazendo com que o Executivo e parte da Corte esbocem um acordo que preserve o ministro Alexandre de Moraes ao menos até as eleições de outubro, informa Paulo Silva Pinto. Moraes foi citado em relatório tornado público pelo também ministro André Mendonça como tendo mantido contatos indevidos e recebido vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Moraes, em represália, denunciou Mendonça por abuso de poder e o incluiu no inquérito da fake news — a última medida foi anulada pelo presidente do STF, Edson Fachin. A análise das duas denúncias deve acontecer após o dia 22 de setembro, mas uma ala do Supremo ligada a Moraes prefere esperar o primeiro ou mesmo o segundo turno. (Poder360)
Em meio à crise, Fachin cancelou uma reunião que teria amanhã com dirigentes da OAB. Algumas representações estaduais da ordem chegaram a pedir o impeachment de Moraes, e o Conselho Federal da OAB disse que observa com “extrema preocupação” o cenário no tribunal. O presidente do STF não marcou uma nova data para o encontro. (CNN Brasil)
Dentro do STF, conta Bela Megale, o clima não poderia ser pior. Gilmar Mendes e Flávio Dino sequer cumprimentam Mendonça, e, dos ministros ligados a Moraes, apenas Cristiano Zanin ainda conversa com o colega. Embora tenha apoio de Nunes Marques e Luiz Fux, Mendonça está mais isolado que nunca. Dias Toffoli, que se declarou impedido de votar em ações que envolvam o Master, transita entre os dois grupos, enquanto a posição de Cármen Lúcia ainda é uma incógnita. (Globo)
Treze ministros aposentados e ex-presidentes do STF divulgaram nota em que pedem uma ação de Fachin para a “mais aguda crise” da Corte. Assinam o documento Celso de Mello, Rosa Weber, Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Sem citar Moraes ou Mendonça, o texto pede que Fachin faça uma sessão pública para que o plenário do STF determine “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”. (Folha)
Fabiano Lana: “A operação de blindagem a Moraes tem fartos desdobramentos políticos, e nenhum deles beneficia eleitoralmente o presidente Lula. Para salvar um colega, ou mesmo as próprias peles, ministros do Supremo podem jogar a eleição nas mãos de um grupo que costuma se colocar como adversário da Corte. O discurso eleitoral de que Lula pode colocar mais quatro ministros políticos no STF tem apelo fora da bolha bolsonarista.” (Estadão)