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O trânsito mudou nos últimos 35 anos, mas o propósito de salvar vidas continua
Especialista analisa a evolução do comportamento dos motoristas, das tecnologias e da fiscalização desde o início dos anos 1990 e aponta os desafios para as próximas décadas
Curitiba, julho de 2026 - Há 35 anos, era comum dirigir sem cinto de segurança, transportar crianças sem qualquer dispositivo de retenção e enfrentar vias onde a fiscalização dependia quase exclusivamente da presença física de agentes de trânsito. O Brasil e o mundo viviam uma realidade bastante diferente da atual, tanto do ponto de vista tecnológico quanto comportamental.
Ao longo dessas três décadas e meia, o trânsito brasileiro passou por profundas transformações. A criação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em 1998 – um dos mais robustos do mundo -, o fortalecimento de campanhas educativas e de políticas públicas, e a evolução da tecnologia contribuíram para consolidar uma cultura mais voltada à preservação da vida.
Mas, apesar dos avanços, o maior desafio permanece. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os sinistros de trânsito seguem entre as principais causas de mortes evitáveis em todo o mundo, resultando em aproximadamente 1,19 milhão de óbitos por ano.
Segundo Luiz Gustavo Campos, especialista em trânsito e diretor da Perkons – que completa 35 anos esse mês e tem entre seus legados a invenção da lombada eletrônica no início da década de 90 - a principal mudança observada ao longo desse período está na forma como a sociedade passou a compreender a segurança viária. "Quando olhamos para a época da primeira lombada, a discussão sobre trânsito estava associada à mobilidade, em especial, mobilidade individual. Hoje existe uma consciência sobre mobilidade segura, que se baseia em responsabilidades individuais e direitos coletivos, quando o assunto é trânsito. Essa mudança é extremamente benéfica, embora ainda tenhamos um longo caminho a percorrer", afirma.
A transformação também pode ser observada na tecnologia disponível para a gestão viária. Sistemas integrados, análise de dados em tempo real, inteligência artificial e equipamentos capazes de monitorar diferentes comportamentos de risco passaram a fazer parte da rotina das cidades brasileiras.
Contudo, Campos ressalta que a tecnologia, sozinha, não resolve o problema. "A tecnologia é uma ferramenta fundamental, mas a segurança no trânsito continua sendo uma construção coletiva. Ela depende de infraestrutura adequada, fiscalização eficiente, educação permanente e, principalmente, de escolhas individuais responsáveis", explica.
Outro aspecto que mudou significativamente foi a percepção sobre a fiscalização. Se antes ela era vista apenas como instrumento punitivo, atualmente há uma compreensão crescente de seu papel preventivo. Estudos nacionais e internacionais demonstram que a fiscalização eletrônica é pilar para a redução de comportamentos de risco, como excesso de velocidade, principal fator de gravidade em caso de sinistro.
Ao completar 35 anos de atuação, a Perkons acompanha essa trajetória e se funde com a própria evolução da segurança viária brasileira. Mais do que fazer parte das mudanças já ocorridas, a empresa entende que o futuro exigirá novos desafios, especialmente diante da expansão das cidades inteligentes, dos veículos conectados e das novas formas de mobilidade urbana. "Os próximos anos exigirão uma visão cada vez mais integrada. Precisamos pensar o trânsito como um sistema que envolve pessoas, tecnologia, infraestrutura e gestão. O objetivo permanece o mesmo de décadas atrás: permitir que todos possam ir e vir em segurança", conclui Campos.