
Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP
No segundo dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) a respeito de um novo tarifaço contra o Brasil, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pretende mudar o discurso da carta enviada ao governo de Donald Trump, em que sugeria a suspensão das taxas, para pedir o fim das medidas e defender o Pix. A avaliação de aliados do senador é de que o documento repercutiu mal e o senador precisa se posicionar como contrário à taxação. A manifestação de Flávio terá 5 minutos e está prevista para as 10h da manhã de hoje no horário local. Ele pretende afirmar que a imposição da tarifa prejudicaria exportadores e consumidores brasileiros e poderia produzir efeitos políticos contrários aos pretendidos por Washington, ao fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Globo)
Já o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo desistiu de participar presencialmente da audiência promovida pelo USTR. A decisão foi anunciada após a repercussão de declarações em que Figueiredo criticou Michelle Bolsonaro (PL) e afirmou que mulheres “votam muito mal”. As falas levaram Flávio Bolsonaro a tentar se distanciar publicamente do influenciador. (UOL)
No primeiro dia da audiência pública, enviados de empresas e entidades empresariais brasileiras e americanas defenderam a suspensão da proposta do governo de Donald Trump de impor uma taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Representantes dos setores de arroz, gelatina, sementes, cera de carnaúba e agropecuária argumentaram que a medida elevaria custos para consumidores americanos, encareceria alimentos, medicamentos e insumos agrícolas e provocaria impactos negativos nas cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos. Parte das entidades americanas, no entanto, defendeu a manutenção ou até o endurecimento da proposta. O principal foco foi o mercado de etanol. (Folha)
A Confederação Nacional da Indústria estima que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos poderão ser atingidos caso o governo de Donald Trump adote o tarifaço. Segundo a CNI, itens potencialmente afetados representam US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano. (g1)
O governo brasileiro, por sua vez, decidiu enviar observadores às audiências promovidas pelo (USTR). Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil será representado apenas por integrantes da Embaixada em Washington, já que, na avaliação do governo, a audiência pública não constitui um canal de negociação entre os dois países. As tratativas oficiais seguem sendo conduzidas por vias diplomáticas. (Valor)
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no entanto, encaminhou ao USTR uma carta contestando o novo tarifaço. O documento sustenta que a medida não encontra respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil durante a investigação conduzida pelo órgão americano. O Itamaraty classificou as conclusões da investigação como “errôneas” e “arbitrárias”, afirmando que o relatório desconsiderou informações sobre a legislação brasileira e as ações de fiscalização adotadas para combater o trabalho análogo à escravidão. (g1)
Mauro Vieira também afirmou, dessa vez em documento enviado à Câmara dos Deputados, que a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode abrir espaço, em última instância, para uma ação militar americana em território brasileiro. No documento Vieira afirma que a medida pode permitir a adoção de ações unilaterais e extraterritoriais por parte das autoridades americanas contra pessoas, empresas e organizações brasileiras, inclusive sem vínculos diretos com os Estados Unidos. (CNN Brasil)
Enquanto isso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que Flávio Bolsonaro seja ouvido pela Polícia Federal na investigação sobre calúnia contra o presidente Lula ao associá-lo, em janeiro, ao crime de tráfico de drogas num post no X. “Remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena”, disse Gonet. A lei define que, se antes da sentença o réu se retratar, ele fica isento de pena. Mas, se a ofensa tiver sido feita por meios de comunicação, o ofendido pode escolher que a retratação se dê pelas mesmas plataformas. (Folha)