
Foto: Andrew Harnik / Getty Images via AFP
O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos elos com uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A facção foi classificada por Washington como “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”, reforçando a estratégia do governo de Donald Trump de aumentar a influência e o foco da política externa na região. É a primeira medida do tipo após a facção ser classificada pelos EUA como organização terrorista. Entre os alvos estão Victor Shimada e Stella Nunes de Oliveira, além de empresas como a Victory Trading, Pixwave e Wave Construções Inteligentes. Segundo o governo americano, Shimada ligava operadores do PCC na Flórida ao tráfico internacional e movimentou mais de US$ 30 milhões via criptomoedas. As sanções incluem bloqueio de bens e restrições financeiras. (g1)
O Ministério da Justiça brasileiro manifestou preocupação sobre os possíveis impactos das sanções financeiras impostas pelos EUA a brasileiros investigados por suposta ligação com organizações criminosas. “Não defendemos criminosos. O que tememos é que essa espetacularização gere efeitos secundários sobre pessoas que não têm ligação com o crime e sobre instituições financeiras brasileiras”, afirmou a secretária nacional de Justiça (Senajus), Maria Rosa Guimarães Loula. Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, declarou que Shimada e Stella de Oliveira não têm ligação com o PCC, ao contrário do que apontam as autoridades americanas. (g1)
Já Dario Durigan, ministro da Fazenda, disse que os EUA usam um conceito defasado de terrorismo, focado em ataques a países, similar à Al-Qaeda nos anos 2000, e isso distorce a realidade do problema brasileiro, que é o crime organizado. “Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros”, afirmou o ministro. (Record)
Para ler com calma. Conhecidos como “Japa” e “Lara Croft”, Shimada e Stella foram denunciados na Justiça da Flórida por participação no esquema de lavagem em instituições financeiras de 12 cidades americanas. A denúncia afirma que os valores eram provenientes do fornecimento de drogas, mas não cita facções brasileiras. Shimada já foi condenado no Brasil por integrar um esquema milionário de fraude, mas as autoridades não apontaram até o momento uma vinculação entre ele e suas empresas com o PCC. (Globo)
Adriana Fernandes: “A aplicação das sanções indicou não só que o governo dos EUA tem acesso a informações detalhadas do esquema das empresas envolvidas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e escapar da fiscalização, como sinalizou também que eles podem estar sendo abastecidos de informações repassadas diretamente por brasileiros envolvidos nas investigações. De forma legal, por meio de cooperação entre investigadores dos dois países, ou por debaixo dos panos, de forma sigilosa, com razões políticas neste ano de eleições presidenciais por aqui? É a dúvida que paira”. (Folha)