
Foto: Ludovic Marin / AFP
As esperanças do Planalto de que a reunião de cúpula do G7 seria o palco ideal para que Brasil e Estados Unidos pudessem aparar as arestas comerciais e diplomáticas naufragaram em um dia de trocas de farpas afiadas entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Lula encerrou seus compromissos na França afirmando esperar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interfira nas eleições brasileiras. Em entrevista coletiva logo após a reunião, Lula disse que Trump tem o direito de manifestar preferências políticas, mas ressaltou que o processo eleitoral brasileiro é um assunto interno. O presidente brasileiro afirmou que o americano conhece pouco a realidade brasileira, sobretudo se sua percepção estiver baseada apenas na relação com a família Bolsonaro. (Globo)
Mais cedo, Trump afirmou que o Brasil se tornou um país “politicamente difícil” ao criticar a condenação, que confundiu com prisão, do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, embora tenha confundido também sua identidade com a do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. “Ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque deu uma declaração no Texas”, disse o presidente americano. Trump ainda afirmou que o Brasil joga “pesado”, mas que nenhum país joga “tão pesado” quanto os Estados Unidos. (g1)
Lula mostrou irritação com Trump, com quem se encontrou brevemente por duas vezes, e acusou o presidente americano de agir de forma "desaforada" ao ameaçar impor novas tarifas ao Brasil enquanto as negociações comerciais entre os dois países ainda estavam em andamento. Lula disse que, por esse motivo, não solicitou uma reunião bilateral com o líder americano durante o encontro. (Globo)
O presidente brasileiro ainda afirmou em uma conversa informal na cúpula do G7 que “nunca foi esquerdista” e defendeu uma posição política mais moderada. A declaração foi feita em uma conversa com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Após Georgieva observar que muitos esperavam que ele adotasse uma postura mais à esquerda em seu primeiro mandato, Lula respondeu que nunca se considerou um líder esquerdista e relembrou sua trajetória como dirigente sindical. (Estadão)