
Imagens: Reprodução/Redes Sociais/Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Como era de se esperar, o uso de inteligência artificial já está transformando radicalmente as campanhas eleitorais neste ano no Brasil. A menos de seis meses das eleições, equipes de marketing político estão adotando ferramentas capazes de segmentar mensagens em escala, acelerar a produção de conteúdo e substituir parte das pesquisas qualitativas por “eleitores sintéticos” usados em simulações de comportamento. Vídeos e peças digitais que antes levavam mais de um dia para serem produzidos agora ficam prontos em poucas horas. Integrantes de campanhas de pré-candidatos à Presidência e aos governos estaduais relatam o uso de softwares que monitoram em tempo real a reação de usuários nas redes sociais, mapeando temas com maior potencial de engajamento e identificando apoiadores e críticos. Uma das campanhas mantém uma equipe de mais de 50 pessoas dedicada ao impulsionamento com nanossegmentação, permitindo personalizar mensagens para perfis específicos do eleitorado. (Folha)
Apesar do avanço tecnológico, as campanhas ainda demonstram cautela diante das regras do Tribunal Superior Eleitoral sobre o uso de inteligência artificial. Embora haja consenso de que deepfakes eleitorais são proibidos, persistem dúvidas sobre os limites legais de outras aplicações da tecnologia. Um levantamento avaliou 13 modelos de IA em 38 temas e identificou comportamento descrito pelos pesquisadores como “bajulação” — quando a ferramenta concorda tanto com quem defende quanto com quem critica uma mesma tese. O fenômeno apareceu em mais de 90% dos temas analisados em alguns modelos. (Folha)
Já o PT prepara uma ofensiva digital para as eleições deste ano e articula o lançamento de ao menos 37 influenciadores ligados ao partido como candidatos a deputado estadual e federal. O grupo reúne atualmente 13 pré-candidatos já anunciados, quatro em fase final de confirmação e outros 20 em negociação. Os nomes têm entre 100 mil e 800 mil seguidores nas plataformas digitais e são apresentados pelos organizadores como parte de um movimento de renovação do partido. Entre os nomes mais conhecidos está o produtor de conteúdo Thiago Reis, que acumula mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube e já foi alvo de críticas por divulgar informações falsas ou descontextualizadas. (Estadão)
No mundo analógico, partidos fazem de tudo um pouco para alimentar o universo político digital. Só nesse início de ano, o TSE já teve protocolados 210 levantamentos nacionais e estaduais sobre a corrida ao Palácio do Planalto — média de quase duas pesquisas por dia. Somente em abril foram registrados 64 levantamentos. O volume reflete a antecipação da disputa presidencial e o interesse crescente de partidos, campanhas e institutos em monitorar o comportamento do eleitorado em um cenário ainda considerado volátil. (Globo)