De acordo com Eduardo Mattos, sócio da Forte, o principal erro das empresas ainda é tratar o tema de forma reativa. “Quando a gestão ambiental entra apenas na etapa final do projeto, ela vira um gargalo. O que estamos vendo é que empresas que integram o licenciamento e a análise de riscos ambientais desde o planejamento conseguem maior previsibilidade, redução de passivos e melhor performance financeira no médio e longo prazo”.
Outro ponto de atenção está na cadeia produtiva. Empresas exportadoras ou que fornecem para grandes grupos internacionais enfrentam exigências crescentes de comprovação de conformidade ambiental, rastreabilidade e governança. A ausência de estrutura técnica adequada pode significar perda de contratos ou exclusão de mercados estratégicos.
Além disso, passivos ambientais, muitas vezes negligenciados em fases de expansão ou aquisição de ativos, têm sido tratados como riscos financeiros relevantes em processos de exportação, ou contratação de crédito, por exemplo. A identificação tardia de irregularidades ou inconsistências em licenciamentos pode comprometer operações, impactar valuation e gerar insegurança jurídica.
Para Matheus Forte, 2026 consolida uma tendência já em curso: “Não se trata apenas de cumprir a legislação. A agenda ambiental hoje influencia diretamente decisões de investimento e expansão. Quem entende isso de forma estratégica transforma obrigação regulatória em geração de valor.”
Em um ambiente de maior rigor regulatório e pressão por transparência, empresas que internalizarem a sustentabilidade como eixo estratégico tendem a reduzir riscos, ampliar acesso a capital e fortalecer sua posição competitiva. Mais do que atender exigências legais, a agenda ambiental passa a ser instrumento de gestão, governança e crescimento sustentável.