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Em relatório, CNI identifica 42 novas barreiras ao comércio internacional

Sexta, 13 de março de 2026

Em relatório, CNI identifica 42 novas barreiras ao comércio internacional 

Ao todo, foram mapeadas 107 barreiras comerciais em 36 mercados. Levantamento chama atenção para o aumento de medidas nos Estados Unidos e no México 

Iano Andrade / CNI

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborado em parceria com 19 entidades setoriais, identificou 42 novas barreiras ao comércio internacional em 2025, elevando para 107 o total de entraves mapeados em 36 mercados. O cenário destaca os desafios enfrentados pelos exportadores brasileiros em um contexto de maior tensão no comércio global e de adoção de medidas restritivas por outros países. Entre os 10 mercados com mais entraves estão o México e os Estados Unidos, que registraram 10 e 8 medidas, respectivamente - o dobro desde a última edição do estudo, divulgado em 2024. 

  

4ª edição do Relatório de Barreiras Comerciais Identificadas pelo Setor Privado Brasileiro destaca o impacto das mudanças na política comercial dos Estados Unidos, com a adoção de tarifas multissetoriais que afetam diversos parceiros comerciais, inclusive o Brasil, e contribuem para um ambiente de maior incerteza no comércio internacional. As medidas ganham ainda mais relevância com o fato de que os EUA são o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. 

 

Diante desse cenário, a CNI atua, em conjunto com entidades setoriais, federações das indústrias e empresas, na identificação, qualificação e monitoramento de barreiras em terceiros mercados. Até o momento, mais de 160 casos já foram notificados ao governo brasileiro, com o objetivo de subsidiar ações de diálogo e negociação internacional. Na edição atual do levantamento, os 10 mercados que mais registram restrições são a União Europeia, o México, os Estados Unidos, a China, a Arábia Saudita, a Colômbia, o Japão, a Bolívia, a África do Sul e a Argentina. 

 

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, ressalta que o comércio internacional é fundamental para ampliar a produtividade e fortalecer a competitividade da indústria brasileira, mas nos últimos anos o número e a complexidade das barreiras aumentaram, muitas vezes associadas a exigências técnicas, sanitárias e regulatórias que dificultam sua contestação e elevam custos para as empresas exportadoras.  

 

“Em um cenário de maior incerteza no comércio internacional e de proliferação de restrições comerciais, acompanhar e dar visibilidade às barreiras enfrentadas pelas empresas brasileiras torna-se cada vez mais estratégico. O mapeamento desses entraves contribui para orientar a atuação do país e fortalecer o diálogo com parceiros comerciais, criando melhores condições para preservar e ampliar o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais”, afirma  Constanza Negri. 

 

Atuação coordenada eliminou barreiras do Vietnã, do México e da Argentina 

 

O relatório demonstra que o monitoramento sistemático e a atuação coordenada entre o setor privado e o governo rendem resultados concretos. Em relação à edição anterior, houve progresso na mitigação e eliminação de três barreiras específicas: uma relacionada à certificação sanitária para couros, do Vietnã; outra sobre uma liminar da justiça mexicana que restringia a importação de carne suína; e a terceira relacionada à certificação mandatória de revestimentos cerâmicos na Argentina. 



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