Santa Catarina registra 39,44% de inadimplência, o menor índice do país, mas cenário ainda exige atenção – Veja caminhos para manter o equilíbrio financeiro
Santa Catarina apresenta o menor índice de inadimplência do Brasil, mas o dado não elimina a preocupação com o endividamento das famílias no estado. De acordo com informações do Serasa referentes a dezembro de 2025, 39,44% da população adulta catarinense está inadimplente, percentual significativamente abaixo da média nacional, que é de 49,77%, mas que ainda representa um contingente expressivo de pessoas com dificuldades para manter as contas em dia.
No cenário nacional, o Brasil soma 81,2 milhões de inadimplentes, com crescimento mensal de 0,79%. O valor médio das dívidas por pessoa é de R$ 6.382, enquanto cada débito possui valor médio de R$ 1.593,27. O volume total das dívidas no país já alcança R$ 518 bilhões, evidenciando que o endividamento é um desafio estrutural em todas as regiões.
Para o presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira em Santa Catarina (ABEFIN-SC), André Márcio Borges, mesmo com o melhor desempenho no ranking nacional, o estado precisa manter o foco na orientação financeira e na prevenção do endividamento excessivo.
“Embora Santa Catarina apresente o menor índice de inadimplência do país, esse resultado não pode ser interpretado como um cenário de conforto. O número ainda revela que uma parcela significativa da população enfrenta dificuldades financeiras, o que reforça a necessidade de ampliar ações de educação financeira, incentivar o planejamento e promover o uso consciente do crédito, de forma preventiva, para evitar que o endividamento comprometa a estabilidade das famílias catarinenses”, explica André Márcio Borges.
Em Santa Catarina, assim como no restante do país, a inadimplência está relacionada principalmente ao uso recorrente de modalidades de crédito com juros elevados, como cartão de crédito rotativo, parcelamentos longos e empréstimos contratados sem planejamento. Mesmo em um cenário mais favorável, decisões financeiras mal estruturadas podem comprometer rapidamente o orçamento familiar.
Segundo Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e presidente nacional da ABEFIN, o fato de Santa Catarina liderar positivamente o ranking não elimina os riscos associados ao comportamento financeiro. “Estar em uma posição melhor no ranking não significa estar imune ao endividamento. Pessoas aparentemente organizadas financeiramente também correm riscos quando não adotam estratégias claras, não planejam seus gastos e não alinham suas decisões financeiras aos seus objetivos de vida”, afirma.
Caminhos para manter o equilíbrio financeiro
Manter a inadimplência sob controle exige atenção contínua. O primeiro passo é acompanhar regularmente as finanças pessoais, mantendo clareza sobre receitas, despesas e compromissos financeiros assumidos.
A revisão periódica dos gastos ajuda a identificar excessos e ajustar hábitos de consumo antes que o orçamento seja comprometido. Decisões de compra mais conscientes reduzem a necessidade de recorrer ao crédito e evitam o acúmulo de dívidas.
A negociação preventiva com credores também é uma prática importante. Antecipar dificuldades e buscar ajustes antes do atraso contribui para preservar a saúde financeira e evitar encargos adicionais.
Além disso, a formação de uma reserva financeira fortalece a segurança diante de imprevistos e reduz a dependência de crédito emergencial. Estratégia, organização e objetivos claros são fundamentais para manter o equilíbrio financeiro no longo prazo.
Mesmo com o menor índice de inadimplência do país, Santa Catarina segue diante do desafio de promover educação, planejamento e comportamento financeiro responsável para garantir estabilidade e sustentabilidade financeira às famílias do estado.