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Maduro diz que é inocente e que foi sequestrado pelos EUA
Foto: Jane Rosenberg/AFP sobre desenho divulgado pelo tribunal de Nova York “Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente.” Foi assim que o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, se declarou ao comparecer, no início da tarde de ontem, a um tribunal federal em Manhattan, em Nova York. Convidado pelo juiz a se identificar, falou em espanhol, disse ser o presidente da República da Venezuela e afirmou estar ali “sequestrado”. Responsável pelo caso, o juiz Alvin Hellerstein interrompeu a fala e garantiu que haveria “tempo e lugar para abordar tudo isso”. A audiência, que durou cerca de 40 minutos, marcou o início do processo judicial contra Maduro e sua esposa, Cilia Flores, nos Estados Unidos. Ambos foram formalmente apresentados às acusações de narcoterrorismo e conspiração para tráfico internacional de cocaína. Questionada pelo juiz, Flores sustentou ser “inocente, completamente inocente”. A próxima sessão foi marcada para 17 de março. (BBC) Conheça a trajetória do juiz Alvin Hellerstein, responsável pelo julgamento de Maduro. (Migalhas) Em entrevista à NBC News, Donald Trump afirmou que a Venezuela não terá novas eleições nos próximos 30 dias. “Temos que consertar o país primeiro. Você não pode ter eleições. Não há como o povo votar.” Trump disse que os EUA podem subsidiar um esforço das empresas petrolíferas para reconstruir a infraestrutura energética do país — um projeto que pode demorar menos de 18 meses. “Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas custará muito dinheiro”, disse o americano. Ele também insistiu que os EUA não estão em guerra com a Venezuela. Na entrevista de cerca de 20 minutos, Trump apontou um grupo de autoridades dos EUA — incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca Stephen Miller e o vice-presidente JD Vance — que ajudarão a supervisionar o envolvimento dos EUA na Venezuela. Mas, pressionado sobre quem está no comando do país, ele respondeu prontamente: “Eu”. (NBC News) Na capital venezuelana, Caracas, Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina em uma cerimônia na Assembleia Nacional. A nomeação decorre de uma decisão do Supremo Tribunal do país, que determinou que Rodríguez assumisse o comando do Executivo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. A solenidade contou com a presença da embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira. (Folha) O atual governo da Venezuela ordenou que a polícia “inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. O decreto está em vigor desde sábado, mas foi publicado na íntegra nesta segunda. (g1) O regime se manteve e já é alvo de denúncias de repressão. O Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa (SNTP) da Venezuela afirmou que 14 jornalistas e profissionais da imprensa foram presos dentro e nos arredores da Assembleia Nacional, onde houve a abertura do ano legislativo e as posses de parlamentares e da presidente interina. A entidade pediu a libertação imediata dos profissionais e afirmou que a repressão inviabiliza qualquer transição democrática. (CNN Brasil) Durante a noite, tiros assustaram os vizinhos do Palácio Miraflores, em Caracas. Segundo fontes, forças de segurança dispararam contra drones não identificados que se aproximavam do prédio. A Casa Branca negou envolvimento no incidente. (g1) Com o cerco dos EUA se fechando no fim de novembro, Nicolás Maduro negociou com aliados uma saída da Venezuela. Segundo relatos ouvidos pela Folha em Moscou, o ditador acertou com o presidente de Belarus, Aleksandr Lukachenko, um exílio no país, com apoio da Rússia. Maduro preferia ir para Moscou, mas Vladimir Putin teria recuado para não melindrar Trump em meio às negociações sobre a Guerra da Ucrânia. A oferta de exílio, segundo as fontes, segue de pé. (Folha) A operação militar americana foi discutida em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O embaixador russo, Vasily Nebenzya, classificou a ação como “criminosa” e acusou Washington de buscar a apropriação de recursos energéticos da Venezuela. A China disse estar “profundamente chocada” e sustentou que nenhum país tem autoridade para atuar como polícia internacional. O Brasil também condenou a ação: o embaixador Sérgio Danese afirmou que não é aceitável o argumento de que “os fins justificam os meios”. O embaixador americano Mike Waltz afirmou que “não há uma guerra contra a Venezuela ou seu povo” e descreveu a ofensiva como uma operação de cumprimento da lei, ponderando que Maduro não seria um líder legítimo. Já o representante venezuelano pediu que o Conselho impeça qualquer apropriação de recursos naturais do país e exigiu a libertação imediata de Maduro e de Cilia Flores. (g1) Mas Trump segue ameaçando outros países de intervenção. E a primeira-ministra da Dinamarca afirmou que o presidente Trump “deve ser levado a sério quando diz que quer a Groenlândia”, um dia depois de o americano ameaçar tomar o território dinamarquês. Mette Frederiksen classificou as ameaças como uma “pressão inaceitável”. “Se os Estados Unidos decidissem atacar outro país da Otan, tudo acabaria. A comunidade internacional como a conhecemos, as regras democráticas do jogo, a Otan, a aliança defensiva mais forte do mundo — tudo isso entraria em colapso.” Gustavo Petro, presidente da Colômbia, também reagiu à retórica bélica de Trump com relação a seu país. Numa longa publicação no X, Petro disse que “pediu ao povo que defendesse o presidente contra qualquer ato violento ilegítimo”. (New York Times) Michelle Goldberg: “Até segunda-feira, todas as autoridades do governo venezuelano, com exceção de Maduro, pareciam ter permanecido em seus cargos, incluindo o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, que controla a polícia e era conhecido como um dos homens de confiança mais temidos de Maduro. Para Donald Trump, a preservação de algo próximo ao status quo faz sentido, visto que seu objetivo é a extorsão, não a transformação política. Como um funcionário do governo me disse, há ‘algo revigorante em Trump simplesmente dizer: Sim, vamos pegar o petróleo’”. (New York Times)
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