Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, teve uma reação comedida ao saber da prisão de Jair Bolsonaro. Questionado por jornalistas sobre a detenção, ele disse: “Não, eu não sei nada sobre isso. Eu não ouvi sobre isso. Foi isso que aconteceu? É uma pena, uma pena, eu só acho que é uma pena”. Pouco depois, em e-mail enviado para jornalistas, a Casa Branca acrescentou que “Trump pareceu dar a entender que conversou com o presidente Lula” na noite anterior. Segundo a Casa Branca, Trump disse aos jornalistas: “Eu falei ontem à noite com o cavalheiro ao qual você acabou de referir”, mas sem especificar quem seria o “cavalheiro” mencionado. Em um segundo e-mail, a Casa Branca informou que não foi possível compreender se Trump se referia a Lula ou a Bolsonaro. (CNN Brasil)
Já Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, publicou uma nota em suas redes sociais e disse que Bolsonaro é inocente e que seguirá firme ao lado dele. Ele afirmou ainda que “tirar um homem de 70 anos da sua casa, desconsiderando seu grave estado de saúde” é “irresponsável”. “Lutaremos para que essa injustiça seja reparada o quanto antes”, diz Tarcísio. (g1)
Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná e também potencial presidenciável, foi às redes para manifestar apoio a Bolsonaro. Ele disse que o ex-presidente tem problemas graves de saúde e que a prisão preventiva ocorreu mesmo após Bolsonaro ter “apresentado laudos que comprovam sua saúde em estado crítico”. “Ao ex-presidente e a seus familiares, minha solidariedade. Triste Brasil!”, diz o post. (Plural)
O governador de Minas (Novo), Romeu Zema, outro presidenciável que busca as bênçãos de Bolsonaro, chamou a prisão de “injustiça”. “Isso não é justiça. É revanchismo político. E o Brasil não precisa disso”, diz seu post nas redes sociais. (O Tempo)
Houve quem aumentasse o tom. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, usou o X para dizer que o ministro “Alexandre de Moraes é um psicopata de alto grau”. Ele apagou os posts. Mais tarde, divulgou uma nota oficial, em que afirma que “o dever do Parlamento é reagir sempre que um cidadão ou ex-presidente sofre violação de garantias fundamentais”. (Poder360)
Na esquerda, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), disse que a prisão preventiva “evidencia que, diante de risco concreto à ordem pública e de manipulação política do processo, a lei alcança todos, inclusive o ex-presidente. O trânsito em julgado se aproxima e abre caminho para o início do cumprimento da pena. Bolsonaro preso!”, escreveu Lindbergh. José Dirceu, ex-presidente nacional do PT e ex-ministro da Casa Civil, publicou uma montagem com Bolsonaro atrás das grades e disse que a prisão é “um recomeço para o Brasil” e que o “chefe da tentativa de golpe está preso”. (Estadão)
O líder do governo Lula na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), declarou que o país vive “um momento histórico”. “Quem atacou a democracia vai pagar por isso!”. Já a líder do PSOL na casa, deputada Talíria Petrone (RJ), disse que foi acordada com um “alarme diferente” neste sábado, com a notícia de que Bolsonaro foi preso. “O Brasil sorri. GRANDE DIA”, escreveu. (Folha)
Enquanto isso, no condomínio Solar de Brasília, onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, houve queima de fogos e até convite para comemoração nas áreas residenciais. Os fogos puderam ser ouvidos enquanto a deputada Bia Kicis, apoiadora de Bolsonaro, dava entrevista. O grupo de WhatsApp dos moradores se agitou, com alguns preocupados com a movimentação nas ruas internas e a possibilidade de novos tumultos. (Globo e Poder360)
Pedro Doria: “Alexandre Ramagem, antes de ser preso, fugiu para os Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos. Bolsonaro tem o episódio de ter dormido na embaixada da Hungria e tem o pedido de asilo encontrado no celular para os argentinos, para o presidente Javier Milei. Para se criar uma muvuca a fim de tentar facilitar a fuga do ex-presidente, o risco é razoável. A Polícia Federal foi lá e o transferiu para uma sala confortável, dentro da sua sede, onde a prisão pode ser mantida com segurança. Não tem nada de absurdo nisso. É só a Justiça trabalhando”. (Meio)
Maria Cristina Fernandes: “O fato mais determinante para a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, os indícios de violação da tornozeleira eletrônica, se deveu à atuação de uma secretaria do governo do Distrito Federal. Há quase três anos, as falhas da polícia do GDF facilitaram a tentativa de golpe. A aposta de que algo se move no aprimoramento das instituições subiu um degrau. O Centro Integrado de Monitoração Eletrônica da Secretaria de Administração Penitenciária, que deu o alerta da tornozeleira é, em última instância, subordinado a Ibaneis Rocha, governador que está sob a lupa da operação que decretou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e a liquidação do Master. É Ibaneis também quem tem sido o anfitrião das reuniões de governadores que se insurgem contra a tentativa do governo federal de normatizar uma ampliação da União nas políticas de segurança pública com a PEC da Segurança e o PL Antifacção. Não são circunstâncias armadas. É a roda da história”. (Valor)
Vera Magalhães: “Numa avaliação governistas e bolsonaristas coincidem: o apelo feito por Flávio Bolsonaro a uma vigília para ‘lutar’ pelo pai e os indícios de violação de sua tornozeleira eletrônica, apenas um dia depois da notícia de que o governo dos Estados Unidos incluiu novos produtos da pauta de exportações brasileiras na lista de exceções ao tarifaço, é sinal de que o entorno de Jair Bolsonaro entendeu que se esgotou a estratégia de obter apoio de Donald Trump para pressionar os Poderes no Brasil e, assim, tentar reverter a iminente prisão do chefe do clã”. (Globo)
Francisco Leali: “Fora do campo penal, a prisão antecipada do ex-presidente põe em xeque a direita. Dispara o relógio para que escolha entre ficar berrando pela liberdade do preso ou passar a procurar uma outra alternativa elegível e viável para a disputa em 2026”. (Estadão)
Igor Gielow: “Com o desastre da ação do incendiário deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra o Brasil na terra de Trump, coube a Flávio assumir o manto de presidenciável presumido da família, ao menos neste momento. A toxicidade de seu sobrenome o inviabiliza pelo cenário atual, mas sua voz é suficiente para bagunçar ainda mais o coreto da dividida oposição. Moraes lhe deu, mordendo a isca da vigília, oxigênio retórico para continuar relevante no jogo”. (Folha)
Flávia Tavares: “Quem acha que Flávio Bolsonaro voltou dos Estados Unidos com um erro de estratégia se engana. Ao se encontrar com Eduardo, absorveu exatamente o script que a ala Steve Bannon domina tão bem: provocar caos, criar comoção e fabricar um fato novo capaz de arrancar Jair Bolsonaro do ostracismo da prisão domiciliar. A lógica é simples: reacender a base pelo choque emocional, recolocar o ex-presidente no centro do palco e calibrar a narrativa para onde ela sempre rendeu mais dividendos ao bolsonarismo. Politicamente, o noticiário volta a ser sobre ele e não sobre um potencial candidato da direita do pós-bolsonarismo”. (Meio)