
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O escândalo dos descontos indevidos em benefícios do INSS ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira com a prisão pela Polícia Federal do ex-presidente do instituto Alessandro Stefanutto e mais nove pessoas em uma nova fase da Operação Sem Descontos. Na ordem de prisão, assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Stefanutto é classificado como facilitador da ação criminosa no INSS, do qual foi procurador-chefe antes de assumir a presidência, da qual foi afastado em abril deste ano por ordem judicial. Segundo a PF, ao se tornar presidente do INSS, em julho de 2023, Stefanutto passou a receber mensalmente R$ 250 mil em propinas da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das entidades envolvidas no esquema de descontos. Empresas de fachada seriam usadas para o pagamento. (Globo)
Para sustentar os pedidos de prisão, a PF apresentou ao ministro planilhas apreendidas na Conafer que detalhavam os valores a serem pagos a funcionários do INSS e políticos. Stefanutto, identificado nos arquivos como o “italiano”, recebia o pagamento mensal por intermédio de empresas de fachada, como uma pizzaria e um escritório de advocacia. De acordo com o relatório da PF, o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) seria o mais bem-pago da lista, onde era identificado como “Herói E”, tendo recebido R$ 14 milhões para dar “proteção política ao esquema”. Em nota Pettersen negou as acusações. O parlamentar foi alvo de buscas e apreensões nesta quinta-feira. (Estadão)
Mensagens interceptadas pela PF indicam que o esquema descontos fraudulentos em benefícios já estava em “pleno funcionamento” durante o governo Bolsonaro (2019-2022) envolvendo o então ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, que mudou seu nome para Ahmed Mohamad Oliveira por motivos religiosos. A ação dele, segundo a PF, foi “decisiva para o funcionamento e blindagem da fraude da Conafer”. André Mendonça determinou que o ex-ministro use uma tornozeleira eletrônica. (Folha)
Mendonça mandou prender ainda o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios e relacionamento com o cidadão do INSS André Paulo Félix Fidelis e pessoas ligadas à Conafer — apenas o presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, não havia sido localizado pelos agentes. O ministro também emitiu uma nova ordem de prisão contra Antônio Carlos Antunes Camilo, o “Careca do INSS”, que já estava detido. (g1)