
Foto: Jim Watson/AFP
Passada a temporada do Nobel da Paz, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou ao modo belicoso nesta quinta-feira, defendendo “matar pessoas” em ações contra drogas e agravando as tensões com seu vizinho e parceiro. No fim da noite, ele anunciou a suspensão de todas as negociações comerciais com o Canadá, irritado com um anúncio de TV veiculado pelo governo da província canadense de Ontário. A peça reproduz um trecho e um pronunciamento feito em 1987 pelo então presidente Ronald Reagan, um dos maiores ícones republicanos, dizendo que tarifas comerciais “prejudicam todos os trabalhadores e consumidores americanos”. A Fundação Ronald Reagan negou ter autorizado o uso da gravação e afirmou que ela foi tirada do contexto (íntegra do pronunciamento). Em seguida, Trump usou sua rede Truth Social para acusar o Canadá de tentar interferir nas decisões da Suprema Corte americana, que está discutindo a legalidade da guerra comercial, chamou o anúncio de “FALSO” e suspendeu as negociações. (CNN)
Mais cedo, em conversa informal com jornalistas, Trump, disse que vai realizar em breve ações militares em terra contra cartéis de drogas. Ele não citou diretamente a Venezuela, mas já havia confirmado a autorização para que a CIA atuasse dentro do país sul-americano contra o governo de Nicolás Maduro e levantou a possibilidade de um ataque. Trump acrescentou que não pretende pedir uma autorização do Congresso para essas ações. “Não acho que vamos necessariamente pedir uma declaração de guerra. Acho que vamos apenas matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país”, disse. Nas últimas semanas a marinha dos EUA tem atacado embarcações no Caribe e no Pacífico que supostamente transportariam entorpecentes. (UOL)
Em meio à tensão com Trump, as Forças Armadas da Venezuela realizaram nesta quinta-feira exercícios militares em oito estados costeiros. Responsável pela operação, o Ministro da Defesa, Vladimir Padrino Lopez, disse que os exercícios são uma resposta à “grande ameaça militar” no Caribe, sem citar diretamente a ação do governo Trump. (CNN Brasil)
Já por aqui o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse sentir inveja da destruição de barcos de supostos traficantes pelos EUA e manifestou apoio a ataques semelhantes no Rio de Janeiro. “Ouvi dizer que há barcos como esse aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, escreveu em resposta a uma publicação do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. (g1)
A publicação do senador provocou uma enxurrada de críticas de parlamentares governistas, que o chamaram de “traidor da pátria”, e mesmo de seguidores dele, embora houvesse também manifestações de apoio. (Globo)