
Foto: Nelson Almeida / AFP
Com o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) pela metade, seus apoiadores procuraram dar uma demonstração de força no 7 de Setembro com manifestações pela anistia em diversas cidades do país. De olho no espólio político do ex-presidente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixou a moderação de lado e elevou o tom contra o Supremo, em particular contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Na Avenida Paulista, em ato convocado pelo pastor Silas Malafaia, Tarcísio disse que “ninguém aguenta mais a tirania de Moraes”, chamou de “mentirosa” delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e afirmou que a “anistia tem que ser ampla”. Embora a data celebrasse a independência do Brasil, chamou a atenção uma enorme bandeira dos Estados Unidos estendida pelos manifestantes. De acordo com o Monitor do Debate Político do Cebrap, o ato na Paulista reuniu 42,7 mil manifestantes, 5 mil a mais que o protesto anterior da direita. (g1)
Apesar da retórica inflamada, Tarcísio foi ignorado nos demais protestos bolsonaristas, em especial no Rio, onde a manifestação foi comandada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente. Em seu discurso, ele cobrou dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), um perdão amplo para os acusados de golpe. “Não existe meia anistia. Não dá para anistiar a Débora do Batom sem anistiar também o presidente Bolsonaro”, disse. (UOL)
A data cívica, claro, não foi monopolizada pela oposição. Pela manhã, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assistiu ao desfile de 7 de Setembro ao lado de Motta, mas sem a presença de representantes do Supremo. Antes do desfile militar, foram distribuídos entre a multidão bonés com o slogan “Brasil Soberano”, um dos motes do evento e resposta à pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o julgamento de Bolsonaro. (g1)
“Lamentável.” Essa foi a forma como o decano do STF, Gilmar Mendes, classificou as afirmações de Tarcísio na Paulista, conta Igor Gadelha. “Não há no Brasil ‘ditadura da toga’, tampouco ministros agindo como tiranos”, disse Gilmar. “O que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo”, completou. (Metrópoles)
Longe do burburinho das ruas, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou para a manhã de hoje uma reunião com os ministros de partidos de centro-direita e direita para discutir estratégias contra o movimento pela anistia no Congresso. (Folha)
Fabiano Lana: “Tarcísio sabe que só será um candidato viável caso se mostre fiel ao bolsonarismo. Se em algum momento for colado na sua testa o rótulo de traidor, pode perder o apoio da chamada base dura do bolsonarismo. Quem gritou hoje ‘fora Moraes’ pode gritar ‘fora Tarcísio’ se for habilmente manipulado.” (Estadão