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Busquemos sempre nos reconciliar com o próximo

Quinta, 10 de junho de 2021

 

“Quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta” (Mateus 5,23-24).

 

As igrejas falam de ofertas, as pessoas falam de ofertar-se a Deus e ao próximo, e o ofertar é uma grande oferenda. Veja, a oferenda que Deus quer, em primeiro lugar, é a reconciliação.

Se vamos diante do altar, vamos para nos reconciliar com Deus, mas ninguém se reconcilia com Ele quando ainda não se reconciliou com os outros, com os irmãos. Precisamos deixar de lado esse espírito perverso e enganador, em que as pessoas se colocam umas contra as outras e, simplesmente, ignoram-se.

Às vezes, a pessoa diz assim: “Eu comungo todos os dias”, “Rezo o meu rosário todos os dias”, “Tenho as minhas práticas”. Essas práticas são meios, são bênçãos, e elas que nos levam na direção de Deus, mas essas práticas precisam nos quebrar por dentro, precisam arrebentar o coração para que se voltem verdadeiramente para a reconciliação.

O que nos coloca verdadeiramente em Deus é o coração imolado, para que nos reconciliemos uns com os outros

Se queremos milagres em nossa vida, não conheço milagre maior do que corações reconciliados. Quando falamos em “reconciliar” é porque havia uma conciliação, havia uma comunhão, e essa comunhão foi rompida, foi agredida ou, de alguma forma, foi dissimulada pelos acontecimentos. E ao invés de viverem reconciliadas, as pessoas vivem brigadas, separadas, desunidas, colocam-se umas contra as outras.

À medida que não vamos resolvendo as pequenas coisas, as coisas pequenas vão se tornando grandes, e pessoas que relativizam coisas pequenas permitem que elas cresçam e vão se tornando cada vez maiores. E, às vezes, quando a coisa se torna tão grande, a reconciliação torna-se humanamente impossível.

Casais que poderiam se reconciliar não conseguem mais fazê-lo; famílias que poderiam se juntar não conseguem mais; irmãos que precisam conviver juntos não conseguem.

Hoje, percebemos um grande cisma, um grande movimento de separação, de divisão formando-se e crescendo, sobretudo porque não sabemos sacrificar nossos próprios sentimentos e afetos, porque estamos sendo levados pelos impulsos dos sentidos, e facilmente ficamos ressentidos uns com os outros.

A Igreja do Senhor leva seus filhos a reconciliarem-se com o Senhor e uns com os outros. As ofertas que vão nos colocar diante de Deus não são nossas ofertas materiais, pois estas são simbolismos; o que nos coloca verdadeiramente em Deus é o coração imolado, para que nos reconciliemos uns com os outros.

É preciso um grande esforço para superarmos as mágoas, os rancores e os dissabores que vamos criando ao longo da vida. O Céu é a pátria dos reconciliados. Reconciliemo-nos uns com os outros enquanto estamos à caminho, porque senão seremos entregues ao tribunal, e do tribunal de Deus só sairemos se pagarmos o último centavo. É preferível nos reconciliarmos em vida para que, na vida futura, tenhamos direito ao Reino dos Céus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

 

Sacerdote da Comunidade Canção Nova



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