Advogado
São duas referências incontroversas de qualificação de pessoa ou entidade. Ditados pela educação, pela escola, pelas doutrinas de entidades religiosas, são formatados os perfis ideais de comportamentos. Esbarramos, porém, conflituosamente em maus exemplos de nossos líderes e suas estruturas políticas. Fica difícil sustentar a deontologia, parte da filosofia que trata dos princípios, fundamentos e sistemas da moral, ideais para a convivência pacífica dos cidadãos. Entendo que a provocação do tema deve ser recorrente, não somente para criticar os políticos e suas posturas inadequadas, mas comparar os que, mesmo na função pública, ainda guardam boas referências de moral. Sim, não são muitos, mas existem.
FUNDAMENTOS MORAIS
Em princípio vem da educação, da convivência e dos exemplos. A percepção de certo e errado, de respeito, de limites e da moralidade está em cada um de nós, moldados pela disciplina de convivência, de obediência pela hierarquia, do aculturamento geral. O problema está no exemplo, nas mais simples posturas de pais, professores, de empregadores em saber impor limites e respeito recíproco. De pouco adianta haver lei dizendo dos limites para que não haja agressão física ou mesmo moral nos seus diferentes dispositivos normativos de proteção à dignidade, à honra, aos costumes. O condicionamento é viciado pelo modelo que somos aos olhos de nossos filhos, colaboradores, colegas de trabalho, amigos. Como a maioria das pessoas são religiosas, colhe-se que esta fonte de referência pouco interfere na formação da postura ética das pessoas.
BOAS PRÁTICAS CORPORATIVAS
Há ranking de avaliação das empresas com bons padrões nas adequadas práticas corporativas. Geralmente decorrem de um reflexo do perfil moral e ético que identifica o líder empreendedor, o empresário. Podem ser publicados boletins ou manuais de comportamento que devem ser perseguidos, a exemplo da nova lei anticorrupção em vigor no Brasil há poucos meses. Sinceramente, pouco se fala a respeito, mesmo com as pesadíssimas sanções as quais estão sujeitas as empresas e empresários que as descumprirem. E não é só de corrupção. Vale para a concorrência desleal, a sonegação, da falta de registro dos empregados ou de horas extras, da qualidade ou quantidade inferior dos produtos. Todos os computadores, programas e equipamentos usados pela empresa são legais? Quem atender a estes elementos pode “jogar pedras nos políticos”.
EXEMPLOS AOS FILHOS
Para todos os ambientes acima declinados, indivíduos, empresas, famílias, políticos, valem as posturas elementares de sempre pedir e dar nota fiscal sobre qualquer compra ou serviço. Jamais comprar produtos sem origem legal, como por exemplo CDs piratas, computadores, celulares, tablets, cigarros, bebidas trazidos do exterior, sem impostos devidos. Oferecer uma gorjeta ao ser flagrado por infração de trânsito. Isso também vale para as madames e os mauricinhos que adoram fazer turismo na Califórnia, em NY, indo duas, três vezes por ano “brincar” na Disney. Sim, o delito, a sonegação, a falta de ética ou moral é tão funesta como a “moambeira” que vai de ônibus no bate-volta ao Paraguai. Péssimo exemplo aos jovens.
ILUSÃO DAS CRENÇAS
A ignorância mediana sempre foi terreno fértil para espertos iludirem a boa fé das massas. Isso vai de rituais e costumes populares à medicina, da tradição supersticiosa à religião. O auge destes delírios místicos podem ser contados com fatos verdadeiros e a serem lamentados pelos absurdos praticados na época da inquisição, na idade média. Queimar bruxas, aquelas de cabelos ruivos, ver milagres em quaisquer fenômenos da natureza, atribuir à divindades os mais elementares desdobramentos da natureza espontânea. Quanto mais ignorante o público, mais estúpido e atrevido o esperto com suas miraculosas explicações místicas. Assim sempre foi a humanidade. Sempre alguns homens astutos aproveitando-se da massa ignorante. Estes, que disto viveram por séculos, apavoram-se diante da ciência que transparece e que é popularizada nos meios de comunicação. Cairão muitas estruturas de sustentação da exploração da boa fé e da ignorância.