Florianópolis - Tendo por cenário o shopping Floripa, quem visita se depara com um espetáculo de muita reflexão, ao visualizar a exposição que contém uma réplica do Santo Sudário, que é o tecido onde foi envolvido um homem jovem, flagelado e crucificado há mais de 2.000 anos. E onde foram impressas, até hoje, marcas desse homem. A exposição é dividida em várias fases. Na 1ª encontramos informações sobre onde se encontra o sudário e também sobre o material de composição do tecido. Na 2ª fase há informações sobre as áreas da ciência que estudaram o tecido, este que é o objeto mais estudado do mundo. Na 3ª fase é possível conhecer o percurso histórico do tecido, bem como contemplar a réplica do mesmo. Na 4ª fase há estudos médicos que permitem maiores informações sobre o Homem Do Sudário e seu processo de flagelação. Nesta mesma fase pode ser verificar uma imagem em holograma, onde poderão de um degrau superior ter a melhor visualização.
1. O tecido do Sudário
Na Catedral de Turin se conserva um lençol de linho que, segundo uma tradição de vários séculos, teria envolvido o corpo de Jesus Cristo em sua sepultura. A peça contém, em um só lado, a imagem dupla – frente e verso – de um homem morto por crucificação.
O tecido foi confeccionado num tear manual rudimentar, mas, com um acabamento cuidadoso. A análise microscópica demonstra que o tear foi usado também para confeccionar peças de algodão, mas não de lá, o que coincide com a proibição judaica de misturar fibra animal e vegetal num tear (DI 22, 11: “11 Não trarás sobre ti uma veste de diferentes tecidos: lã e linho misturados”).
O lençol de linho foi tecido num tramado característico, no qual as linhas horizontais passam por três linhas verticais e por baixo de uma. O resultado é uma composição de faixas de 11 cm formando um padrão conhecido como “espinha de peixe”. Trata-se de um padrão raro, desconhecido na Europa até o sec. XVI, mas presente em tecidos da antiguidade. A linha foi torcida em sentido horário, pouco comum, mas presente em alguns tecidos achados em Palmira, na Síria, do sec. I ao III. O lençol mede 4,42 m de longo por 1,13 de largo. Não é feito de uma única peça, numa das bordas longitudinais há uma faixa de 8,1 cm feita do mesmo tecido. Ao que parece, havia a obrigação de dar uma medida precisa ao lençol. De todos as unidades de medidas conhecidas, a que mais se aproxima das dimensões do sudário é a do cúbito sírio, usado no séc. I em Israel e até hoje na ritualística judaica. Assim, o sudário mediria 8 x 2 cúbitos sírios, segundo a etnóloga do Judaísmo Rebecca Jackson. A forma em que foi costurada a faixa no lençol é rara; segundo a especialista em tecidos Dra. Metschild Flury-Lemberg, tecidos costurados com essa técnica foram encontrados na fortaleza de Massada, perto do Mar Morto, e datam em torno do ano 40 d.C.
2. Mapa do Sudário
No sudário é possível distinguir diversas imagens:
a) Imagem de um corpo humano (frente e verso). Segundo a disposição do corpo ele teria sido deitado sobre uma metade do lençol. A outra metade teria passado por sobre a sua cabeça, caindo sobre a parte frontal do corpo
b) Manchas de sangue
c) Queimaduras (devidas ao incêndio da Capela Chambéry, na França, onde se encontrava o Sudário em 1532)
d) Halos de líquido, de origem desconhecida
e) Furos, aparentemente devidos a uma queimadura antiga, de origem desconhecida.
3. Propriedades da imagem
a) Negatividade
Em 1898 ocorreu em Turim uma ostensão do Sudário durante as comemorações pelo aniversário da unificação da Itália. O advogado Secondo Pia obteve permissão para submetê-lo a um recente invento: a fotografia. O Sudário foi registrado numa chapa de vidro impregnada de sais de prata; Ao revelar o negativo, Secondo Pia deu-se conta de que a imagem apagada, fantasmagórica a olho nu, agora ganhava realismo e uma riqueza de detalhes insuspeitada.
b)Tridimensionalidade
Em 1930, o historiador Paul Vignon observou que a maior escuridão da imagem correspondia perfeitamente na maior proximidade entre o corpo e o pano, preconizando que no futuro seria possível realizar uma reprodução tridimensional do Sudário. Esta previsão se confirmou em 1976, quando J.P. Jackson, engenheiro da Nasa, submeteu uma foto do Sudário ao analisador de imagens VP8, desenhado para reconstruir o relevo dos planetas a partir de fotos enviadas por satélites. Descobriu assim a perfeita tridimensionalidade da figura humana impressa no tecido.
c) Translucidez
O pesquisador Alan Whanger, utilizando a sobreposição das imagens positiva e negativa do Sudário, descobriu a presença de estruturas ósseas, como ossos do Crânio, raízes dos dentes, ossos das mãos e dos pulsos.
d) Holografia
O cientista holandês Petrus Soons leu o depoimento de Aldo Guerreschi, que esteve presente no reconhecimento do Sudário feito logo após o incêndio na Catedral de Turim em 1997. A testemunha relatava como, ao olhar o tecido de certos ângulos, a imagem ficava invisível e em outros ela parecia flutuar sobre o pano. |Contatou que esta descrição correspondia a uma imagem holográfica. Decidiu então submeter uma fotografia do Sudário a um procedimento de gravação de hologramas. O resultado confirmou plenamente a qualidade holográfica da imagem.
4. Análise científica do tecido
a) Sangue humano
Cientistas com o Dr. Alan Adler e Pierluigi Baima Bollone certificaram que as manchas vermelhas presentes no Sudário correspondem a sangue humano, após obterem resultado positivo para 11 testes específicos de sangue. O tipo sanguíneo é AB, raro entre europeus (3%) e mais comum em judeus (18%). Cientistas da Universidade de San Antonio, Texas, descobriram traços de DNA humano, masculino (cromossomos X e Y). As manchas de sangue correspondem em densidade e fluxo às partes do corpo de onde brotam na imagem. Na testa encontramos sangue venoso (grosso) e arterial (mais fluído). Também, na ferida do lado e nos pés se encontra o sangue cadavérico, com as partes sólidas e o soro bem separados. Junto ao sangue dos pés foi encontrado um glóbulo vermelho e algumas células de pele humana. Junto a uma ferida nas costas achou-se um tecido que parece ser de músculo, provavelmente arrancado durante a flagelação. Em torno das manchas de sangue se encontram halos de soro sanguíneo, perceptíveis apenas à luz infravermelha. A análise do sangue comprovou que é rico em bilirrubina – substância produzida pelo fígado a partir dos glóbulos vermelhos, típica em pessoas fortemente traumatizadas logo antes do derramamento de sangue. Sua cor alaranjada, unida a outros elementos do sangue, produz o tom de vermelho vivo observado no Sudário. As manchas de sangue impregnaram o tecido antes que se formasse a imagem do corpo, dado que debaixo delas não há imagem corporal.
b) Pólen
O criminólogo suíço Max Frei recolheu amostras de pólen do Sudário em 1973 e 1978, aplicando fitas adesivas sobre o tecido. Das cinquenta e oito espécies de pólen identificadas no Sudário, trinta são de plantas que não existem na Europa, mas crescem na Palestina, e muitas são típicas e frequentes em Jerusalém e nos arredores (entre estas , a Acacia albida, muito encontrada no vale do Jordão e nos arredores do Mar Morto; a Gundelia tournefortii, planta comum em lugares pedregosos ou salgados. A Hyoscyamus aureus e a Onosma orientalis, encontradas no muro da velha cidadela de Jerusalém; a rosopis farcta e o Zygophyllum dymosum, muito frequentes no entorno do Mar Morto; a Haplophyllum tuberculatum e a Reaumuria hirtella, que são plantas desérticas). Outros dezenove tipos de pólen foram classificados por outros botânicos, somando um total de 77 tipos de pólen. Entre eles, dois não existem nem na Europa nem na Palestina, mas uma dessas espécies (Atraphaxis spinosa) existe em Urfa (Edessa) e a outra (a Epimedium pubigerum) é encontrada em Instambul (Constantinopla). As restantes pertencem à flora europeia presente na França e na Itália. Vale recordar que o raio de difusão do pólen é de cerca de 100 m ao redor da planta. Em torno à área do rosto a quantidade de pólen é maior, o que sugere que essa região ficou mais exposta que o resto do corpo.
c) Terra
Foi encontrado material terroso entre as fibras do Sudário, em partes da imagem que correspondem ao nariz, ao joelho esquerdo e aos pés. A análise química constatou que a terra é composta de cabornato de cálcio, com pequenas quantidades de estrôncio e ferro – a aragonita, um composto pouco comum, similar o que já foi encontrado em grutas de Jerusalém.
d) Aromas fúnebres
Entre as partículas de pó extraídas do Sudário foi possível encontrar aloés e mirra, substâncias aromáticas usadas na antiguidade, como também um composto chamado natron, usado na Palestina para desidratar os cadáveres.
e) Imagens florais
Dr. Alan Wanger, pesquisador do Sudário, identificou imagens de flores impressas de forma tênue em várias partes do tecido. Pediu ajuda a um dos maiores botânicos de Israel, Avincam Danin, para identificar as espécies. Avincam as identificou como plantas de Jerusalém e regiões vizinhas e encontrou ainda outras imagens por conta própria. Em especial, três espécimes que são exclusivas de Jerusalém e Mar Morto: Zigophilum Dumosum, Gundelia Tournefortii e Pistacia Lentiscus. A Zigophilum só floresce num breve período de primavera, entre abril e maio.
f) Moedas nos Olhos
As imagens tridimensionais do Sudário produzidas pelo VP8 da Nasa evidenciaram formas circulares colocadas sobre as pálpebras do Homem do Sudário. Elas coincidem no tamanho e na forma com dois tipos de moedas cunhadas na Palestina – os lepta – que não traziam a efígie do César, coisa proibida pelos judeus. Sobre o olho direito foi identificado um dilepton, com a imagem de um cajado (o lituus), e sobre o supercilho esquerdo um lepton com a imagem de um cálice para as libações aos deuses (o simpulum). Ambos foram cunhados na Palestina, no ano de 29 e deixaram de circular a partir do ano 32 D.C. Na borda do dilepton lituus aprecem as letras UCAI, parte da inscrição grega TIBERIOU CAISAROS. Há um erro de ortografia na moeda, que deveria grafar em grego Kaisaros, não Caisaros. Na Palestina foi encontrado um modelo de moeda com este erro. Na borda do lepton simpulos aparece a inscrição grega LIS, que signifrica “ano 16”. O 16º ano do reinado de Tibério corresponde ao ano 29-30 da era cristã.
g) Carbono 14
Em 1988 foram retirados pedaços do tecido do Sudário para a análise do carbono 14. O carbono 14 é uma forma radioativa de carbono presente nos seres vivos, e vai desaparecendo de forma regular a partir do momento em que estes morrem. Essa regularidade permite calcular a idade de um material. Os pedaços da amostra foram enviados a quatro laboratórios: Tucson, Arizona, Oxford e Zurich. Segundo estes testes o Sudário teria sido confeccionado entre 1260 e 1390. O resultado provocou perplexidade entre os pesquisadores do Sudário e passou por diversas críticas. Recentemente foi demonstrado pelo termoquímico Dr. Raymond Rodgers, em base à química analítica e cinética, a mistura com fibras de algodão do século XVI (devidas a um cerzido invisível) que chega a constituir 50% do ntecido escolhido para amostrars. A descoberta de Rodgers foi depois de sua morte confirmada por Robert Villareal, do laboratório de Los Alamos, em 2008, invalidando definitivamente a tese de C-14.
h) Formação da imagem
Em 1978, John Jackson, físico da NASA, organizou uma equipe de pesquisadores para analisar ao vivo o Sudário durante 5 dias e noites. O grupo tomou o nome de STURP (Shroud of Turin Research Project). A principal finalidade era a de definir como se formou uma imagem que, como já se sabia, continha as características de negatividade e tridimensionalidade. Todos os testes para identificar pigmentos, líquidos corantes ou pinceladas tiveram resultados negativo. A imagem contida no Sudário é formada pela desidratação e oxidação do revestimento externo de algumas fibras que compõem cada fio de linho. Somente as fibras superficiais são afetadas, numa profundidade de 20 micrômetros (20 milésimos de milímetro). Em cada uma delas, o efeito só atinge a camada externa de m0,2 micrômetros. É a chamada “dupla superficialidade) da imagem no Sudário. A diferença entre as áreas mais claras e mais escuras é dada pelo número maior ou menor de fibras afetadas. A densidade da imagem não varia entre a frente e o verso, indicando que a gravidade não influiu na sua formação. Houve inúmeras teorias sobre a formação da imagem do Sudário, acompanhadas por diversas tentativas de reproduzi-la: vapor, serigrafia, compostos de mirra, aloés e suor à luz do sol, baixo-relevo aquecido, pirógrafo, fotografia com materiais disponíveis na Idade Média, etc. Nenhuma até agora pôde imitar o conjunto de características do Sudário. Continua sendo uma imagem impossível de ser reproduzida segundo os conhecimentos atuais.
5 - História
A história do Sudário no Ocidente é bem documentada. Em 1349 ele é exposto na capela de Lirey, ao norte da França, por um nobre chamado Godofredo de Chany. Antes desse fato, porém, encontra-se no Oriente uma vasta literatura a respeito de um pano contendo a imagem de cristo. Uma literatura que chega aos inícios da era cristã.
a) O pano de Edessa
Uma antiga narração, conta como o rei Abgar de Edessa teria mandado embaixadores a Cristo pedindo a cura de sua lepra. A ele teria chegado um pano com a imagem de Jesus impressa. Abgar é curado e se torna o primeiro cristão. Seus descendentes, porém, voltam ao paganismo e o pano com a imagem é escondido na cidade. Em 544, durante uma enchente, o pano é encontrado num nicho escondido entre as muralhas de Edessa. Os cidadãos atribuem a ela sua vitória sobre o invasor dos persas, Cosroe I. O tecido passa a ser chamado de “Mandylion” (lençol). Nas abundantes reproduções o Mandylion aparece como um rosto de Cristo sobre um pano retangular na horizontal. Autores mencionam que o tecido é “tetradyplon”, ou seja, dobrado em dois, depois em quatro. Não se trata, portanto de um simples lenço, mas uma peça maior em tecido, da qual só se mostra o rosto. A imagem presente nele é dita “acheiropita”, o que significa “não feita por mãos humanas.” Sua descoberta afetou profundamente a iconografia cristã. As imagens de Cristo passaram ser pintadas num padrão único, dependente da forma do rosto impresso no Mandylion. Durante a crise iconoclasta do oriente ) a quebra de imagens sagradas), diversos teólogos invocam a existência do Mandylion como argumento em favor das representações sacras; entre eles André de Creta, João Damasceno, o papa Gregório II e diversas autoridades da Igreja Bizantina. A analise dessas imagens, feitas por pesquisadores como Alan Whanger, mostram uma centena de pontos de congruência com o rosto do Homem do Sudário. Entre estas, um Cristo Pantocrator do séc. VI, na abadia do monte Sinai, chega a conter mais de 250 pontos de congruência. O critério forense americano requer apenas 60 pontos de congruência para identificar duas imagens de rostos.
b) Constantinopla
Edessa cai nas mãos dos muçulmanos e se torna um sultanato árabe. Em 944, o exército do Império Bizantino sitia a cidade e, a mando do imperador Romano I Lecapeno, retira de lá o Mandylion, e o leva à Constantinopla. Sua chegada foi coberta de solenidade, e é comemorada até hoje no Oriente, no dia 16 de agosto. Nos arquivos do Vaticano se encontra um discurso pronunciado no séc. X pelo diácono Gregório Referendário, da grande Igreja de Constantinopla. No texto ele refere como a imagem não possui cores, mas é feita de “suor e gotas de sangue”. Refere que ela foi “ulteriormente embelezada com as gotas de sangue saídas do seu lado aberto”. Isso significa que o Mandylion de Edessa era visto em Constantinopla como uma imagem de corpo inteiro, não somente o rosto, como de fato testemunharam diversos ícones da época. A partir do ano 1000 a imagem de corpo inteiro do Mandylion influencia a representação dos crucifixos. Desta época em diante surge a convicção de que Jesus tinha uma perna mais c urta que a outra, refletida nos crucifixos (até hoje as cruzes bizantinas trazem um apoio para os pés em diagonal) e nas imagens de Maria com o Menino. Nestas, Jesus aparece sempre com a perna esquerda atrofiada, torta ou cruzada sobre a outra. Moedas do império bizantino apresentam efígies de Cristo que, ao serem sobrepostas ao rosto do homem do Sudário, apresentam 100 a 150 pontos de congruência. O Código Pray, de Budapeste, estabelece uma conexão inequívoca entre o lençol venerado em Constantinopla e o Sudário de Turim. Nele é representada a figura de Cristo morto, nu, com as mãos cruzadas sobre o baixo- ventre e os polegares ausentes. O lençol onde foi deposto é representado com o tramado a “espinha de peixe” e com os furos em forma de L de uma antiga queimadura, visíveis até hoje no Sudário. O documento data de 1195. No ano de 1204, Constantinopla é saqueda pelos cruzados. O cronista desse evento, Robert de Clary, escreve que, antes da invasão, “uma Sidoine” era exposta todas as sextas-feiras na igreja de Santa Maria das Blaquernas, na qual a figura de Cristo era claramente visível, mas ninguém sabe o que aconteceu ao lençol depois que a cidade foi saqueada”.
c) Período obscuro
Antes de surgir na Europa, há cerca de 150 anos de silêncio sobre qualquer tecido contendo a imagem de Cristo. Um ano após o saque de Constantinopla, o herdeiro do imperador bizantino, escreve ao ,papa Inocêncio III reclamando a devolução da “mais preciosas relíquia, o lençol em que Cristo foi envolto antes de sua ressurreição”. A relíquia estaria em Atenas. Na época, o Senhor da Grécia era Othon de La Roche, justamente o cavaleiro que tinha se hospedado no Castelo das Blaquernas. Alguns historiadores com Ian Wilson, catedrático de Oxford, baseando-se num número escasso de dados e suposições, pensaram que o Sudário teria sido guardado em segredo pela Ordem dos Templários. De fato, durante a II Guerra Mundial, um míssil alemão explodiu perto de uma antiga casa de um cavaleiro templário, em Templecombe. A explosão revelou, num subterrâneo, uma imagem escondida do rosto de Cristo com evidentes traços do Sudário. A hipótese dos templários foi reforçada por uma descoberta recente. Barbara Frale, estudiosa da história dos Templários, encontrou um testemunho no “Processo contra os templários”, há séculos guardado no Arquivo Secreto Vaticano e recentemente publicado. Trata-se do testemunho de um jovem nobre chamado Anault Sabbatier que, após ingressar na Ordem, foi conduzido num lugar secreto, onde se achava um lenços com a imagem de um homem, para venerá-lo beijando três vezes seus pés. Naquela época, todos os que tinham participado do saque de Constantinopla ou que traficavam relíquias estavam sob a excomunhão do Papa. Esse fato justifica caso a hipótese templária se confirme, o porque do segredo mantido em torno à custódia do Sudário por essa Ordem.
d) Lirey
Em 1353, o cavaleiro cruzado Godofredo de Charny (descendente de um chefe homônimo dos Templários, queimado, 40 anos antes, junto a Jacques de Molay, Superior da Ordem), constrói uma capela em Lirey e expõe o Sudário à veneração dos fiéis. A grande afluência de peregrinos ao lugar incomoda o bispo da região, Pierre d’Arcis, que apela a Clemente VII para que a detenha, alegando que o lençol é falso. O pedido é negado e o bispo é proibido de se opor às peregrinações.
e) Chambéry
Marguerite de Chamy, neta de Godofredo, cede o Sudário a Ana de Lusignan, mulher do duque Ludovico de Savoia, em 1453. A relíquia é transferida a Chambéry e fica guardada na capela do castelos dos Savoia. Na noite entre 03 e 04 de dezembro de 1532 houve um incêndio na capela de Chambéry, afetando o Sudário com marcas visíveis até hoje. Dois anos mais tarde, as irmãs Clarissas costuraram remendos no lençol, que permaneceu com elas até 2002.
f) Turim
Em 1578, São Carlos Borromeu quis ir a pé em peregrinação a Chambéry, para venerar o Sudário, em agradecimento pelo fim da peste que abatera sobre sua diocese de Milão. Ao saber disso, o duque Emanuel Filiberto de Savoia fez transferir o lençol a Turim, para evitar que o ancião bispo tivesse que atravessar a pé, os Alpes. O Sudário permanece até hoje em Turim. Em 1983, morre o rei Umberto II de Savoia, deixando em testamento o Sudário ao Papa, o qual decide que o lençol fique sempre em Turim, custodiado pelo seu Arcebispo. Em 1997, um incêndio destrói quase completamente capela do Santo Sudário, que estava sendo restaurada. O fogo não chega a afetar o Sudário, pois este ficou, durante o período de restauração, no coro-ábside da Catedral de Turim e pôde ser retirado às pressas pelos ,bombeiros.
6. O Homem do Sudário
a) Características do Homem do Sudário
A altura do Homem do Sudárioo foi estimada entre 1,75 e 1,80 m.
O índice tíbio-femural (relação entre o comprimento da tíbia e do fêmur) do Homem do Sudário é de aproximadamente 83,8, próximo ao índice dos sem itas (83,6)
b) Paixão do Homem do Sudário
1. O Homem do Sudário foi flagelado
Toda a imagem corporal do Homem do Sudário apresenta uma grande quantidade de golpes compatíveis com os de uma flagelação romana. Constituía um castigo em si mesma e podia levar à morte. Quem flagelou o Homem do |Sudário teve o cuidado de não matar a vítima, evitando os golpes sobre o coração. O resto do corpo, porém, foi sistematicamente ferido por centenas de flagelos. O tipo de açoite usado foi o Flagrum Taxilatum, composto de três tiras com duas bolas de ferro ou osso em cada ponta.. Mas há também outros sinais que não correspondem a ele, indicando talvez mais de um tipo de açoite.Foram contados 121 golpes, mas podem ter sido mais, dado que não há imagem lateral do corpo e parte dos braços da imagem foram queimados. Foram calculados entre 600 e 700 feridas, afetando 75% da pele. Reconstituindo a direção dos golpes deduziu-se que:
- Os flageladores foram dois, um mais baixo que outro;
- O Homem do Sudário foi flagelado parado, recurvado e completamente nu;
- Os golpes foram:
***18 sobre os mamilos, tórax anterior e abdômem;
***51 no baixo-ventre e genitais que provavelmente foram destroçados
***20 no braço direitos e 14 no braços esquerdo
***54 nos ombros e costas
O Homem do Sudário foi flagelado antes da crucifixão, porque o transporte da cruz esgarçou as feridas da flagelação numa área das costas.
2. O Homem do Sudário foi coroado de espinhos
A cabeça do Homem do Sudário apresenta feridas produzidas por um conjunto de objetos pontiagudos. Mais que uma coroa sugerem um cacete de espinhos, à imitação das tiaras dos reis orientais. Há cerca de 50 marcas desses espinhos, que provocaram um sangramento abundante. O Homem do Sudário foi crcificado com esse capacete, dadas as marcas que os espinhos deixara, na nuca.
3. O Homem do Sudário carregou um objeto pesado
Contusões nas costas do Homem do Sudário indicam que ele carregou uma trave pesada – com toda probabilidade, o travessão horizontal, chamado patibulum, da cruz. Segundo o costume romano, cada condenado levava o travessão da própria cruz, tendo os braços atados a ela durante trajeto. Os inchaços no rosto , o rompimento da cartilagem do nariz e o joelho esquerdo gravemente esfolado indicam que o Homem do Sudário caiu sob o peso do patíbulo sem poder defender-se com as mãos.
4. O Homem do Sudário foi crucificado com pregos
As feridas de sangue nos pulsos, nos pés, o inchaço do tórax e a distensão no abdômen do Homem do Sudário indicam que ele foi crucificado. Foi fixado na cruz não com cordas, mas com pregos. A ferida no pulso direito indica que ele ficou pendurado pelos pulsos, não pelas mãos (elas não são capazes de suportar um peso superior a 40 kg). Os pregos atravessando o pulso, ferem o nervo médio, provocando uma intensa ardência e a contração do polegar. De fato, a imagem das mãos do Homem do Sudário não mostra os polegares. A posição das pernas e dos pés indica que ambos foram fixados à cruz com um só prego. A imagem dos pés permite excluir que o Homem do Sudário tenha tido os pés apoiados num suppedaneum ou apoio de madeira, que começa a aparecer nas crucifixões romanas a partir do ano 50. A crucifixão não provocava muito sangramento, mas por outro lado levava uma grande dificuldade de respirar. A posição na cruz impedia em grande parte a exalação do ar, com a consequente tetania dos músculos e cãibras. Para tomar ar, o crucificado precisava erguer o corpo, apoiando-se nos pregos. Os diversos ângulos do fluxo sanguíneo nos braços do Homem do Sudário confirma que ele adotou as duas posições: de repouso e de elevação na cruz. Para respirar era necessário rodar os pulsos em torno dos pregos, tocando outra vez o nervo médio já ferido e provocando dores atrozes.
5. O Homem do Sudário teve o coração perfurado depois de morto
O Homem do Sudário não morreu pela quebra das pernas chamada crurifragium, mas depois de morto, teve o peito traspassado por um objeto pontiagudo, compatível em forma e dimensão com uma lança romana. A ferida é nítida, como as que são feitas num cadáver. O sangue que brota dela é sangue cadavérico, separado do soro. A lança penetrou no lado direito, reproduzindo um golpe típico ensinado aos soldados romanos. Penetrou o espaço entre a 5ª e 6ª costelas, atravessando o pulmão direito e chegando ao coração. Grande parte dos estudiosos do Sudário concorda em que a causa mortis foi a ruptura do coração, fase final de um enfarto. A parede do miocárdio se rompe, causando uma intensa dor retroestemal geralmente acompanhada de um grito. A morte ocorre em segundos, pois o sangue invade a membrana do pericárdio, causando um tamponamento no coração. O sangue do Homem do Sudário, foi dessorado depois de sua morte, decantando as partes sólidas em baixo. No momento em que a lança perfurou o coração, um jato de sangue, seguido de soro, saiu do peito da vítima deixando a marca que pode ser vista no Sudário.
6) Sepultamento do Homem do Sudário
O homem do Sudário foi sepultado segundo os costumes judaicos. O código de leis judaicas Kitzur Sulchan Aruch determina que, quando um homem morreu de forma violenta, não deve ser lavado, mas envolvido num sovev que passe por sobre sua cabeça. A sepultura foi feita com flores e aromas como a mirra e o aloés. O Homem do Sudário apresenta sinais claros de rigor mortis. Ficou na mesma posição em que estava na cruz: tórax inchado, abdômen distendido, pernas flexionadas, cabeça inclinada, pés cruzados. As nádegas não apresentam a deformação por estarem apoiadas num plano horizontal. Só os braços foram mudados de posição, ficando as mãos cruzadas sobre o baixo-ventre, uma forma costumeira de dispor os cadáveres na antiguidade. A análise computadorizada identificou o modo em que o corpo do Homem do Sudário esteve em contato com o lençol.
7. O Mistério do Sudário
De alguma forma, esse contato se interrompeu entre 30 e 40 horas depois. Isso prova pela ausência de qualquer sinal de decomposição no corpo. Um aspecto incompreensível é que o corpo deixou o lençol sem provocar nenhuma alteração ou marca de descolamento nas manchas de sangue. O Sudário antes de ser o objeto mais estudado da história, sempre foi considerado uma relíquia para os cristãos. Os Evangelistas relatam que, quando Jesus Cristo morreu, foi envolto num lençol e colocado na sepultura. Dois dias depois, os discípulos vão ao sepulcro e o encontram vazio. Nele permaneceram as “othonia”, as faixas que tinham envolto o corpo do Mestre, “keimena”, quer dizer, afrouxadas, abatidas. E o Sudário que havia estado sobre sua cabeça, não como as faixas, mas “dobrado sobre si mesmo”, em seu lugar. O discípulo que narra este fato conclui: ele viu e acreditou”. (Jo 20, 5-8)
“O Sudário é provocação à inteligência. Ele requer, antes de tudo o empenho de cada homem, em particular do investigador, para captar com humildade a mensagem enviada à sua razão e à sua vida” (João Paulo II, 24 de maio de 1998).
NR. Tudo que aqui está narrado pode ser visto em painéis explicativos no Floripa Shopping até o dia 21 de abril.