Serviços apresentam resultado positivo no primeiro semestre no município de São Paulo
Setor cresceu 10,5% nos primeiros seis meses, mas ritmo indica cenário mais cauteloso na segunda metade do ano
Os Serviços mantiveram desempenho expressivo no primeiro semestre do ano na capital paulista. Segundo os dados da Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base nas informações da Secretaria da Fazenda do Município de São Paulo (Sefaz/SP), entre janeiro e junho, o faturamento real alcançou R$ 538,3 bilhões, um crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025 — representando incremento de aproximadamente R$ 51 bilhões. [tabela 1].
[TABELA 1]
Faturamento real do Setor de Serviços — 1º semestre de 2026
Fonte: Secretaria da Fazenda do Município de São Paulo/FecomercioSP
De acordo com a FecomercioSP, o resultado mostra a capacidade de resistência do setor diante de um ambiente de juros elevados e menor dinamismo da atividade econômica. Entretanto, a composição desse crescimento merece atenção. A expansão foi particularmente forte em atividades relacionadas a intermediação, comunicação, serviços empresariais e saúde, enquanto outros segmentos apontaram crescimento mais moderado.
Atividades em expansão
O segmento de agenciamento, corretagem e intermediação acumulou faturamento de R$ 55,7 bilhões (22,7%), adicionando em torno de R$ 10,3 bilhões em comparação com o primeiro semestre de 2025. Também se destacou a atividade de mercadologia e comunicação, com faturamento de R$ 60,3 bilhões (18,6%), equivalente a aproximadamente R$ 9,5 bilhões adicionais.
Para a Entidade, a expansão dessas atividades reforça uma mudança estrutural na composição dos Serviços, com tecnologia, plataformas digitais, publicidade, dados e intermediação ganhando mais importância.
Os serviços jurídicos, econômicos e técnico-administrativos movimentaram R$ 168,3 bilhões (10,4%). Em razão do tamanho do segmento, foram cerca de R$ 15,8 bilhões adicionais em relação ao primeiro semestre de 2025, uma das principais contribuições em valores para o crescimento da pesquisa. Esse crescimento consolida a importância dos serviços especializados para as empresas em um ambiente de mais complexidades regulatória, tributária, tecnológica e trabalhista.
Os serviços de saúde, por sua vez, acumularam faturamento de R$ 43,2 bilhões, um crescimento de 12,1%, enquanto a construção civil atingiu aproximadamente R$ 12,7 bilhões, alta de 10,6%. As empresas do Simples Nacional movimentaram em torno de R$ 57,6 bilhões, um crescimento de 8,5%, representando R$ 4,5 bilhões adicionais.
Já os serviços técnico-científicos expandiram 6,7%, ao passo que os serviços bancários, financeiros e securitários avançaram aproximadamente 5%. Conservação, limpeza e reparação de bens móveis registraram expansão de 4%, enquanto educação (2%) e representação (0,3%) registraram avanços contidos.
O segmento de turismo, hospedagem, eventos e assemelhados foi o único a apresentar retração no acumulado do primeiro semestre, com faturamento de aproximadamente R$ 11,5 bilhões, 9,3% abaixo do observado no mesmo período do ano passado, correspondendo a uma redução próxima de R$ 1,2 bilhão.
Cautela para o segundo semestre
Apesar do resultado positivo na comparação anual, o resultado foi 2,3% inferior aos aproximadamente R$ 551,3 bilhões registrados entre julho e dezembro de 2025, indicando uma perda de ritmo mediante os dados mais recentes do setor. A comparação entre semestres deve ser interpretada com cautela em razão dos efeitos sazonais, mas serve como indicador complementar da dinâmica da economia.
As atividades serviços técnico-científicos (-11%), construção civil (-10,2%), turismo, hospedagem e eventos (-10,1%), Simples Nacional (-6,8%), representação (-6,5%) e serviços bancários, financeiros e securitários (-4,2%) ficaram abaixo do segundo semestre do ano passado.
Por isso, a FecomercioSP orienta os empresários a priorizarem capital de giro e liquidez em detrimento de investimentos estruturais enquanto o custo do crédito seguir elevado, além de investir em retenção e produtividade da equipe atual antes de expandir o quadro, aproveitando o mercado de trabalho aquecido e monitorando de perto o cenário de juros e o calendário político-eleitoral antes de assumir compromissos financeiros de longo prazo.
Setor faturou R$ 96,4 bilhões em junho na capital
Os segmentos de serviços da capital paulista alcançaram faturamento de R$ 96,4 bilhões, um crescimento de 13,2% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 11,8% [tabela 2].
[TABELA 2]
Faturamento real do Setor de Serviços — junho/2026
Fonte: Secretaria da Fazenda do Município de São Paulo/FecomercioSP
Em junho, todas as atividades de serviços analisadas no município registraram crescimento do faturamento real em relação ao mesmo mês de 2025, com exceção de turismo, hospedagem, eventos e assemelhados. No acumulado em 12 meses, tanto esse segmento quanto a atividade de representação mostraram resultados negativos.
Nota metodológica
A partir de janeiro de 2026, os últimos 13 meses da série da Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS) foram reprocessados, com a incorporação do segmento de apostas online. Ao incorporar essa atividade, a pesquisa passa a oferecer um sinal mais preciso sobre possíveis mudanças na alocação da renda das famílias, antecipando pressões sobre o consumo em segmentos tradicionais do comércio e serviços. Assim, para fins de comparabilidade histórica, as análises referentes a períodos anteriores a janeiro de 2025 devem considerar os totais excluindo-se essa categoria, de modo a evitar distorções na leitura da série. Trata-se de um avanço metodológico relevante, que aproxima o indicador da realidade atual do setor de serviços.
Sobre a FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.