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Combustíveis e carnes desaceleram custo de vida na RMSP, mas risco geopolítico ameaça alívio no segu

Monday, 27 de July de 2026

Combustíveis e carnes desaceleram custo de vida na RMSP, mas risco geopolítico ameaça alívio no segundo semestre
 
Deflação observada em junho pode ser temporária diante dos impactos do conflito no Irã sobre as cadeias globais
 
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), indicador da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), apontou deflação de 0,03% em junho, na comparação com o mês anterior. O principal motivo para o primeiro resultado negativo do ano na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) foi o decréscimo do grupo de transportes, que apontou redução de 0,60%, e a queda nos preços das carnes. O grupo de transportes influenciou em 0,13 ponto porcentual (p.p.) o resultado geral do CVCS.
 
[Gráfico 1]
Custo de vida por classe social — série Histórica

Fonte: IBGE/FecomercioSP
 

O resultado foi influenciado pelos preços internacionais do petróleo e pelo câmbio, que estavam mais favoráveis no período. No varejo, o etanol variou -3,6%, enquanto a gasolina recuou 0,9% e o óleo diesel caiu 0,8%. Nos Serviços, por sua vez, a passagem aérea avançou 4,7%, pressionada pelo encarecimento do querosene de aviação e pela demanda aquecida de meio de ano. Assim, a queda dos combustíveis, embora real, foi parcialmente compensada pelo encarecimento dos deslocamentos aéreos.
 
De acordo com a FecomercioSP, embora o custo de vida tenha apresentado redução e a queda da arroba do boi ainda possa contribuir para o alívio nos preços das carnes, o segundo semestre começa com uma preocupação quanto aos desdobramentos da retomada do conflito no Irã. A continuação do conflito pode encarecer a cadeia logística global e afetar diversos produtos, criando um cenário que, somado às altas consecutivas de serviços de habitação, saúde e transporte aéreo, pode fazer com que o alívio no custo de vida não se repita em julho.
 
É importante ressaltar que, apesar da queda mensal, o CVCS acumulou alta de 3,09% no primeiro semestre, ficando acima dos 2,79% registrados no mesmo período de 2025. Em 12 meses, o indicador avançou 5,01%, com desaceleração em comparação com os meses anteriores, mas ainda em patamar elevado.
 
[Tabela 1]
Custo de vida por classe social — junho/2026

Fonte: IBGE/FecomercioSP

 
Em junho, a redução do custo de vida foi uniforme entre as faixas de renda, com variações próximas a zero: -0,06% para a classe B, -0,03% para a C, -0,02% para a E e praticamente estável nas classes D (0,00%) e A (0,01%). Contudo, no acumulado em 12 meses, as classes D (5,70%) e E (5,57%) seguem bem acima das classes B (4,47%) e A (4,64%), reflexo do maior peso de habitação e alimentação no domicílio para o orçamento das famílias menos abastadas.
 
[Tabela 2]
Custo de vida por classe social

Fonte: IBGE/FecomercioSP

Alimentação e bebidas contribuem para queda
 
O segundo grupo com maior peso no resultado geral foi alimentação e bebidas, que caiu 0,04%, influenciado, sobretudo, pelas carnes, que apontaram redução expressiva, como no caso da alcatra (-3,3%) e do contrafilé (-2,6%). O movimento reflete a deflação da arroba do boi, com desaceleração de quase 10% nos dois últimos meses.
 
Contudo, alguns itens registraram alta, como o feijão-carioca (8,4%), a batata-inglesa (10,8%) e a cebola (10,7%). As elevações, no entanto, foram compensadas pelas quedas apontadas também entre os hortifrútis, como no caso do brócolis, que recuou 5,4%. Nos serviços, a alimentação fora do domicílio avançou 0,05%.
 
Já os artigos de lar apontaram a maior alta do mês (0,82%), influenciados pelos televisores (2,5%) e pelos microcomputadores (3,0%). No primeiro caso, o movimento reflete a demanda aquecida pela Copa do Mundo, somada a um câmbio ligeiramente mais pressionado. O fogão (-3,0%) e o refrigerador (-2,8%), por usa vez, recuaram, reforçando a leitura, de acordo com a FecomercioSP, de demanda pontual, e não de pressão generalizada de custos.
 
Habitação avançou apenas 0,14%, após o resultado expressivo de maio: a energia elétrica residencial, que havia subido 3,7%, recuou 1,7% no mês. Na saúde, houve alta de 0,09%. A subida ficou concentrada em itens de higiene e beleza, que variaram 2,3% (no caso dos perfumes), e 1,7% (entre as maquiagens), enquanto os medicamentos apontaram movimentos mistos.
 
Os serviços de psicólogo (0,8%), médico (0,8%) e dentista (0,6%) seguiram avançando, indicando uma pressão estrutural no grupo, que acumulou alta de 5,92% em 12 meses.
 
Índice de Preços no Varejo (IPV)
 
O IPV terminou o mês de junho com estabilidade, variando -0,09%. O indicador acumulou alta de 3,24% no ano. Nos últimos 12 meses, a variação foi de 3,96%. Em 2025, o índice acumulava crescimentos de 2,47%, entre janeiro e junho, e de 6,57%, entre julho de 2024 e junho de 2025.
 
Dentre os oito grupos que compõem o IPV, quatro encerraram o sexto mês do ano com decréscimo em suas variações médias: educação (-1,82%), transportes (-0,95%), saúde e cuidados pessoais (-0,15%) e alimentação e bebidas (-0,10%).
 
A maior contribuição negativa foi observada no grupo de transportes e, na sequência, em alimentação e bebidas. Para as classes E e C, as variações mensais foram, respectivamente, de -0,04% e -0,09%. Já para as classes A e B, foram de -0,15% e -0,12%.
 
Índice de Preços nos Serviços (IPS)
 
Por fim, o IPS avançou 0,03% no sexto mês do ano, acumulando altas de 2,92%, em 2026, e de 6,13%, em 12 meses. No ano passado, o índice acumulava 3,12%, entre janeiro e junho, e 5,61%, entre julho de 2024 e junho de 2025.
 
Despesas pessoais (-0,02%), educação (-0,02%) e habitação (-0,12%) foram as principais quedas no mês. Entretanto, a contribuição de saúde e cuidados pessoais (0,40%) colaborou com o avanço geral do grupo, enquanto alimentação e bebidas, com alta de 0,05%, exerceu a segunda maior pressão de alta.
 
Para as classes A e E, as variações mensais foram, respectivamente, de 0,15% e 0,08%. Já para as classes B e C, de -0,01% e 0,04%.
 
Nota metodológica
CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.
 
Sobre a FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.


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