
Fotos: Reprodução/PF e Gustavo Moreno/STF
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma nova proposta de acordo de delação premiada no âmbito das investigações do caso Master, que apura fraudes bilionárias no sistema financeiro. O material, porém, já provocou um atrito, como conta Mônica Bergamo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, teve uma discussão áspera com os advogados, por considerar que o conteúdo não corresponde ao que já foi apurado pela Polícia Federal. O material, organizado em anexos temáticos, deveria detalhar as relações do banqueiro com diferentes personagens, incluindo políticos de diversos espectros ideológicos, com predominância de figuras do Centrão. Uma das reclamações de Mendonça é a ausência de detalhamento sobre a relação entre Vorcaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem o banqueiro disse, em conversa privada, ter se reunido. O fundo de pensão dos funcionários do Amapá, comandado por um aliado de Alcolumbre, aplicou R$ 400 milhões em títulos de alto risco do Master. Mendonça pode rejeitar a delação. (Folha)
Mesmo com as lacunas apontadas por Mendonça, os investigadores da PF e da PGR devem confrontar as informações apresentadas por Vorcaro com o material já reunido na Operação Compliance Zero, incluindo dados extraídos do celular do ex-banqueiro. A delação só deve avançar caso as autoridades considerem que as informações acrescentem elementos inéditos às apurações em curso. (Estadão)
Essa é a segunda tentativa de Vorcaro de fechar o acordo. Na vez anterior, tanto a PF quanto a PGR consideraram fraco o que foi entregue pelo banqueiro e solicitaram a apresentação de novas informações. (g1)
O STF, por sua vez, sinalizou que a devolução integral dos recursos desviados será condição central para eventual homologação de um acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro. A exigência envolve tanto valores mantidos no Brasil quanto no exterior. Nos bastidores, a avaliação é de que o ressarcimento deverá ser imediato, sem possibilidade de parcelamento nos moldes adotados em acordos da Operação Lava Jato. (g1)
Conheça os próximos passos e o que está em jogo no acordo de delação de Vorcaro. (Folha)