
Foto: Luiz Silveira/STF
O ministro do STF Dias Toffoli parece ter entendido que a partir de agora qualquer manifestação que tiver em qualquer ação relacionada ao caso do Banco Master há de despertar toda sorte de suspeitas. Nesta quarta-feira, Toffoli declarou-se suspeito para analisar o pedido de instalação da CPI do Banco Master. “Declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo”, afirmou o magistrado em documento. A manifestação ocorre em meio à expectativa sobre o papel de Toffoli no julgamento que será realizado a partir de sexta-feira, na Segunda Turma do STF, quando os ministros decidirão se Daniel Vorcaro, dono do banco, permanecerá preso. O pedido para que o Supremo determine a instalação da CPI foi apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Segundo o parlamentar, embora 201 deputados tenham assinado o requerimento para a criação da comissão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se recusa a dar andamento ao processo. (Folha)
Com decisão de Toffoli, o ministro Cristiano Zanin foi o sorteado para relatar o mandado de segurança que solicita a criação de uma CPI destinada a investigar a relação entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). (Metrópoles)
No Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem usando as sessões semipresenciais para escapar da pressão pela abertura da CPI do Master, conta Malu Gaspar. O fundo de pensão dos servidores do Amapá, o Amprev, aplicou irregularmente R$ 400 milhões em letras do banco de Daniel Vorcaro, em uma operação comandada por um apadrinhado do senador. (Globo)
Enquanto isso, uma empresa ligada ao vice-presidente do União Brasil e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag. As informações constam de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência financeira vinculado ao Banco Central. Os repasses ocorreram após as eleições de 2022 — em dezembro daquele ano — e continuaram entre março de 2023 e maio de 2024. Procurado, ACM Neto confirmou ter recebido os valores e afirmou que eles correspondem a serviços de consultoria prestados às empresas. (UOL)
Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já demonstram preocupação com os possíveis efeitos políticos do escândalo envolvendo o Master e Daniel Vorcaro nas eleições de 2026. Segundo relatos de ministros, começou a ganhar força dentro do governo a discussão sobre uma estratégia para atribuir parte da responsabilidade pela crise ao Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto, entre 2019 e 2024. (g1)
No mesmo período que o Master enfrentava problemas de caixa e já era alvo de investigação da Polícia Federal, o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro registrava forte crescimento. Entre 2023 e 2024, a fortuna do banqueiro aumentou 87%. Segundo dados das declarações de Imposto de Renda enviadas à Receita Federal, Vorcaro informou possuir R$ 1,417 bilhão em patrimônio na declaração referente a 2023. Já na declaração apresentada em 2025, relativa ao ano fiscal de 2024, os bens declarados somavam R$ 2,64 bilhões. O avanço patrimonial ocorreu no mesmo período em que o BC já identificava irregularidades na operação de compra de carteiras de crédito pelo Master e monitorava a situação financeira da instituição. (g1)
Pedro Doria: “A Pesquisa Meio/Ideia, que divulgamos na quarta-feira, registra que 54% dos brasileiros não acham que Jair Bolsonaro tentou um golpe de Estado. Como explicar isso e de que forma essa percepção envolve a deterioração na imagem do STF?” Confira a análise no Ponto de Partida. (Meio)