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Escritor e Poeta
Natural de São Bento do Sul,SC, casado com Karim Voigt, pai de 2 filhas: Daniela e Fernanda e 1 filho: Fábio Luis, 1 neta Giovanna e 1 neto Eduardo.
Membro da Academia Parano-Catarinense de Letras, ocupando a cadeira de nr. 41.
Membro da Diretoria da Oficina de Poetas - formação de jovens poetas nas escolas públicas.
Membro da Academia de Letras Infanto-Juvenil para Santa Catarina
Municipal de São Bento do Sul
Mérito Literário do Instituto Montes Ribeiro de Curitiba/Pr
Conheci o Willie lá pelos idos dos anos 70, magro, voz suave e alegre, o coroa de 65 anos era um garçom cordial que sabia conduzir a vida com toda a leveza de sua alma iluminada. De família tradicional de bananicultores de Corupá/SC, cedo fora internado num seminário de padres capuchinhos em Curitiba, aprendeu muito sobre a Bíblia, quase nada sobre a vida.
Aos 18 anos inseriram-no no mercado de trabalho... auxiliar de guarda-livros, profissão rotineira e enfadonha que compensava com as noitadas nos inferninhos e “snooker-bars” da metrópole. Tornou-se um excelente jogador de sinuca e carteado.
Confessou-me um dia: “Não tive tempo para namorar, nem casar, o jogo absorveu minha vida, sou o último sobrevivente da família, a pequena herança que eles me deixaram torrei na jogatina”.
Jogador compulsivo, demitiram-no do trabalho, pois raramente aparecia no escritório.
Do modesto quarto de pensão estava prestes a ser despejado, problemas à vista, necessitava de uma renda para sobreviver,e, jogar...
Na rotineira ronda da noite pelos cassinos clandestinos, um italiano proprietário do Bar do Vizinho, que conhecia as habilidades do moço, propôs-lhe: “Você vai ser meu “snooker-man”. (*) E assim foi... “Patos” abundavam a seara dos jogos de tacos do boteco.
A comissão proposta pelo proprietário garantia-lhe o sustento, com sobras, o jogo pelas madrugadas apaziguava-lhe a compulsão.
Curitiba se modernizava, o pequeno boteco adernava em mares bravios.
Mudança de ares, ao interior... o Bar do Vizinho aportava em São Bento do Sul/SC como uma nova opção de lazer e entretenimento. Tempos inesquecíveis.
Madrugadas incríveis nas mesas de pano verde sob luz neón, e o Willie comandava o espetáculo: “Joga vizinho, é a sua vez”. E as bolas coloridas ziguezagueavam rumo as caçapas de couro marrom.
Inesquecíveis noitadas dos “Cuba-Libres”, caipirinhas de rum, bolinhos de carne, petiscos de frango com azeitonas, salsichas cozidas com raiz forte.
Efeitos colaterais?
O sorriso daquele menino magro de 75 anos, bigodes brancos, sapatos creme com polainas claras, calças folgadas sustentadas pelos indispensáveis suspensórios azuis.
*“snooker man” - jogador pago para jogar pela casa.