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SC conquista centros tecnológicos de R$ 385 milhões para setor de óleo e gás

Sexta, 06 de março de 2026

SC conquista centros tecnológicos de R$ 385 milhões para setor de óleo e gás
Empreendimentos serão instalados no Instituto SENAI de Inovação em Joinville e são resultado de parceria entre o SENAI/SC e a Petrobras; o anúncio dos investimentos é nesta sexta-feira (6), em evento com o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, e o governador Jorginho Mello, às 11h, no Instituto SENAI em Joinville
Centros serão instalados junto ao Instituto SENAI de Inovação em Joinville
  • Investimentos de R$ 385 milhões em centros tecnológicos em Santa Catarina;
  • Projetos do SENAI/SC foram aprovados em chamada pública da Petrobras;
  • Exemplo de aplicação: conectores de dutos do pré-sal com tecnologia de altíssima precisão e elevada complexidade técnica;
  • Além dos segmentos de óleo e gás, a estrutura também será útil a setores como automotivo, aeroespacial, energia, naval, mineração e transporte; e
  • O Instituto SENAI de Inovação de Joinville já desenvolve tecnologias de alto impacto com empresas como Petrobras, Tupy, Furnas e Embraer.

Florianópolis, 06.03.2026 - Com investimentos de R$ 385 milhões, Joinville se transformará em um polo de tecnologia de excelência em desenvolvimento de equipamentos de grande porte para o setor de óleo e gás. Três centros tecnológicos serão instalados no Instituto SENAI de Inovação e são resultado de parceria entre o SENAI/SC e a Petrobras

O anúncio dos investimentos é nesta sexta-feira (6), em evento com o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, e o governador Jorginho Mello, às 11h, no Instituto SENAI em Joinville. 

Entre as estruturas, está o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo). O projeto, apresentado pelo SENAI de Santa Catarina, foi selecionado em chamada pública da Petrobras, em nome do Consórcio Libra - parceria entre a estatal, a Shell Brasil, TotalEnergies E&P, CNOOC Petroleum Brasil e CNODC Brasil.

O Cetemo, orçado em R$ 283 milhões, se une aos Centros Tecnológicos de Robótica e a Laser, que também são resultado de parceria entre os Institutos SENAI de Inovação em Joinville e a Petrobras. Os acordos foram firmados em 2023 e os dois centros estão em fase de implantação, com mais de R$ 102 milhões em investimentos. Essas duas estruturas estarão focadas na evolução tecnológica em manutenção aditiva a laser e robótica para o setor de óleo e gás. Entretanto, outros segmentos industriais, como o automotivo, aeroespacial, energia, naval, mineração e de transporte, também serão beneficiados.

Seleme afirma que a nova estrutura traz uma série de oportunidades para a ampliação da competitividade nacional no setor de óleo e gás e para o desenvolvimento da cadeia metalmecânica da região. 

“O Brasil passa a incorporar uma tecnologia que ainda não domina e, de imediato, Santa Catarina se beneficiará de parcerias internacionais”, explica o presidente da FIESC.

 

“Além disso, o novo centro promoverá o desenvolvimento de uma cadeia nacional e regional de suprimentos”, acrescenta Seleme, ao lembrar que, em um raio de 100 quilômetros de Joinville, existem pelo menos uma dezena de indústrias de fundição que podem absorver o fornecimento de peças de elevado valor agregado à Petrobras e outras empresas do setor. O Cetemo inclui edificação física de 3,3 mil metros quadrados e aquisição de equipamentos inéditos no Brasil. A nova estrutura deverá entrar em operação em aproximadamente 36 meses.

Desenvolvimento de tecnologias e capacitação profissional

“O modelo de negócios a ser adotado prevê o uso das máquinas por empresas parceiras para a fabricação de componentes, mas sua ênfase continuará nas atividades-fim do SENAI: desenvolvimento de novas tecnologias, que é o foco dos institutos de inovação, além da educação profissional”, diz o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira. 

“Nós vamos desenvolver novas tecnologias que podem ser incorporadas pela própria parceira e por outros fornecedores”, acrescenta Pereira.

Nos últimos anos, os Institutos de Inovação do SENAI em Joinville e em Florianópolis desenvolveram uma série de equipamentos, dentre os quais, estão os robôs de pintura de plataformas marítimas (que aumenta a segurança do trabalho e reduz custos) e de limpeza de dutos do pré-sal (também visando à redução de custos). “Os centros tecnológicos que estamos estruturando são plataformas estratégicas de inovação que fortalecem a capacidade da indústria brasileira de desenvolver soluções de alto valor agregado e impulsionam a formação de talentos para setores como o automotivo, aeroespacial, naval, energia e mineração”, elenca Pereira.

 

Cézar Siqueira, gerente geral de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o desenvolvimento da produção do Centro de Pesquisas CENPES da Petrobras, explica que o investimento em tecnologia nacional e o fortalecimento da cadeia de fornecedores brasileiros é um compromisso da entidade. 

“Os centros tecnológicos que estão sendo desenvolvidos são fundamentais para acelerar a inovação em áreas estratégicas, além de contribuir para elevar a produtividade, reduzir riscos operacionais e ampliar a competitividade da indústria nacional. É um importante passo rumo a uma Petrobras cada vez mais sustentável, eficiente e conectada com o futuro”, frisa Siqueira. 

Neoindustrialização

O cronograma final de instalação do novo centro, bem como o orçamento final serão fechados nas próximas etapas de negociação com a Petrobras. As máquinas serão fabricadas especificamente para o Cetemo por fornecedores de países como a Alemanha e o Japão.

Segundo o gerente de Tecnologias Aplicadas da Petrobras, Vinicius de França Machado, os resultados esperados são “a pesquisa e desenvolvimento de novas soluções mecânicas, a construção e testagem de protótipos de novas tecnologias e a realização de engenharia reversa e análise de falha de equipamentos danificados em busca de melhorias”. Também integra o escopo da iniciativa a capacitação e treinamento de profissionais e pesquisadores na área “para desenvolver a indústria nacional de manufatura e usinagem de equipamentos com as tecnologias de ponta do cenário mundial atual”.

Os investimentos estão em linha com a Resolução da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que estabelece normas para a aplicação de recursos em projetos no setor de petróleo e gás.

Soluções tecnológicas customizadas

Exemplo do que pode ser fabricado no local são os conectores para dutos do pré-sal. Estes dispositivos têm peso e dimensão da ordem de 10 toneladas e mais de 40 polegadas de diâmetro. São produzidos com as ligas de aço duplex e superduplex. “Quando são conectados aos dutos, é necessário que seja garantido vazamento zero, ou seja, nenhuma gota de petróleo pode cair no oceano”, explica o pesquisador-chefe dos Institutos SENAI de Joinville, Luís Gonzaga Trabasso. 

Isto significa que, além da elevada dimensão e peso, os conectores exigem uma tecnologia extremamente avançada. Além disso, ao estimular a fabricação nacional, a Petrobras tem ganho no menor tempo de parada das plataformas em caso de peças danificadas ou desgastadas.

Inovação para o setor industrial

Além do Cetemo, Joinville receberá outras duas estruturas. “O Centro Tecnológico de Robótica será composto por uma nova estrutura física e equipamentos e prioriza o desenvolvimento de robôs para o setor industrial e outras aplicações, especialmente para testes e simulados de tecnologias off-shore e on-shore”, explica o pesquisador-chefe dos Institutos SENAI em Joinville. Entre seus laboratórios, o CT Rob terá uma piscina para testes de resistência de itens submersos.

O Centro Tecnológico de Laser, por sua vez, prevê a aquisição, entre outros equipamentos, de um tomógrafo da alemã Zeiss, e a certificação com o instituto Norueguês DNV (Det Norske Veritas), referência mundial em seguridade de estruturas marítimas.

CTROB deve ser concluído até junho de 2027.
 
 

Indústria naval fortalecida

Entre os possíveis clientes destes novos centros está a indústria naval catarinense, cujo polo é Itajaí, onde está em andamento a construção de quatro fragatas da Classe Tamandaré, de elevada complexidade tecnológica, para a Marinha do Brasil. “A construção dessas quatro fragatas vai robustecer a indústria naval catarinense e a presença de um centro nos moldes do Cetemo deve potencializar ainda mais este segmento”, comenta Seleme. 

 

Orçado em R$ 9 bilhões, o projeto já iniciou a montagem da segunda unidade e, durante sua execução, deve gerar 2 mil empregos e 6 mil indiretos. Serão escoltas versáteis e modernas com alta capacidade de combate, vigilância e reação. A expectativa é que o índice de nacionalização dos componentes seja acima de 30% para o primeiro navio e de 40% para os demais. “O projeto das fragatas tem os propósitos de elevar os índices de conteúdo local e promover a transferência de tecnologia no segmento naval; tal qual o Cetemo em relação à extração de petróleo do pré-sal”, acrescenta o presidente da FIESC.



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