
Foto: Gustavo Lima/STJ
O Superior Tribunal de Justiça afastou o ministro Marco Buzzi de suas funções enquanto são investigadas denúncias de assédio sexual. A decisão foi unânime e vale mesmo após o magistrado apresentar um atestado médico de 90 dias. Durante o afastamento, Buzzi não poderá usar o gabinete, o carro oficial e outras prerrogativas do cargo. Uma comissão interna do tribunal vai se reunir em 10 de março para avaliar o andamento das apurações. Também há investigações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro é alvo de duas denúncias. A primeira envolve uma jovem de 18 anos, filha de amigos do magistrado. Um segundo relato foi encaminhado ao CNJ. Segundo fontes, o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, ouviu a nova denunciante e registrou oficialmente a acusação. (Metrópoles)
A nova denúncia de assédio sexual apresentada por uma ex-assessora do gabinete do ministro foi decisiva para que o STJ determinasse o afastamento de Buzzi. O relato chegou ao conhecimento de ministros no fim da semana e foi formalizado na segunda-feira em depoimento ao CNJ. A denunciante é funcionária terceirizada do STJ, deixou o gabinete de Buzzi, mas segue lotada em outra área do tribunal. A identidade dela será mantida em sigilo. (Globo)
Buzzi chegou a enviar mensagens aos colegas da Corte afirmando que jamais adotou qualquer conduta que “envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”. Nas mensagens, ele disse estar “muito impactado” pelas notícias e informou que se encontra internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional. Afirmou ainda que as acusações têm causado sofrimento a seus familiares. (Poder360)
O desabafo aos colegas não adiantou. A sessão que decidiu pelo afastamento de Buzzi foi marcada por um clima de tensão e silêncio. Segundo relato de um integrante da Corte a Carolina Brígido, os ministros permaneceram “calados e perplexos” enquanto Francisco Falcão fazia a leitura do relatório. A reunião foi realizada a portas fechadas nesta terça-feira, em razão do sigilo imposto às acusações. Um ministro relatou que “ninguém piscava” durante a apresentação dos relatos e classificou a situação como “aterrorizante”, o que levou à votação unânime pelo afastamento. (Estadão)