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A debandada silenciosa: Por que o Paraguai é a nova fronteira estratégica da América do Sul?

Terça, 02 de dezembro de 2025


A debandada silenciosa: Por que o Paraguai é a nova

fronteira estratégica da América do Sul?

 

Enquanto o Brasil debate reformas e enfrenta um cenário de instabilidade, uma migração

silenciosa está redesenhando o mapa de investimentos do continente. Nos últimos anos, vi

de perto mais de 250 mil brasileiros e um número crescente de empresas, incluindo

gigantes como a Lupo, cruzarem a fronteira, atraídos por um ambiente de negócios que o

Brasil parece ter esquecido como oferecer.

 

O Paraguai, por muito tempo visto apenas como um destino de compras, transformou-se na

nova fronteira de oportunidades. E os números que presenciamos em campo comprovam:

em 2024, o país concedeu mais de 17 mil residências a brasileiros, que representaram mais

de 60% de todos os novos imigrantes. Mas o que está por trás dessa debandada? A resposta

vai muito além de uma planilha de custos.

 

Após anos de trabalho, construção de networks e negócios efetivados no país, consolidando

o Grupo Linz como um elo estratégico entre empresários brasileiros e o ecossistema

paraguaio, percebi que o verdadeiro diferencial competitivo não está nos números, mas nas

pessoas. Como costumo dizer:

 

“Mais de 40% do sucesso das empresas no Paraguai vem de entender a

cultura paraguaia. Não é somente usufruir, é sim, viver o Paraguai.”

 

É essa compreensão que determina a fluidez das operações e a sustentabilidade dos

projetos. Empresas que chegam preparadas para se integrar — e não apenas para se

aproveitar de benefícios — são as que prosperam.

 

O "Custo Brasil" expulsa, o Paraguai acolhe

A recente decisão da Lupo de investir R$ 30 milhões em uma nova fábrica no Paraguai,

projetando uma redução de custos de até 28%, é o sintoma mais visível de um movimento

que acompanhamos de perto. O país estruturou um ecossistema para atrair negócios,

baseado no famoso sistema "10-10-10" e no Regime Maquila, que oferece um imposto

único de apenas 1% sobre o valor agregado para produtos exportados. O resultado? Em

2024, vimos 370 novas empresas se instalarem no país, um salto de 130%.

 

Indicador Brasil Paraguai

Carga Tributária sobre o PIB ~34% ~14%

Imposto de Renda Corporativo 34% (IRPJ + CSLL) 10%

Burocracia Elevada Reduzida

Segurança Jurídica Instável Estável

 

A nova rota da riqueza da América do Sul

O que torna o Paraguai tão atraente, no entanto, vai além da economia tributária. O país

está no centro de uma revolução logística. A Rota Bioceânica, um corredor rodoviário de

quase 2.400 km que ligará o Atlântico ao Pacífico, está em fase final de construção e deve

operar plenamente em 2026.

 

Nossa experiência na região mostra que, com a nova rota, o tempo de viagem de

mercadorias para a Ásia será reduzido em até 17 dias, com uma queda de 30% nos custos

de frete. O Paraguai, que já possui a terceira maior frota de barcaças do mundo, consolida-

se como o hub logístico do Mercosul, atraindo investimentos globais.

 

O mercado que ninguém vê

Enquanto muitos focam na exportação, um mercado interno vibrante floresce. Com o maior

crescimento do PIB da América Latina em 2024 (4,25%) e uma classe média em franca

expansão, o consumo interno paraguaio explodiu. O setor imobiliário é um reflexo direto,

com uma valorização média de 8% ao ano e um crescimento de 12% no investimento

estrangeiro direto apenas em 2024. Não à toa, personalidades como o apresentador

Ratinho (Carlos Massa) anunciaram residência permanente no país, citando a facilidade

para investir.

 

Uma decisão estratégica, não uma solução mágica

O Paraguai de 2025 não é mais uma promessa, é uma realidade. A janela de oportunidade

para se posicionar neste novo eixo de crescimento está aberta, mas exige preparação. As

parcerias que construímos ao longo de anos formam hoje uma rede de conhecimento que

vai além do acesso a informações públicas. É um capital relacional que só se constrói com

presença e compromisso.

 

Internacionalizar não é mais uma opção, mas uma necessidade. E para aqueles que avaliam

essa jornada, o Paraguai representa uma oportunidade histórica. Contudo, é preciso clareza:

não se trata de uma solução mágica, mas de uma decisão estratégica que exige assessoria

qualificada e, acima de tudo, disposição para compreender e respeitar uma cultura

empresarial única.

 

O momento é agora. E aqueles que souberem combinar visão estratégica com

conhecimento local terão a chance de participar de uma das transformações econômicas

mais significativas da nossa região.

 

Jonathan Roger Linzmeyer

Diretor de Relações Internacionais da Fundação Empreender

Empresário, Conselheiro Consultivo e Mentor de Internacionalização do Grupo Linz



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