A debandada silenciosa: Por que o Paraguai é a nova
fronteira estratégica da América do Sul?
Enquanto o Brasil debate reformas e enfrenta um cenário de instabilidade, uma migração
silenciosa está redesenhando o mapa de investimentos do continente. Nos últimos anos, vi
de perto mais de 250 mil brasileiros e um número crescente de empresas, incluindo
gigantes como a Lupo, cruzarem a fronteira, atraídos por um ambiente de negócios que o
Brasil parece ter esquecido como oferecer.
O Paraguai, por muito tempo visto apenas como um destino de compras, transformou-se na
nova fronteira de oportunidades. E os números que presenciamos em campo comprovam:
em 2024, o país concedeu mais de 17 mil residências a brasileiros, que representaram mais
de 60% de todos os novos imigrantes. Mas o que está por trás dessa debandada? A resposta
vai muito além de uma planilha de custos.
Após anos de trabalho, construção de networks e negócios efetivados no país, consolidando
o Grupo Linz como um elo estratégico entre empresários brasileiros e o ecossistema
paraguaio, percebi que o verdadeiro diferencial competitivo não está nos números, mas nas
pessoas. Como costumo dizer:
“Mais de 40% do sucesso das empresas no Paraguai vem de entender a
cultura paraguaia. Não é somente usufruir, é sim, viver o Paraguai.”
É essa compreensão que determina a fluidez das operações e a sustentabilidade dos
projetos. Empresas que chegam preparadas para se integrar — e não apenas para se
aproveitar de benefícios — são as que prosperam.
O "Custo Brasil" expulsa, o Paraguai acolhe
A recente decisão da Lupo de investir R$ 30 milhões em uma nova fábrica no Paraguai,
projetando uma redução de custos de até 28%, é o sintoma mais visível de um movimento
que acompanhamos de perto. O país estruturou um ecossistema para atrair negócios,
baseado no famoso sistema "10-10-10" e no Regime Maquila, que oferece um imposto
único de apenas 1% sobre o valor agregado para produtos exportados. O resultado? Em
2024, vimos 370 novas empresas se instalarem no país, um salto de 130%.
Indicador Brasil Paraguai
Carga Tributária sobre o PIB ~34% ~14%
Imposto de Renda Corporativo 34% (IRPJ + CSLL) 10%
Burocracia Elevada Reduzida
Segurança Jurídica Instável Estável
A nova rota da riqueza da América do Sul
O que torna o Paraguai tão atraente, no entanto, vai além da economia tributária. O país
está no centro de uma revolução logística. A Rota Bioceânica, um corredor rodoviário de
quase 2.400 km que ligará o Atlântico ao Pacífico, está em fase final de construção e deve
operar plenamente em 2026.
Nossa experiência na região mostra que, com a nova rota, o tempo de viagem de
mercadorias para a Ásia será reduzido em até 17 dias, com uma queda de 30% nos custos
de frete. O Paraguai, que já possui a terceira maior frota de barcaças do mundo, consolida-
se como o hub logístico do Mercosul, atraindo investimentos globais.
O mercado que ninguém vê
Enquanto muitos focam na exportação, um mercado interno vibrante floresce. Com o maior
crescimento do PIB da América Latina em 2024 (4,25%) e uma classe média em franca
expansão, o consumo interno paraguaio explodiu. O setor imobiliário é um reflexo direto,
com uma valorização média de 8% ao ano e um crescimento de 12% no investimento
estrangeiro direto apenas em 2024. Não à toa, personalidades como o apresentador
Ratinho (Carlos Massa) anunciaram residência permanente no país, citando a facilidade
para investir.
Uma decisão estratégica, não uma solução mágica
O Paraguai de 2025 não é mais uma promessa, é uma realidade. A janela de oportunidade
para se posicionar neste novo eixo de crescimento está aberta, mas exige preparação. As
parcerias que construímos ao longo de anos formam hoje uma rede de conhecimento que
vai além do acesso a informações públicas. É um capital relacional que só se constrói com
presença e compromisso.
Internacionalizar não é mais uma opção, mas uma necessidade. E para aqueles que avaliam
essa jornada, o Paraguai representa uma oportunidade histórica. Contudo, é preciso clareza:
não se trata de uma solução mágica, mas de uma decisão estratégica que exige assessoria
qualificada e, acima de tudo, disposição para compreender e respeitar uma cultura
empresarial única.
O momento é agora. E aqueles que souberem combinar visão estratégica com
conhecimento local terão a chance de participar de uma das transformações econômicas
mais significativas da nossa região.
Jonathan Roger Linzmeyer
Diretor de Relações Internacionais da Fundação Empreender
Empresário, Conselheiro Consultivo e Mentor de Internacionalização do Grupo Linz