
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em seu discurso de abertura da Cúpula dos Líderes, que antecede a COP30, em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a criação de um plano global para pôr fim ao uso de combustíveis fósseis e afirmou que acelerar a transição energética e proteger a natureza são as formas mais eficazes de conter o aquecimento do planeta. O tom contrasta com a aprovação pelo governo, no mês passado, da exploração de petróleo na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas. Lula também voltou a cobrar responsabilidade dos países ricos. O presidente, que tem chamado o encontro de “COP da verdade", disse que a mudança do clima “é resultado das mesmas dinâmicas que, ao longo de séculos, fraturaram nossas sociedades entre ricos e pobres e cindiram o mundo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”. Por isso, em sua visão, “será impossível contê-la sem superar as desigualdades dentro das nações e entre elas”. Lula ainda criticou a própria Organização das Nações Unidas (ONU), ao declarar que “o regime climático não está imune à lógica de soma zero que tem prevalecido na ordem internacional”. (UOL)
“As florestas valem mais em pé do que derrubadas.” Foi esse o argumento usado por Lula para, durante um almoço na Cúpula dos Líderes, lançar o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Hospedado pelo Banco Mundial, o fundo é a principal aposta do governo brasileiro na COP. O mecanismo cria um sistema de investimentos que remunera países e comunidades que preservam florestas tropicais. Diferente de modelos baseados em doações, o TFFF prevê aportes de governos e investidores privados em um fundo de capital misto, aplicado em ações e títulos. Os lucros, com retorno estimado em até 8%, serão divididos entre investidores e países participantes. Segundo Lula, 20% dos recursos irão para povos indígenas e comunidades locais, com pagamentos de US$ 4 por hectare preservado. (Globo)
Por ora, o fundo soma cerca de US$ 5,5 bilhões em promessas, lideradas por Noruega (US$ 2,9 bi), França, Indonésia e Brasil (US$ 1 bi cada) e Portugal (1 milhão de euros). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comemorou que já foram levantados 50% dos US$ 10 bilhões que espera conseguir até o fim de 2026, quando termina a presidência brasileira na COP. A meta é de se conseguir US$ 125 bilhões (R$ 668 bi) no longo prazo. Mais de 50 países já manifestaram apoio ao fundo, embora poucos tenham, de fato, anunciado aportes. Confira quais nações já abriram os cofres. (Estadão)
O pavilhão principal do evento ainda estava em obras nesta quinta-feira, com diversas estruturas da Blue Zone em processo de montagem. Outros problemas também foram encontrados pelos visitantes, como falta de água nos banheiros, falhas de transmissão e internet, além do calor intenso, com o ar condicionado aparentando estar desligado. Valter Correia da Silva, secretário extraordinário para a COP30 da Casa Civil, minimizou a situação, dizendo que o grande teste do evento acontece quando as pessoas chegam e começam a usar a estrutura. (Folha)
Faltando apenas três dias para o início da COP30, 28 países ainda negociam reservas de acomodações em Belém, confirmou o secretário da COP, Valter Correia. Ele também afirma que 160 nações já estão com a hospedagem confirmada. O governo federal espera que mais de 180 países estejam com leitos garantidos até o início do evento, na segunda-feira. Para reforçar a capacidade de acolhimento, o governo contratou dois navios de cruzeiro, que chegaram da Itália, oferecendo até 6 mil dormitórios, dos quais 1.700 já foram reservados. (g1)
Agentes da Polícia Federal já abateram 31 drones irregulares que foram avistados voando em áreas onde acontece a COP30. Ao todo, o sistema de monitoramento da PF já contabilizou 316 voos irregulares. O voo de drones está proibido nas áreas de interesse da conferência e da presidência, como nas proximidades do Aeroporto Internacional de Belém, no Parque da Cidade, nos portos de Miramar e Outeiro, além de locais onde o presidente Lula estiver. (Globo)
O ano de 2025 está próximo de se tornar o segundo ou o terceiro mais quente da história, mantendo a tendência de aquecimento apresentada na última década, afirmou a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O documento divulgado a poucos dias da abertura oficial da COP30 mostra que concentrações de gases do efeito estufa e o calor nos oceanos atingiram níveis sem precedentes. Apesar de ser “praticamente impossível limitar o aquecimento global a 1,5 °C nos próximos anos”, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, ressalta que “ainda é totalmente possível e essencial reduzir as temperaturas para 1,5 °C até o final do século”. (Metrópoles)