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Mercado de trabalho paulista mantém estabilidade em agosto, mas mostra perda de fôlego

Terça, 04 de novembro de 2025

Mercado de trabalho paulista mantém estabilidade em agosto,
mas mostra perda de fôlego

 

Levantamento da FecomercioSP aponta saldo positivo no Comércio e nos Serviços, porém com ritmo mais moderado de geração de vagas e cautela empresarial diante de custos e crédito restrito 

 

No mês de agosto, o mercado de trabalho de São Paulo se manteve estável, porém menos expansivo. De acordo com levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Comércio registrou saldo positivo de 12.490 vagas formais, resultado de 150.613 admissões e 138.123 desligamentos — atingindo um novo recorde na série recente de mais de 3 milhões de vínculos formais. No acumulado do ano, o setor gerou 50.062 vagas líquidas, mantendo todos os segmentos em números positivos [tabela 1].

 

[TABELA 1]

Movimentação do Emprego Celetista no Comércio do Estado de São Paulo

Agosto de 2025

Fonte: Caged/FecomercioSP

 

Segundo a FecomercioSP, o mercado laboral segue crescendo, mas em um ritmo moderado. As empresas mantêm cautela diante de despesas elevadas e consumo mais seletivo. A continuidade dos saldos positivos dependerá da renda real, da confiança e do crédito disponível. O cenário aponta leve arrefecimento nos próximos meses, exigindo atenção especial ao planejamento de contratações para o fim do ano.

O comércio varejista mantém o protagonismo na geração de emprego, representando aproximadamente 73% do saldo total — no acumulado deste ano, abriu 23.618 vagas. Já o comércio atacadista gerou 1.904 vagas em agosto; no acumulado do ano, são 16.797 novos postos de trabalho, o que representa 33,5% do total. O segmento de comércio e reparação de veículos, por sua vez, encerrou agosto com 1.472 vínculos celetistas, acumulando 9.647 vagas desde janeiro (19,3% do saldo total).

Desaceleração marca a geração de empregos no setor de Serviços no Estado

Os Serviços em São Paulo registrou em agosto saldo positivo de 22.628 vagas formais, resultado de 386.372 admissões e 363.744 desligamentos. O dado confirma a desaceleração da geração de empregos observada ao longo do ano, já que, em comparação com o mesmo período do ano passado, o saldo é 40% inferior (37.861 vagas), com o setor perdendo o ritmo após o pico de fevereiro (84.437 vagas) [tabela 2].

[TABELA 2]

Movimentação do Emprego Celetista no Setor de Serviços do Estado de São Paulo

Agosto de 2025

Fonte: Caged/FecomercioSP

 

Entre janeiro e agosto, o setor paulista gerou 227.918 vagas. Embora positivo, é menor do que o de 2024, quando o saldo já passava de 260 mil vagas — uma queda de 13% na criação líquida de empregos.

Os serviços de educação se destacaram pela recuperação após os ajustes do primeiro semestre, enquanto a atividade de transportes permaneceu como a principal beneficiada pelas demandas logística e do e-commerce.

Setores intensivos em mão de obra, como alojamento, alimentação e administrativos seguem contratando, mas em volumes menores do que no ano passado. Apesar do saldo positivo, há perda de vagas nos principais segmentos, com crescimento mais suave e irregular ao longo deste ano. 

 

Comércio paulistano atingiu recorde, com estoque de 929 mil vagas formais

O Comércio da capital paulista registrou o melhor resultado mensal em agosto, desde fevereiro, com saldo positivo de 4.693 vagas, resultado de 44.670 admissões e 39.977 desligamentos, representando aceleração moderada após quatro meses de crescimento contínuo do emprego [tabela 3]. 

[TABELA 3]

Movimentação do Emprego Celetista no Comércio na Capital Paulista

Agosto de 2025

Fonte: Caged/FecomercioSP

 

No acumulado de janeiro até agosto, o Comércio da cidade gerou 17.410 vagas líquidas, com 345.010 admissões e 327,6 mil desligamentos. Em relação ao acumulado do mesmo período no ano passado, o crescimento foi de 28,6%, evidenciando avanço consistente no nível de emprego.

O Varejo segue sendo o principal motor de geração de vagas de trabalho, representando 80% do saldo total de postos laborais (3.768), impulsionado por contratações em setores como supermercados, farmácias e vestuário, que se beneficiam da recomposição gradual e da sazonalidade do meio de ano. No acumulado de 2025, o comércio varejista gerou 9.084 postos formais de trabalhos, representando 52% do total.

O comércio atacadista contribuiu com 563 vagas, mantendo expansão consistente. No acumulado até agosto, o setor registrou 5.618 postos, representando 32% do saldo total. Já o setor do comércio e reparação de veículos encerrou o mês de agosto com 362 novos postos, enquanto no acumulado do ano são 2.708 vagas.

Setor de Serviços da capital tem desaceleração acentuada na geração de emprego

O mercado de trabalho do setor de Serviços na capital paulista segue em expansão, porém em ritmo mais moderado. Em agosto, o estoque total de empregos formais atingiu 3,38 milhões de vínculos, ligeiramente acima do observado em julho, refletindo a desaceleração que marca o segundo semestre do ano.

Entre janeiro e agosto de 2025, o setor acumulou a criação líquida de 60.346 vagas, resultado de aproximadamente 1,17 milhão de admissões e cerca de 1,11 milhão de desligamentos. O saldo, contudo, é 23% menor que o registrado no mesmo período de 2024, quando foram abertas 78,7 mil vagas.

[TABELA 4]

Movimentação do Emprego Celetista no Setor de Serviços na Capital Paulista

Agosto de 2025

Fonte: Caged/FecomercioSP

 

O desempenho mostra uma perda de fôlego na geração de empregos, consequência do aumento nos desligamentos e nas contratações mais seletivas. O cenário reflete a adaptação das empresas a um ambiente de custos elevados e margens comprimidas, fatores que têm limitado a expansão do quadro de pessoal.

Mesmo com a desaceleração, os Serviços continuam sendo o principal motor do emprego formal em São Paulo. A expansão é sustentada, sobretudo, por segmentos de maior valor agregado, como serviços técnicos, transporte e saúde, ao passo que atividades de administração, educação e alimentação mostram sinais de estagnação ou até retração.

De acordo com a FecomercioSP, a combinação de salários pressionados, crédito restrito e menor confiança empresarial reforça o caráter mais cauteloso e defensivo da recuperação do setor. Embora o saldo de vagas siga positivo, os resultados de agosto apontam que 2025 deve encerrar com desempenho inferior ao de 2024, a menos que o último trimestre apresente uma retomada impulsionada por fatores sazonais, como o turismo e as contratações temporárias de fim de ano.

Nota metodológica

A Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP) passou por reformulação em sua metodologia e, agora, analisa o nível de emprego celetista do comércio e serviços do Estado de São Paulo a partir de dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho, passando a se chamar PESP de Comércio e Serviços.

 

Sobre a FecomercioSP

Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.



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