2º Senac Tech discute eficiência operacional, implicações éticas e segurança contra ataques potencializados pela IA
Hub de Tecnologia reúne 160 congressistas, incluindo professores do Senac SC, PR, SP, RJ, departamento nacional e representantes da IBM, Cisco, Oracle, Totvs e de empresas locais em Joinville
Com o tema Conectando Pessoas, Negócios e IA, o Hub de tecnologia do Senac SC em Joinville realizou na última semana o 2º Senac Tech. Com 160 inscritos, em sua maioria profissionais do mercado, o congresso trouxe nomes importantes de empresas como Cisco, IBM, Oracle e Totvs para falar sobre Segurança da Informação, Inteligência Artificial e Transformação Digital. O evento também reuniu coordenadores e professores de diversas unidades do Senac no estado e de representantes do Senac do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e do departamento nacional.
Ronaldo Ribeiro, diretor da faculdade do Senac em Joinville, conta que o objetivo do Congresso é trazer as atualizações dos assuntos da Tecnologia da Informação e seus impactos, integrando profissionais, empresas e tecnologias emergentes. “O Senac Tech representa um marco para o Senac em Santa Catarina, pois tem a capacidade de reunir profissionais locais com empresas mundiais na disseminação do conhecimento e fortalecimento da economia local, por meio de discussões que abrem o horizonte das empresas para a criação de novas soluções.”
A edição deste ano trouxe a Inteligência Artificial como destaque, abordando como ela impulsiona a inovação, a eficiência operacional e a transformação digital em diversos setores. Durante as manhãs, os participantes puderam participar dos workshops: Escaneamento e impressão 3D; IA generativa na prática; Redes Gpon; Assessment de Segurança em ambientes AWS; Governança de TI em tempos de IA e Segurança como Serviço – SSE.
Na parte da tarde, os palestrantes trouxeram temas diversos, envolvendo estratégias de aplicação, IA generativa, frontier models, e outros mais. No primeiro dia, o especialista em soluções de segurança da informação da IBM, Pedro Andrioti, abriu o evento trazendo a Ética para dentro do debate. Segundo ele, “À medida que a Inteligência Artificial se torna parte integrante de processos decisórios, operações empresariais e da nossa vida cotidiana, refletir sobre como garantir seu uso responsável e seguro é indispensável para construir um futuro em que a IA amplie o potencial humano sem comprometer a confiança.”
Andrioti compartilhou também um pouco da sua experiência:
“Na IBM, temos trabalhado intensamente para que a IA seja confiável, com princípios de ética e segurança embutidos desde a concepção das soluções. Isso se reflete em diversas frentes, com frameworks que permitem rastrear decisões e explicar o raciocínio da IA; garantia de conformidade com regulações como a LGPD e o GDPR e uso de ferramentas que mitigam vieses algorítmicos, promovendo a equidade e mantendo a integridade dos dados.”
Outro tema bastante abordado e em voga na maioria das palestras foram os avanços da segurança da informação e proteção de dados. “Com a IA, os golpes estão cada vez mais sofisticados e redobrar os cuidados é fundamental para empresas e pessoas físicas.”, diz Ronaldo.
O encerramento do Senac Tech ficou com Fernando Zamai, líder de cibersegurança da Cisco no Brasil, que falou sobre a era dos ataques silenciosos com sinais invisíveis potencializados pela IA. “Hoje, a inteligência artificial é utilizada por atacantes para criar campanhas de phishing quase perfeitas, em qualquer idioma e adaptadas ao contexto da vítima — o que reduz drasticamente os sinais clássicos de fraude. Em resumo, a IA diminuiu a barreira técnica para o crime digital e elevou significativamente a sofisticação dos ataques.”, destaca Zamai. Confira abaixo a entrevista completa com ele sobre os principais assuntos e preocupações da empresa no atual contexto da segurança digital e estratégias de prevenções para o futuro.
Elogiado e referenciado por profissionais da região, com boa repercussão nas redes sociais, o Senac Tech já é parte do calendário oficial da Faculdade. A próxima edição está prevista para o primeiro semestre de 2026.
Defesa Cibernética em Transformação: a IA no Centro da Segurança
Entrevista com Fernando Zamai, Líder Nacional de Cibersegurança da Cisco Brasil
1 – De maneira geral, como você avalia a questão da cibersegurança no contexto atual e quais as principais preocupações?
A cibersegurança está passando por uma transformação profunda: os ataques modernos são silenciosos e muitas vezes exploram aplicações legítimas — de “duplo uso” — como vetores de ataque.
Na palestra no evento, a mensagem central foi que precisamos compreender, sancionar e inspecionar as aplicações e o protocolo DNS [Domain Name System, protocolo de controle da Internet que traduz o nome dos sites em endereços IPs], pois é justamente nesse nível que os ataques se ocultam e ganham persistência.
2 – Que tipo de aplicações?
São aplicações comerciais como Anydesk, TeamViewer, que estão sendo usadas no ataque para gerenciar remotamente a estação da vítima e burlam a defesa pois não são classificadas como maliciosas. São aplicações comerciais legitimas, algumas delas nativas do windows.
Em síntese, a ideia é reforçar que segurança não é mais apenas sobre bloquear, mas sobre entender o comportamento do que é legítimo e agir com inteligência, contexto e precisão.
3 – Você poderia falar um pouco sobre qual foi o foco do workshop Segurança como Serviço?
No workshop, realizamos um exercício prático de “Capture The Flag” focado em proteção de identidade, além de discutir como o consumo de segurança vem migrando do modelo on-premises para o SaaS, destacando os ganhos operacionais e de agilidade inerentes ao modelo de consumo como serviço.
4 – Você poderia citar algum exemplo de como a IA potencializou os ataques digitais?
Já existem diversos casos concretos. Hoje, a inteligência artificial é utilizada por atacantes para criar campanhas de phishing quase perfeitas, em qualquer idioma e adaptadas ao contexto da vítima, o que reduz drasticamente os sinais clássicos de fraude.
Também observamos o uso de deepfakes de voz e vídeo em ataques de engenharia social, que já resultaram em fraudes milionárias, com executivos autorizando transferências após receberem ligações falsas com vozes clonadas.
Além disso, a IA vem sendo usada para automatizar a identificação e exploração de vulnerabilidades conhecidas, acelerando o ciclo de ataque e reduzindo o tempo entre a descoberta e a exploração.
5 – A Cisco tem experimentado soluções de segurança utilizando IA, visando potencializar o desenvolvimento da segurança na mesma proporção que os ataques vêm crescendo?
Sim, a Cisco tem investido fortemente em inteligência artificial aplicada à segurança, atuando em três frentes principais:
Essa frente também inclui o mapeamento das IAs em uso dentro das empresas, avaliando os riscos que cada uma representa e oferecendo um processo simples para sancionar quais serão permitidas, inspecionadas ou bloqueadas, combatendo assim o que o mercado chama de “Shadow AI”.
A mensagem é simples: se a IA amplificou os ataques, ela também precisa ser nossa principal aliada na defesa.