
Foto: Ton Molina/STF
O julgamento de Jair Bolsonaro começa nesta manhã no Supremo Tribunal Federal com o ex-presidente tendo poucas dúvidas de que será condenado. Por isso, nesta segunda-feira, Bolsonaro acionou seus aliados de maior peso político no país para tentar, mais uma vez, levar a tese de uma anistia ao Congresso Nacional. O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), atendeu ao pedido e o visitou em casa, onde cumpre prisão domiciliar. Certo de que a pressão americana sobre o STF não trará resultados, Bolsonaro pediu a Lira que tentasse acelerar os trâmites do projeto de lei que, a seu ver, poderia lhe garantir a liberdade. Reforçou que o texto que quer ver aprovado é o de anistia ampla, que contempla não só os manifestantes do 8 de janeiro, mas também políticos e militares envolvidos na trama golpista. De acordo com o ex-presidente da Câmara, a proposta tem aceitação entre PL e de legendas do Centrão, mas encontra resistência na base governista e até em partidos de oposição mais moderados. Os dois traçaram estratégias de vencer essa barreira. (Globo)
A tropa de choque pela anistia conta também com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos últimos dias, Tarcísio vem reforçando o apoio ao ex-presidente de olho em seu espólio político. Depois de ter afirmado que concederia indulto a Bolsonaro “na hora, primeiro ato” se eleito para o Planalto, o governador ligou para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do tema. Tarcísio prometeu o apoio do Republicanos caso Motta leve o projeto de lei à pauta. Motta, segundo interlocutores, saiu da conversa sem prometer nada. (CNN Brasil)
No Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Tarcísio recebeu o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, para um café da manhã. O deputado postou nas redes sociais: “no cardápio do dia: anistia”. Pereira se comprometeu a apoiar Hugo Motta e convencer seu partido a fechar questão. Assim, a anistia, que já conta com votos declarados de PL e Novo, poderia ganhar apoio do União Brasil, PP e Republicanos. (UOL)
Tarcísio mudou de ideia e decidiu ir a Brasília no dia em que começa o julgamento da trama golpista no STF. Seus assessores não informaram qual será a agenda do governador. Se decidir visitar Bolsonaro novamente, como fez dois dias após a prisão domiciliar do ex-presidente, terá de pedir autorização ao ministro Alexandre de Moraes. (Folha)
A defesa de Bolsonaro confirmou que o ex-presidente gostaria de ir ao STF, mas disse que as condições de saúde prevaleceram para que ele decidisse não comparecer às sessões do julgamento. Com crises de soluço que levam a vômito, o ex-presidente também precisaria de autorização de Moraes para ir ao Supremo. (CNN Brasil)
Confira como deve ser o primeiro dia do julgamento e entenda as acusações. (g1)
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) visitou Bolsonaro na véspera do julgamento. Uma das aliadas mais fiéis desde que ele chegou ao Planalto, Damares disse que Bolsonaro está sereno e que ele queria vê-la em razão de sua condição de saúde. Damares faz tratamento contra um câncer de mama. (Metrópoles)
Enquanto as tensões em torno do julgamento de Bolsonaro aumentam, o atual presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, fez declarações que devem inflamar ainda mais os apoiadores do ex-presidente que acusam o tribunal de parcialidade. Em um evento no Rio, Barroso disse: “em breve nós vamos empurrar o extremismo para a margem da história”. O ministro, que não participa do julgamento, afirmou ver com normalidade as tensões em torno da decisão do STF. “O anormal é que se não houvesse tensão”. (Poder360)
Meio em vídeo. Tarcísio de Freitas quer dar anistia a Jair Bolsonaro. Está prometendo para quem quiser ouvir. Isto é traição à democracia. Não por um princípio de esquerda, tá? Por um princípio liberal. A opinião de Pedro Doria no Ponto de Partida. (YouTube)