Quando o mercado interno gira, a indústria avança: desafios e oportunidades no
varejo
Congresso Moveleiro reúne lideranças de mercado em Curitiba, no próximo mês de outubro —
impactos de políticas monetárias, do ambiente econômico, dos investimentos em tecnologia e
inovação, e da geopolítica no desempenho ao longo da cadeia moveleira estão na pauta
O desempenho da indústria e do varejo de móveis brasileiro em 2025 reflete um paradoxo
econômico: inflação em desaceleração, mas ainda acima da meta; emprego em alta; e
juros no patamar mais elevado em quase duas décadas. O equilíbrio entre oferta,
demanda e crédito define os rumos de uma cadeia que movimenta 1,1 milhão de
trabalhadores diretos e indiretos no país.
Com a Selic mantida em 15% ao ano (Banco Central), o crédito encareceu e restringiu o
fôlego das compras de maior valor. Ao mesmo tempo, os esforços para controlar a inflação
— em 5,23% até julho (IBGE) — e o avanço da renda real das famílias preservam algum
dinamismo no consumo. O resultado é um crescimento instável, com um maior consumo
interno aparente, que eleva a produção na indústria, mas uma demanda ainda instável
na ponta.
Esse ambiente será o plano de fundo do 12o Congresso Nacional Moveleiro, promovido
pelo Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) e pela ABIMÓVEL (Associação
Brasileira das Indústrias do Mobiliário), com apoio da CNI (Confederação Nacional das
Indústrias do Mobiliário) e do Conselheiras, nos dias 1o e 2 de outubro de 2025, em
Curitiba (PR), no Campus da Indústria.
O encontro reunirá lideranças da indústria e do mercado para discutir temas
relevantes para o setor moveleiro nacional, incluindo os impactos de políticas
monetárias, do ambiente econômico, dos investimentos em tecnologia e inovação, e das
pautas geopolíticas no desempenho ao longo da cadeia moveleira — do chão de fábrica às
lojas de varejo, passando pelas exportações.
Para o presidente da ABIMÓVEL e vice-presidente da Fiep, Irineu Munhoz, o
Congresso Moveleiro 2025 ocorre em um momento importante para a indústria nacional: “O
setor de móveis é um dos termômetros da economia brasileira. Quando a renda e crédito
avançam, o consumo reage de imediato, impulsionando a produção nas fábricas, ampliando
postos de trabalho e fazendo o dinheiro circular no país. Hoje, no entanto, vivemos um
cenário onde mesmo com investimentos consistentes, não há garantia de retornos
previsíveis. O Congresso é, portanto, o espaço para refletirmos sobre esses desafios e
construirmos caminhos que integrem indústria, varejo e políticas públicas, transformando a
resiliência já demonstrada pelo setor em competitividade sustentável”.
Irineu Munhoz, presidente da ABIMÓVEL e vice-presidente da Fiep
Entre 2024 e 2025: mudança de ritmo
O contraste com 2024 ajuda a dimensionar o momento atual. O ano passado foi
considerado “especialmente bom” para o setor moveleiro, com crescimento na produção e
vendas sobre 2023 — um ano “ruim” —, impulsionado pela melhora do emprego, da renda e
do consumo interno. Já em 2025, o avanço, como esperado, é mais comedido.
Segundo dados do IEMI, a indústria de móveis estima alta de 2,6% em peças
fabricadas no primeiro semestre e de +1% em faturamento. No varejo, contudo,
estima-se que houve pequeno recuo de 0,4% em volume, ainda que com crescimento
de 3,3% em receita, o que reflete também o ajuste nos preços.
Economia em transição
Embora a inflação esteja em trajetória de desaceleração, o espaço para corte de juros ainda
é restrito. O Banco Central mantém a Selic em dois dígitos para, segundo eles, conter
pressões inflacionárias persistentes em serviços e alimentos, enquanto os bancos
continuam seletivos na concessão de crédito.
O resultado aparece nos indicadores: a taxa média do crédito livre às famílias chegou a
58,3% ao ano, segundo o BC; já a inadimplência atinge 30,2% da população brasileira e
o comprometimento da renda com contas e dívidas está em 70,5%, de acordo com
informações do Serasa Experian. Na prática, as famílias seguem consumindo, mas de
maneira mais criteriosa. Alimentação e serviços mantêm ritmo, enquanto bens duráveis
sentem o pé no freio.
Tal cenário será retratado por Caio Megale,
economista-chefe da XP Investimentos,
que levará sua visão estratégica sobre o
cenário macroeconômico do país, seus
impactos no setor produtivo e as
perspectivas para a indústria nos próximos
anos ao palco do Congresso Nacional
Moveleiro.
Varejo em reinvenção
O ambiente desafiador também reorganiza
canais de venda. As plataformas on-line,
especialmente B2C (da empresa para o
consumidor) e D2C (direto para o
consumidor), vinham crescendo bem
antes da pandemia, mas ainda eram
pouco representativas em termos de
receita comparativamente ao varejo físico
de móveis, respondendo por cerca de 4%,
pontua o IEMI. Após o isolamento social,
no entanto, ganharam um grande impulso
e hoje já movimentam 2,5 vezes mais
vendas, tornando-se essenciais no planejamento de expansão seja regional ou financeira
dos negócios.
Entretanto, o desafio da logística e da montagem do produto na casa dos consumidores
continua pesando muito no processo de comercialização do mobiliário e ainda funciona
como uma barreira para a maioria dos pequenos fabricantes e lojistas do segmento. É
nesse ponto que os marketplaces se tornam tão importantes na venda on-line, seja na
geração de fluxo de compradores ou na disponibilização de uma gama maior de serviços.
O ponto de venda físico, cada vez mais, se transforma em centro logístico e de
relacionamento, estratégia apontada como essencial por executivos. Os canais que
oferecem mais margens tendem a ser os que oferecem maior exclusividade e um melhor
pacote de serviços, agregados ao mix de produtos e marcas que comercializam. Ou seja,
margens não são dadas pelo canal, são “construídas” pelas marcas que sabem operar bem
nesses canais, independentemente do formato da loja e se a venda ocorre em ambiente
físico ou digital.
Quem fala mais sobre isso durante o Congresso é Luiza Helena Trajano, presidente do
Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil. A executiva, que é
referência na área, enfatiza como empresas podem usar a tecnologia e a inovação para
crescer, se aproximar do consumidor e manter relevância em um mercado competitivo.
Panorama no mercado interno e externo
À frente do painel “Transformando dados e informações em estratégia competitiva”,
Marcelo Prado, sócio-diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial, o IEMI,
traz análises exclusivas sobre o desempenho do setor, tendências de mercado e caminhos
para a inovação baseada em inteligência de mercado. Ele explica que por ser um país muito
extenso e com uma economia diversificada, o Brasil conta com desempenho muito diferente
entre suas regiões e categorias de produto.
“Polos produtores localizados em regiões
influenciadas pelo agronegócio ou que
focam suas vendas para essas regiões de
consumo, por exemplo, estão obtendo
resultados melhores. Enquanto aqueles que
se concentram, tradicionalmente, em suprir
grandes redes de varejo populares, estão
sofrendo mais nos últimos anos; assim como
os polos dedicados principalmente às
exportações, por serem mais dependentes
das vendas ao mercado externo, agora
bastante afetadas pelo ‘tarifaço’ americano”,
comenta Prado.
No mercado internacional, a imposição de
tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre
móveis de madeira — que representam
mais de 80% da pauta exportadora do
setor — elevou as incertezas. Projeções
do IEMI para a ABIMÓVEL indicam que a
medida pode reduzir em até 1,4% a
produção moveleira no Brasil. Com os EUA respondendo por quase um terço das
exportações brasileiras do setor, o mercado interno reforça ainda mais seu papel de
sustentação da atividade.
Nesse cenário, a diversificação de parceiros comerciais também é estratégica. Esther
Schattan, sócia-fundadora e diretora da Ornare, trará sua expertise para abordar no
Congresso estratégias e exigências para conquistar mercados no segmento de alto padrão,
onde prazos, design exclusivo e sustentabilidade são determinantes para a competitividade
global.
O Observatório do Sistema Fiep, representado por Laila Seleme Wildauer e Sidarta
Ruthes, também apresentará tendências estruturais que afetam diretamente o setor:
digitalização, descarbonização e o avanço de um consumo mais singular e segmentado.
Esses vetores dialogam com a necessidade de eficiência industrial, precisão no varejo e
reposicionamento competitivo nos mercados externos.
Perspectivas, oportunidades e desafios
Nesse contexto, um dos grandes desafios, como será debatido no Congresso Nacional
Moveleiro 2025, é converter a tração ainda frágil da economia nacional em crescimento
sustentado no médio e longo prazo. Isso significa integrar indústria e varejo, encontrar o
equilíbrio entre crédito e investimentos e reposicionar o Brasil com mais competitividade nas
cadeias globais de valor.
Por fim, especialistas convergem em alguns pontos: o consumo aparente segue em
expansão, mas exige disciplina de estoques e leitura atenta do cenário macroeconômico e
também das diferenças regionais; a sustentabilidade deixou de ser diferencial e se
consolidou como requisito em negociações com clientes e investidores; os dados assumem
protagonismo, orientando do giro no varejo ao investimento em design e inovação; e a
digitalização já não é tendência, mas condição para eficiência e relevância no mercado.
12o Congresso Nacional Moveleiro
01 e 02 de Outubro de 2025
Campus da Indústria - Sistema Fiep, Marginal Comendador Franco | Avenida, 1341 - Jardim
Botânico, Curitiba - PR
As inscrições são gratuitas e já estão abertas.
Mais informações: Congresso Nacional Moveleiro 2025
MÓVEIS: O NOSSO NEGÓCIO!
Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário – ABIMÓVEL
Assessoria de Imprensa: press@abimovel.com